terça-feira, dezembro 29, 2009

Verdes Anos



Flash Gordon

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Palavras

Dia de Natal

Hoje é dia de era bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá
-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão

domingo, dezembro 20, 2009

Silent Magic Words

Em jeito de voto de boas festas...



David Fonseca, "Amazing Grace", um toque genial...

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Ecos do Pensamento

Paul Samuelson [1915-2009]



«Para provar que Wall Street é um presságio da evolução futura da economia, os comentadores citam estudos económicos que alegam que as correcções do mercado previram quatro das últimas cinco recessões. Essa afirmação peca por defeito. Os índices de Wall Street previram nove das últimas cinco recessões! E os seus erros foram bonitos».

Paul A. Samuelson, “Science and Stocks”, Newsweek, 19 de Setembro de 1966

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Palavras

As Passagens Secretas

A navegabilidade é o ofício das mãos, embarcamos em ti,
germinas
e o mel progride pelas sombras do quarto, a roupa nua, o fogo
circular
que principia nas nucas –

argila, brisa, pálpebras que soluçam, cortam a neblina, gastam
a angústia até ao último centavo, a frescura dos lenços, o aroma
dos pássaros vermelhos, os pátios e as algas que nos pedem
auxílio desde a areia,

vê:

acenam-nos desesperadamente com refúgios.

Corremos pela praia com a nossa nudez porque deixamos algures
os mantimentos escassos de que a nossa tristeza se mantém.

Corremos pela praia e as mãos deslizam para um cobertor lavado
pelo mar,
o oiro magnífico, a distância
mais curta entre dois pontos. É noite,

e corremos porque o tacto é uma promessa, casam-se os búzios,
conchas
azuis habitam o olhar, barcos,

homens que bebem a água como se fosse terra, pequeninas
sementes,
dissumulam a sede a que deus nos condena.

Amadeu Baptista, "Fragmentos".

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Directo à Questão

O Caso Camarate: Ainda o mistério em torno da morte de Francisco Sá Carneiro

Passam vinte e nove anos sobre a morte de Francisco Sá Carneiro, ex-primeiro-ministro de Portugal. Quase três décadas sobre o acontecimento, permanecem todas as dúvidas e interrogações sobre aquele que ficará para a história como o “Caso Camarate”.
Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro foi primeiro-ministro durante cerca de onze meses, em 1980. Formou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e exerceu a advocacia no Porto. Foi um dos fundadores da Cooperativa Cultural Confronto e director da Revista dos Tribunais. Deputado independente, pertenceu à chamada ala liberal de 1969 a 1973. Após o golpe militar de 25 de Abril de 1974, foi um dos fundadores do PPD, presidindo seus destinos. Fez parte do primeiro governo provisório como ministro-adjunto.
Líder do PSD, a nova denominação do PPD, com o CDS e o PPM constituiu em 1979 a Aliança Democrática, conhecida como AD, que venceu as eleições intercalares. Com isso, ascendeu a chefe do Governo. Obteve a maioria absoluta nas eleições de 5 de Outubro de 1980. Faleceu em 4 de Dezembro desse ano, vítima de um acidente de aviação, com um Cessna, em Camarate, quando se dirigia para o Porto, a fim de tomar parte num comício de apoio a António Soares Carneiro, candidato a Presidente da República pela AD. Uma morte envolvida em polémica. Um mero acidente? Um atentado? A dúvida ainda hoje permanece.
O Caso Camarate nunca foi a julgamento. Em causa está um dos mais negros e pior explicados eventos da história recente portuguesa. Em 1991, uma Comissão Parlamentar criada na Assembleia da República para o efeito declarou reiteradamente, em modo tendencialmente unânime, após apuradas e cuidadosas investigações, que existiam fortes indícios de ocorrência de crime em Camarate e que os autos deveriam ser levados a julgamento. No entanto, o caso não seguiu para julgamento logo em 1991, nem sequer em 1995, quando a Comissão Parlamentar de Inquérito concluiu os seus trabalhos.
Neste tipo de casos, diz o Direito, só o tribunal de julgamento poderia, em definitivo, apreciar os factos apurados e declarar a ocorrência de crime, determinando em simultâneo a responsabilidade dos indiciados. Foi este passo fundamental da Justiça Portuguesa que foi sucessivamente impedido, ao arrepio de repetidas inquirições parlamentares e respectivas recomendações, para averiguação e estabelecimento das causas e circunstâncias das mortes.
No final de Novembro de 2006, José Esteves, antigo segurança de Sá Carneiro, garantiu, numa entrevista publicada pela revista Focus, que o ex-primeiro-ministro tinha sido assassinado, chegando a confessar-se como o fabricante da bomba que fez explodir o Cessna. O advogado dos familiares das vítimas do Caso Camarate, Ricardo Sá Fernandes, sublinhou na altura que era “a primeira vez que alguém assumia expressamente a autoria do atentado”. Contudo, como o caso já se encontrava prescrito, o então Ministro da Justiça, Alberto Costa, afirmou que o Governo não avançaria com qualquer medida no sentido de levar o caso a julgamento.
Passaram esta sexta-feira vinte e nove anos sobre o brutal acidente. No entanto, o mistério sobre o caso persiste, por entre um rol de suspeitas e inúmeras teorias da conspiração. Muitas dúvidas, uma única certeza. Sá Carneiro, um ilustre servidor do Estado Português, não merecia tudo o que esse Estado tem (ou sobretudo não tem) feito pela resolução de mais um dos muitos casos que ensombram a Justiça portuguesa.

sexta-feira, novembro 20, 2009

Esses e Outros Sons

Entre Ondas de Classe



Depois de ter estreado no dia 14 em Faro, Aveiro recebeu ontem a "Between Waves Tour", a nova digressão de David Fonseca.

Já sabia que ele é um verdadeiro artista. Os seus videoclips são brilhantes, a sua música fascinante, o seu estilo irrepreensível. Mas faltava perceber que David Fonseca é ainda, também e sobretudo, um verdadeiro "animal de palco". A cabine telefónica que toma lugar de destaque no arranjo cénico é a ponte para a comunicação perfeita com lado de lá do palco, num espectáculo que revisita músicas de várias gerações em duas horas frenéticas, sob a batuta de classe do "one man show" David Fonseca. Alguém reparou na banda que o acompanhava? E não é por falta de mérito da banda...

”Between Waves”, o 4.º disco de originais de David Fonseca e actual n.º 1 do Top Nacional de Vendas, lançado no passado dia 2 de Novembro, é o terceiro disco consecutivo do músico a alcançar o primeiro lugar do Top logo na primeira semana, tendo também entrado directamente para Nº 1 do Top de álbuns do iTunes em Portugal.

Assim
escrevia David Fonseca no seu Twitter depois do Concerto de Aveiro.

Claro que um concerto assim só podia ser especial...
Kiss Me... Oh Kiss Me...

quinta-feira, novembro 19, 2009

Ecos do Pensamento



“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade."

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, novembro 18, 2009

Lusa Atenas... Sempre...



Mosteiro de Santa Clara numa chuvosa tarde de Novembro...

segunda-feira, novembro 02, 2009

Directo à Questão

O Desenvolvimento Económico-Social e a Evolução do Conceito de Qualidade de Vida

Registou-se nas últimas décadas uma transformação profunda na sociedade Portuguesa. É inegável.
O declínio acentuado na agricultura, outrora o mais importante sector de actividade económica, é particularmente visível nas regiões que dela dependiam de modo exclusivo ou quase, situadas predominantemente no interior do país. O seu tecido social transformou-se radicalmente. Estas regiões perderam população que emigrou para o exterior, com um destaque particular para os países mais importantes da União Europeia, ou para as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto e, em menor proporção, para outras regiões do litoral.
O envelhecimento da população que restou é outra realidade inquestionável.
Funções como a agricultura ou a indústria, o comércio ou os serviços encontram no tipo de aglomerado os argumentos para o seu estabelecimento, moldando e transformando a forma destes, estabelecendo relações de cooperação. São modos de ocupar o território, distintos nos seus conceitos e finalidades, que se complementam, sustentando a chamada “colonização” humana.
Contudo, como sabemos, o abandono dos campos, a deslocação dos mais novos para as cidades e até para o estrangeiro, deram origem a uma gradual desertificação das zonas rurais interiores, como atrás foi referido, e à inevitável degradação do parque habitacional, porque abandonado. Os “resistentes”, por força da idade, são idosos que, por circunstâncias várias, a que não será alheio o reduzido rendimento, são impotentes relativamente a esta questão.
É, por isso, também inegável que mudaram as formas e contextos de vida. Mudaram as condições que estão na base da qualidade de vida das populações.
A noção de qualidade de vida, como é definida actualmente pela Organização das Nações Unidas, procura, não só aferir os patamares atingidos de cidadania efectiva e de participação cívica, mas também as condições sociais existentes (designadamente condições de vida, oferta e acesso de bens e serviços) que permitem a sua manutenção ou florescimento, não esquecendo a actuação dos poderes públicos, da sociedade civil e da iniciativa privada, que, em conjunto, são co-responsáveis pelos desenvolvimentos sociais locais.
Esta noção de qualidade de vida alicerça-se nos conceitos de necessidade básica, oportunidades de ascensão social, auto-satisfação e auto-desenvolvimento. Nesta hierarquia de etapas, avança-se para a satisfação de uma necessidade determinada quando outras mais elementares já foram satisfeitas. Conforme o conceito de pirâmide das necessidades de Maslow, o nível das necessidades básicas (visto num âmbito alargado que, neste caso, inclui exigências próprias da modernidade) corresponde à base da pirâmide, terreno onde se garante a sobrevivência com dignidade e a criação de condições para passar à etapa seguinte.
Como sublinha Frances Stewart, bens e serviços como saúde, nutrição ou educação são características básicas das condições de vida que conseguirão muito provavelmente, enquanto necessidades humanas universais, um consenso alargado. Tais necessidades são geralmente consideradas prioritárias, porque da sua satisfação dependem as condições de desenvolvimento dos restantes aspectos da vida como, por exemplo, desfrutar da arte, da cultura ou do desporto.
Estamos, pois, perante um conceito intimamente relacionado com o processo de desenvolvimento económico-social. Ter qualidade de vida, definida como a satisfação de necessidades básicas, é cada vez mais ter acesso a condições de vida que contribuam para o desenvolvimento pessoal, social, económico e até mesmo cultural.

Retirado
daqui.

quinta-feira, outubro 29, 2009

Do Arco da Velha


No Cais da Ribeira, no Porto...
[foto de: Pinheirinho em Frustração. Obrigado pelo mimo...]

segunda-feira, outubro 26, 2009

Verdes Anos

He-Man

quarta-feira, outubro 14, 2009

Lamentável



Maitê Proença no "Saia Justa"



O pedido de desculpas em directo na SIC
Lusa Atenas... Sempre!



Latada 2009 » 22-28 Outubro [clique para aumentar a imagem]

sexta-feira, outubro 09, 2009

Do Arco da Velha

Num dia intenso em notícias inesperadas ou invulgares, aqui fica o destaque...




Para o Prémio Nobel da Paz atribuído a Obama "pelos esforços diplomáticos internacionais e cooperação entre povos". Segundo o assessor de imprensa da Casa Branca, Robert Gibbs, Obama "acolheu com humildade a selecção do comité"...



Para a primeira transmissão televisiva de sempre de um jogo do Sertanense. Será na Sport TV, no próximo dia 17, às 20h15, e trata-se, naturalmente, do encontro da 3.ª eliminatória da Taça de Portugal, entre o F.C. Porto e a equipa da Sertã...

sexta-feira, outubro 02, 2009

Verdes Anos

Imperdíveis recordações de infância. Pérolas e mais pérolas num blogue de visita absolutamente obrigatória.

O link já está aqui ao lado nos "Blogues a não perder por aí", mas vale a pena reiterar a ideia. O sítio fica em

Está lá tudo, mas mesmo tudo, incluíndo o clássico reclame "Um Bongo":

Ecos do Pensamento


"The world is a dangerous place to live - not because of the people who are evil but because of the people who don't do anything about it."

Albert Einstein

quinta-feira, setembro 24, 2009

Sobre a Crise...



[clique para aumentar]

terça-feira, setembro 22, 2009

segunda-feira, setembro 21, 2009

Grande Penalidade

À terceira será de vez?

Quis a sorte que o Sertanense voltasse a encontrar o todo poderoso Futebol Clube do Porto, pela terceira vez consecutiva, na Taça de Portugal. Os encontros disputar-se-ão no fim-de-semana de 17 e 18 de Outubro, sendo que o Porto deverá tentar antecipar o jogo, devido a compromissos europeus.

Aqui fica o quadro completo dos encontros da terceira eliminatória da Taça de Portugal:

FC Porto-Sertanense
Monsanto-Benfica
Sporting-Penafiel
Vieira-vencedor do Mafra-Estrela da Amadora
Lordelo-Machico
Tondela-Oliveirense
Guinfães-Pescadores
Académica-Portimonense
Paços de Ferreira-Aljustrelense
Leixões-Casa Pia
Merelinense-União de Leiria
União da Madeira-Alcains
Cruzado Canicense-Vigor da Mocidade
Leça-Desportivo de Chaves
Fátima-Vila Meã
Santa Clara-Marítimo
Beira Mar-Torre de Moncorvo
Oeiras-Operário
Camacha-Paredes
Belenenses-Oriental
Vitória de Guimarães-Feirense
Naval-Padroense
Sintrense-Pinhalnovense
Rio Ave-Esmoriz
Varzim-Nacional
Valenciano-Olhanense
União da Serra-Coimbrões
Atlético-Vitória de Setúbal
Sporting da Covilhã-Sporting de Braga
Tirsense-Oliveira do Bairro
Freamunde-Carregado
Gil Vicente-Nelas

sexta-feira, setembro 18, 2009

Vida

Visita Obrigatória



A Casa das Histórias - Museu Paula Rego é inaugurada hoje, em Cascais. O imponente edifício é da autoria do arquitecto Souto Moura, a direcção do Museu cabe a Dalila Rodrigues. Estão prometidas duas exposições anuais, isto para além da colecção permanente com mais de 100 obras da mais conceituada pintora portuguesa (e seguramente uma das maiores pintoras vivas a nível mundial). Como escrevia a "Pública" desta semana, é a "consagração em vida de uma artista imensa".

segunda-feira, setembro 14, 2009

Fantástico

O Contemporâneos no Chiado, no videoclip final da terceira série.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Carpe Diem

Barcelona, um banquete para os sentidos...

Barcelona é, pura e simplesmente, uma das mais vibrantes e emocionantes cidades europeias. É impossível ficar indiferente ao seu cosmopolitismo (que encontra o seu expoente máximo nas deliciosamente intermináveis Las Ramblas), à sua gastronomia (com as inevitáveis tapas e a improvável surpresa que é o fabuloso Restaurante Market - absolutamente obrigatório!!), à cor e à luz que dela irradiam (em locais como a Fonte Mágica ou a Torre Agbar) ou ao verde mágico de Montjuic e Tibidabó (e, claro, do imponente Parque Güell).



Mas o que realmente surpreende em Barcelona é a arte. Não bastava conjugar majestosamente os elementos urbano (com toda a monumentalidade da zona histórica, do Bairro Gótico ao Poble Espanhol) e natural (com as inebriantes paisagens em harmonia citadina, tendo o azul do Mediterrâneo como fundo). Não bastava tudo isso e tudo o que de mais foi dito. Barcelona consegue ainda transpirar arte em cada um dos seus mais recondidos recantos. Por tudo isso e tudo o que de mais será dito, esta Barcelona de Dali, de Picasso, de Miró, mas sobretudo de Gaudí, é uma cidade quase perfeita.



A Sagrada Família é o expoente máximo da grandiosidade da cidade e do próprio Antoni Gaudí. Nela, o autor trabalhou quarenta anos, até morrer. A sua construção iniciou-se sob o conceito de templo expiatório, pelo que foi financiada desde o início exclusivamente a partir de esmolas de particulares. Ainda hoje continua a ser construída a partir de donativos e receitas provenientes das entradas dos visitantes. A sua conclusão está prevista para 2030. Conjuntamente com obras como a Casa Milá (La Pedrera), a Casa Batló (A Casa dos Ossos) ou a Casa Vicens, Barcelona revela em cada esquina toda a singularidade do mestre Gaudí. Poucos artistas terão esse mérito de poder dizer - e fazer - sua uma cidade.

Nestas terras de magia, falta sempre visitar qualquer coisa. Falta sempre (re)descobrir um lugar, um espaço, um som que ficou para trás. Por isso...

Até breve, Catalunha...

Lamentável

Comentadores da SIC apanhados a gozar com o João Malheiro...

sexta-feira, agosto 28, 2009

Cinemacção

Ora aí estão dois filmes que eu quero mesmo (mas mesmo) muito ver...



SYNECDOCHE, NEW YORK



Inglourious Basterds

Verdes Anos

Godzilla

terça-feira, agosto 25, 2009

Fantástico

Sal, o Tempero da Vida



Em "Itinerário do Sal", o autor, actor e músico Miguel Azguime enche o palco numa genial performance interpretativa entre a palavra dita e o som ouvido. "Itinerário do Sal" apresenta-se ao público como uma “reflexão sobre a Criação e a Loucura, que gira em torno da linguagem, da palavra-sentido e da palavra-som; ambas tratadas como dimensões da voz, da voz enquanto extensão do corpo e ambas totalmente integradas na construção cénica como projecção tangível da ressonância das palavras através do som e da imagem".

O Itinerário que é proposto ao espectador questiona a ausência do próprio autor enquanto desdobramento e deslocação da sua personalidade criadora, colocando em cena a própria cena. Inevitavelmente idiossincrático, o espectáculo gira em torno do sentido das palavras e dos sons, que é ele próprio o sentido de tudo. Por isso ambicioso. Por isso inacabado. Sempre inacabado.

O sal, o tempero da vida, dá-lhe esse toque quasi-final, condimentando esta mistura verdadeiramente explosiva de linguagens, imagens, emoções, gestos e posturas. Entre a poesia sonora, o teatro musical e a arte performativa, "Itinerário do Sal" constitui um perturbante exercício de estilo que não deixa - nunca... - (nem sabe deixar) o espectador indiferente.

Com 20 anos de existência e mais de 400 concertos realizados, o Miso Ensemble é hoje amplamente reconhecido pela crítica e pelo público como o mais original, o mais criativo e o mais inovador dos agrupamentos portugueses de música contemporânea. Premiado no concurso Music Theatre NOW Berlim, em 2008, na categoria "Other Forms Beyond", o "Itinerário do Sal" parece o culminar de um projecto construído em cada dia da vida deste conceituado grupo.

Podia ter sido em Lisboa, em Viena ou até em Berlim, mas foi na Sertã que conheci esta obra-prima. Naquela que foi a primeira aparição deste espectáculo fora dos grandes palcos dos grandes centros urbanos (nacionais e internacionais), a Casa da Cultura da Sertã recebeu no passado dia 22 de Agosto um dos mais marcantes eventos que alguma vez passaram pela vila sertaginense. Os vinte minutos que o performer dedicou ao reduzido - mas interessado - público no final da frenética actuação, constituiram a prova da humildade e da grandeza do tal autor que se ausenta em busca da criação no meio do silêncio. Foi o sal do espectáculo.

terça-feira, agosto 18, 2009

Lusos Encantos



Ilha do Pico, Açores

quinta-feira, agosto 13, 2009

Verdes Anos


Conan, O Rapaz do Futuro

quarta-feira, agosto 05, 2009

Directo à Questão

Os Açores, uma janela de oportunidade para o turismo em Portugal

De visita ao Arquipélago dos Açores, constatei que afinal ainda existe um pedaço de Portugal que preserva o que de mais belo existe na natureza e nos costumes do nosso povo.
À beleza natural das suas nove ilhas, onde o exuberante verde da paisagem contrasta com o extasiante azul do mar que as rodeia, juntamos as vincadas tradições e costumes populares e a hospitalidade daquela gente. O resultado é um ambiente calmo e tranquilo, uma envolvência mágica e retemperante, uma paz e serenidade avassaladoras.
Perdidas no Atlântico, cada uma das ilhas açorianas marca pelas suas particularidades, constituindo, cada qual à sua maneira, um espaço de beleza singular que se demarca de todos os restantes. Das arrebatadoras lagoas de São Miguel ao verde único das Flores, passando pelo esplendor da montanha do Pico e pelo impressionante Vulcão dos Capelinhos, no Faial, a prova viva de que aquelas terras basálticas continuam bem activas e se constroem e reconstroem naturalmente a cada segundo que passa.
Pela sua particular singularidade, destaco aqui as Fajãs, características da ilha de São Jorge, superfícies planas que se prolongam pelo mar, provenientes de abatimentos da falésia. Muitas delas convertidas em férteis pomares e em ricos campos de cultivo, graças a um microclima muito próprio, marcam pela forma majestosa como se impõem na paisagem e pelo facto de constituírem a manifestação extrema da forma como os Açores mantém intacto o que de melhor existe na natureza. Na sua grande maioria inacessíveis de carro, privadas de rede telefónica e mesmo de electricidade, chegar às Fajãs proporciona ainda agradáveis percursos pedestres, que permitem desfrutar destes locais no seu máximo esplendor.
Por tudo isto e muito mais, os Açores são mesmo um local de visita obrigatória. Por acaso sabia que a grande maioria das paisagens que vê nos spots publicitários que divulgam o turismo em Portugal são paisagens açorianas?
Então porque é que o mundo não conhece estas paradisíacas ilhas? Pior, porque é que mesmo a grande maioria dos portugueses não conhece os Açores? Talvez porque continua a ser um destino pouco divulgado. Talvez porque tem apostado pouco na criação de condições para o acolhimento e exploração turísticas. Também como consequência destas, talvez porque continua a ser um destino caro.
Presos ao passado, durante muitos anos fechados ao mundo, os Açores continuam a não explorar devidamente aquele que é o seu maior potencial de desenvolvimento: o turismo. O turismo de aventura, aproveitando os fantásticos recursos naturais, por exemplo para o montanhismo, o surf ou as caminhadas. O turismo rural, aproveitando a hospitalidade das gentes e as deslumbrantes paisagens. O eno-turismo, aproveitando a qualidade da produção vínica, de que são expoente máximo os néctares produzidos nas vinhas do Pico, classificadas Património da Humanidade pela UNESCO. Isto apenas para citar alguns exemplos.
Os Açores constituem, pois, com toda a certeza, uma verdadeira janela de oportunidade para o turismo em Portugal. No entanto, todo o potencial turístico daquele arquipélago deve ser explorado sempre tendo em conta a preservação das nobres tradições daquele povo e do harmonioso convívio entre natureza e ser humano, precisamente os seus principais pontos fortes em termos de potencial turístico. Para bem da economia local e nacional, urge abrir os Açores ao mundo, sem perder o que neles existe de mais belo. E não é pouco.
A nossa Atlântida, tão perto e por vezes tão longe.

quinta-feira, julho 30, 2009

Directo à Questão

39 Anos Sobre a Morte de Oliveira Salazar


Foi em 27 de Julho de 1970. Nessa data, Portugal conhecia a notícia da morte do ditador António de Oliveira Salazar. Apesar de todas as modificações entretanto ocorridas, trinta e nove anos depois, a marca de Salazer permanece bem vincada na História de Portugal, chegando a haver quem o considere o português mais influente de sempre.
Oliveira Salazar nasceu em 1889, em Santa Comba Dão, descendente de uma família de pequenos proprietários agrícolas. A sua educação foi fortemente marcada pelo Catolicismo, chegando mesmo a frequentar o Seminário. Mais tarde estudou na Universidade de Coimbra, onde viria a ser docente de Economia Política.
Ainda durante a Primeira República, Salazar iniciou a sua carreira política como deputado católico para o Parlamento Republicano em 1921. Já em plena Ditadura Militar, Oliveira Salazar foi nomeado para Ministro das Finanças, cargo que exerceu apenas por quatro dias, devido a não lhe terem sido delegados todos os poderes que exigia. Quando Oscar Carmona chegou à Presidência da República, Salazar haveria de regressar à pasta das Finanças, com todas as condições exigidas, designadamente a supervisão de todas as despesas de todos os Ministérios do Governo.
Em 14 de Maio de 1928, publicou a Reforma Orçamental, contribuindo para que o ano económico de 1928-1929 registasse um saldo positivo. Tal feito foi particularmente prestigiante para Oliveira Salazar. O sucesso obtido na pasta das Finanças tornou-o chefe de governo em 1932. No ano seguinte, com a aprovação da nova Constituição, formou o denominado Estado Novo, um regime autoritário semelhante ao fascismo de Benito Mussolini.
As graves perturbações verificadas nos anos 20 e 30 nos países da Europa Ocidental levaram Salazar a adoptar severas medidas repressivas contra os que ousavam discordar da orientação do Estado Novo. No entanto, ao nível das relações internacionais, com o que podemos chamar hoje de hábeis malabarismos, conseguiu assegurar a neutralidade de Portugal na Guerra Civil de Espanha e na Segunda Guerra Mundial.
O declínio do império salazarista teve o seu prólogo em 1961, motivado sobretudo pelo surto de emigração e pelo crescimento capitalista. Salazar haveria de ser afastado do governo em 1968, por motivo de doença, e substituído por Marcello Caetano. A sua morte, a 27 de Julho de 1970, em Lisboa, marca o fim de um ciclo na História de Portugal.
Curiosamente, no dia em que o povo tem conhecimento da sua morte, realiza-se o Exame Nacional de Português. O Texto a analisar é a cena IV do Acto III de “Frei Luís de Sousa”, de Almeida Garrett. O personagem Telmo, fiel escudeiro de D. João de Portugal, quando este aparece vestido de Romeiro, diz: «Meu Deus, meu Deus, levai o velho que já não presta para nada, levai-o, por quem sois!» Claro está que, na altura, o meio estudantil haveria de conotar ironicamente esta passagem textual com a morte de António de Oliveira Salazar.

As questões e os comentários em
http://directoaquestao.blogs.sapo.pt/

segunda-feira, julho 27, 2009

sexta-feira, julho 10, 2009

quinta-feira, julho 09, 2009

Do Arco da Velha




A foto de capa do DN de hoje pode ser machista, infeliz, desadequada ou tudo o mais que quiserem dizer. Mas lá que a objectiva foi muito oportuna, lá isso foi... Não foi, Senhor Berlusconi?

quarta-feira, julho 08, 2009

Fantástico

"Historia de un Letrero"

Curta-metragem vencedora do Festival de Cannes em 2008.

terça-feira, julho 07, 2009

Verdes Anos

As Aventuras do Bocas

quinta-feira, julho 02, 2009

Ecos do Pensamento




"Ah a realidade imediata reconforta, nem que seja a realidade de uma pedra que nos atirem"

Vergílio Ferreira, Carta ao Futuro, 1957

quarta-feira, julho 01, 2009

Fantástico

Marco histórico no Twitter em português: 28 de Junho de 2009 - Pedro Tochas promove a Primeira Manifestação organizada via Twitter em Portugal.

Todos os detalhes do evento aqui.

terça-feira, junho 30, 2009

DesconcertArte



Paul Gauguin, In the Waves, 1889

sexta-feira, junho 26, 2009

Palavras

Adorno.

Adjectivando,
ele contornava a realidade a vermelho
Em circunferências magistrais.
Como se o advérbio
para esse fim
não bastasse.

Era um esteta da verossimilhança banal,
que, da circunscrição do adorno
erigia uma retórica obsessional,
de interesse circunscrito,
uma filosofia do ornamento
eminentemente pessoal.

Quando ele traçava a perna,
as palavras, mesmo se soezes,
travestiam-se - há muito -
de restícios de verdade instantânea.

Ele lia
quando ela chegou.
Coisas de contabilidade, dizia
e estatística
corpo de ciência de que se faz o estado.
Era importante, esse dia.

Havia ganho
o prémio da mediocridade, feito de quem lambe as botas certas.
Não era surpresa, contudo
Desde pequeno que ouvia elogios
da sua língua -
prodígio de musculatura faladora.

Gravava verdades em caminho obscuro
sem traçado, ou parcamente indicado.
Para estar sempre à altura do que acontecia.

Naquele dia,
era pessoa de circular felicidade:
Coreógrafo da banalidade,
Premiado esteta do adorno,
finalista que dominava contabilidade -
estava pronto, enfim,
para ganhar eleições
numa qualquer edilidade.

Como sempre, genial. em http://starjamming.blogspot.com/

Verdes Anos

O Romance da Raposa, de Aquilino Ribeiro, RTP (1988)

quinta-feira, junho 25, 2009

Carpe Diem


Morreu o Rei...




Amado por muitos. Odiado por muitos mais. Acabou de ser noticiada a morte de Michael Jackson, depois de ter sido encontrado em casa sem respirar. Para a história ficarão as polémicas e a loucura, mas também a irreverência e a grandeza de "Thriller" e “Bad”. Genial.


No Twitter alguém pergunta quando será encontrada a caixa negra...

sexta-feira, junho 12, 2009

O Cerne da Questão


A fome e a pobreza num mundo globalizado...

"Chicken a la Carte", uma curta-metragem de Ferdinand Dimadura (2005), que dá que pensar... E de que maneira!!!

domingo, junho 07, 2009

Fantástico



O "novo" Magalhães

Uma inovadora estratégia de "fuga para a frente" face à crise no artesanato português.

sexta-feira, junho 05, 2009

Carpe Diem



Feira das Tradições 2009 (clique para aumentar)

quinta-feira, junho 04, 2009

terça-feira, junho 02, 2009

Fantástico

Mais um sketch d'Os Contemporâneos absolutamente obrigatório. "Charles Darwin e o Elo Perdido" é uma reportagem para devorar segundo a segundo. Inteligente, mordaz e muito, muito divertida.

Lamentável

Pérolas da música portuguesa...


Júlio Miguel e Lêninha - O Filho do Recluso


Élvio Santiago - Vou-te Excluir do Meu Orkut

Verdes Anos

O Homem Elástico

quarta-feira, maio 27, 2009

"DesconcertArte"



Velazquez, Las Meninas
Directo à Questão

O rastilho de pólvora da Bela Vista ou uma reflexão sobre o Estado Social

Os recentes acontecimentos no Bairro da Bela Vista, em Setúbal, trouxeram (uma vez mais) à baila as delicadas questões da insegurança e do medo na sociedade portuguesa em geral e, em particular, nos problemáticos bairros sociais das nossas cidades. E, acima de tudo, voltam a pôr-nos a pensar na valia das políticas sociais dos últimos anos no nosso país, que conduziram à proliferação de bairros em zonas sub-urbanas que hoje são, indiscutivelmente, focos de pobreza e de exclusão social, precisamente os problemas que pretendiam combater à data da sua criação.

Similares, mas não propriamente comparáveis, os incidentes em França e na Grécia, num passado não muito longínquo, chocaram o mundo e fazem antever que este fenómeno se torne cada vez mais comum nas nossas cidades. Estaremos preparados para estes focos de violência que, apesar de localizados, parecem tão difíceis de controlar? Será de considerar a hipótese de alastramento e generalização deste tipo de distúrbios a outras cidades e zonas urbanas com problemas idênticos? Poderemos falar em verdadeiros guetos, barris de pólvora prestes a explodir, particularmente no contexto actual de turbulência económica e de crise global? Estarão as forças de segurança devidamente equipadas e preparadas para este tipo de violência?

Muitas questões. Decerto demasiadas questões. Existirão respostas? Fáceis não há nenhuma de certeza. A resposta mais facilitista será, naturalmente, culpar a sociedade como um todo. Mas podemos decerto ir mais fundo. Tanta é a responsabilidade das sucessivas políticas e estratégias sociais que, ao longo dos anos, não foram capazes de antever cenários como o actual.

Vejamos os factos. São três os núcleos da Bela Vista, em Setúbal, com uma população total de 3920 habitantes. O chamado “Bairro Azul” é o mais diversificado, com 48% de portugueses, 31% de africanos, 18% de ciganos e 3% de timorenses. A taxa de desemprego no Bairro da Bela Vista ronda os 29%, mais do triplo de média nacional. Mais de 20% dos moradores recebe Rendimento Social de Inserção. A média das rendas mensais pagas no Bairro é de cerca de 6€. Cerca de um quarto dos moradores não concluiu sequer o primeiro ciclo do Ensino Básico. Existem grupos organizados rivais, existem gangs armados, existe tráfico de droga.

São factos. Valem o que valem. Mas não deixam de denunciar uma mistura explosiva. É este o resultado de anos de políticas sociais assentes no assistencialismo e na subsidio-dependência. O resultado de anos sem uma política de imigração eficiente e sem a integração social dos descendentes daqueles que foram chegando aos centros urbanos por via dos fluxos migratórios. O Bairro da Bela Vista, como outros, nunca devia, pura e simplesmente, ter existido.

terça-feira, maio 26, 2009

Lamentável

Manuela Moura Guedes versus Marinho Pinto, TVI, 2009/05/22

segunda-feira, maio 25, 2009

Ecos do Pensamento




"Porquê, para quê e, a mais importante, para quem, são as três perguntas fundamentais que deveríamos fazer (...) quase a propósito de tudo o que ocorre".

José Saramago

quarta-feira, maio 20, 2009

Ver TV

Parabéns Nuno Lopes, vencedor do Globo de Ouro 2009 para melhor interpretação masculina em cinema!!!

Aqui fica um exemplo do enorme talento deste actor...


Lamentável

Aconteceu (mesmo!) na Escola Básica 2, 3 Sá Couto, em Espinho.

quinta-feira, maio 14, 2009

Cinemacção

Os 50 melhores monólogos de sempre do cinema

A lista merece ser devorada. Todos os vídeos que fazem parte da história do cinema podem (e devem) ser vistos aqui.

Silent Magic Words

Ave Maria, de Schubert, by Pavarotti

Ave Maria, gratia plena
Dominus tecum
Benedicta tu in mulieribus
Et benedictus fructus ventris tui Jesus.
Sancta Maria, Mater Dei,
Ora pro nobis peccatoribus
Nunc et in hora mortis nostrae
Amen.

segunda-feira, maio 11, 2009

Fantástico

Ainda Roma...

Hino à Alegria nos jardins da Galeria Borghese, em Roma.

Outros vídeos pessoais de Roma... E não só!!! Em http://www.youtube.com/denunes80/

Verdes Anos

A Formiga Atómica

sexta-feira, maio 08, 2009

Directo à Questão

Hipocondria, a Doença de Todas as Doenças


Todos conhecemos alguém que está sempre a falar em doenças ou que sente que está sempre doente ou ainda que acha que sabe tudo de medicamentos ou até mesmo alguém que se acha mais médico do que os médicos.
A hipocondria começa com um enorme medo da morte e é uma das doenças mais delicadas do mundo contemporâneo. Nesta perturbação psicológica, o indivíduo, embora saudável, está convencido, de forma obsessiva, que tem uma doença grave
Vimos, numa das nossas últimas reflexões, que a resposta ansiosa é uma resposta normal, funcional e até adaptativa. Lembremo-nos de que ansiedade ocorre sempre que o nosso cérebro interpreta uma situação como ameaçadora. É a resposta ansiosa que mobiliza para a acção, logo é a ansiedade que desencadeia as respostas emocionais, como o medo ou a raiva, fazendo-nos agir perante a ameaça.
A hipocondria é uma doença ligada à interpretação errónea de estímulos considerados ameaçadores para o indivíduo. Trata-se de uma perturbação em que o indivíduo, embora saudável, está preocupado, tem medo ou está convencido, de forma angustiante e obsessiva que tem uma doença grave, tendo por base uma interpretação errada de sintomas físicos.
Enquanto doença, a hipocondria tem critérios de diagnóstico bem definidos. O hipocondríaco é aquele que manifesta uma preocupação com o medo de ter, ou crença de que tem, uma doença grave. Esta preocupação persiste por um período superior a meio ano, apesar de adequada avaliação e tranquilização médicas, e não é explicada por outras doenças psicológicas.
Também já aqui dissemos que o limiar entre o normal e o patológico é uma fronteira muito ténue. É por isso que, lá por ter alguns destes sintomas associados à hipocondria, não significa que se seja hipocondríaco. Apenas quando aqueles sintomas interferem de tal forma no quotidiano do indivíduo, que afectam o seu bem-estar, é que podemos falar em doença.
Habitualmente estes doentes consultam o médico por outros motivos que não a hipocondria. Na maior parte das vezes, para fazer análises e exames que sirvam de tranquilizadores. Mas, nestes casos, quando os exames indicam que a pessoa não sofre de nenhuma doença, a culpa é sempre do técnico ou da máquina, não servindo para tranquilização e chegando mesmo a conduzir a novas visitas ao médico para tentar desconfirmar os resultados.
Outro dos motivos que levam os hipocondríacos ao médico são os ataques de pânico, ou seja, picos de ansiedade associados à ideia de que se está prestes a morrer. Nestas situações, o mais habitual até é mesmo o doente levar um sermão do médico, porque fica a sensação de que veio a um serviço de urgência sem ter qualquer doença, muitas vezes por falta de reconhecimento do problema ou mesmo pela interpretação errada dos sintomas.
Calcula-se que a prevalência da hipocondria nas consultas de clínica geral se situe entre os quatro e os nove por cento, sendo que pode surgir em qualquer idade, mas o seu aparecimento é mais frequente no início da idade adulta. A evolução da doença é geralmente crónica, com sintomas flutuantes, registando-se algumas vezes remissão completa.
Embora não exista tratamento farmacológico específico para a perturbação de hipocondria, na maior parte das vezes o recurso a psico-fármacos aliado à terapia psicológica ajude a ultrapassar a doença.

Esta e outras questões. Aqui.

terça-feira, maio 05, 2009

Carpe Diem


Roma… Primeiro estranha-se… Depois entranha-se…

Quis o destino – e a presença de pessoas fantásticas na minha vida – que eu visitasse duas das mais carismáticas capitais europeias no último mês. Depois da luz e da magia de Madrid, eis-me chegado da visita a uma singular cidade de um dos mais singulares países da velha Europa.


Ao contrário de Madrid, Roma é uma cidade estranha, sombria. Marcada pelo caótico trânsito e pelo modus vivendi ao belo estilo latino, já se sabia que a capital italiana constitui um verdadeiro hino à história e à arte no seu máximo esplendor. O que custa algo a encaixar é a estranha mistura de cheiros, a manifesta falta de civismo das gentes ou o acumular de graffitis nos mais emblemáticos monumentos, mesmo que este seja o nome dado às inscrições feitas em paredes desde o Império Romano.


Mas isso passa. Porque o turbilhão de emoções da Piazza Navona, o meu local favorito de Roma, é uma das mais profundas demonstrações do que é a vida de rua de uma metrópole. Porque o suculento queijo, a deliciosa pizza ou a picante pasta soam a tudo menos a uma penosa dieta. Porque os imponentes frescos da Capela Sistina ou a majestosa Praça de S. Pedro, no Vaticano, não conseguem mesmo deixar ninguém indiferente. Porque o Coliseu, o Fórum Romano ou a Fonte de Trevi são efectivamente das mais belas maravilhas do mundo.

E sobra sempre tempo para tomar um chá na companhia das mais belas borboletas da natureza, numa invulgar, mas “molto bella” exposição descoberta na Galleria Borghese.

Mais aqui.

quarta-feira, abril 29, 2009

Carpe Diem

Triste Efeméride



Faz hoje dois anos... O caminho faz-se caminhando...

Porque o mundo é feito de ironias...

segunda-feira, abril 27, 2009

Lusos Encantos

Troia Resort... O clip promocional é da Sonae e merece ser visto no link abaixo:

http://www.arqui300.com/movies/flash/flvsonae.swf

sexta-feira, abril 24, 2009

Lusa Atenas... Sempre...



Cartaz Queima das Fitas de Coimbra 2009

[Clique para aumentar]
Do Arco da Velha

“De que forma vai comemorar os 35 anos do 25 de Abril?”


1)Resposta turístico-revolucionária: “Estou a pensar ir até Cuba”

2)Resposta a luta continua: “Vou à guerra das almofadas na Praça da República, em Coimbra”

3)Resposta horizontal: “Vou passar o dia na cama a dormir”.

4)Resposta sempre a marchar: “Marchando pela avenida de liberdade!”

5)Resposta carnavalesca: “Vou comemorar o 25 de Abril tomando cachaça com lima nééé. E cantando Éé Meu amigo Charlee Brown”.

6)Resposta consumista: “Talvez vá ás compras”.

7)Resposta rica em fibras: “A vegetar no sofá”.

8)Resposta mete-te com o Sócrates que apanhas: “Vou comemorar de forma discreta e ordeira, sem grandes palavras de ordem… não quero ser processado".

9)Resposta desportivo-fascista: “A gritar ‘Viva Salazar!’ e a fugir de comunas. Os comunistas são muitos e correm bem”.

10)Resposta preguiçosa: “A liberdade do 25 de Abril deu-me liberdade de não fazer nada...”

11)Resposta pai babado: “A dar um concerto e a ser pai”.

12)Resposta voluntariosa: “A fazer voluntariado”.

13)Resposta mirone: “Vou ver as pessoas a saírem em família e a piquenicar na Alameda”

14)Resposta bolivariana: “Dormir até 26 de Abril e acordar em plena Venezuela”

15)Resposta de craveira revolucionária: “A cortar caules de cravos vermelhos e a enterrá-los na terra, para ver se pegam”.

16)Resposta fraterna: “A comer um belo arroz de marisco na vivenda burguesa da minha irmã e a celebrar o aniversário dela”.

17)Resposta oficial: “Comemoro em Santarém porque o Coro da Assembleia da República vai lá cantar”.

18)Resposta politicamente correcta: “Reflectir sobre o estado da nossa democracia e participar num jantar comemorativo da data”.

19)Resposta desmancha-prazeres: “Chateia-me que o 25 de Abril calhe ao Sábado”.

20)Resposta saudosista: “Vou à inauguração do Largo Oliveira Salazar em Santa Comba Dão”.

21)Resposta dupla liberdade: “Eu vou comemorar duplamente com o Dia da Libertação Italiano”.

22)Resposta com timing: “Vou-me pôr aos pinchos em cima da cama, a abrir e a fechar o roupão, como se estivesse a vender relógios à minha mulher”.

23)Resposta sem papas na língua: “A pensar como refazer o 25 de Abril de uma forma mais justa e solidária, sem a porcaria dos políticos que temos agora”.

24) Resposta libertina: “No dia 25 vou enterrar a minha ditadura na liberdade da minha mulher!”

Daniel Luís

quinta-feira, abril 23, 2009

Directo à Questão

Desporto, Gestão e Desenvolvimento


O Desporto tem, indiscutivelmente, um papel decisivo no desenvolvimento pessoal e social, no desenvolvimento de capacidades e de competências de vida e no desenvolvimento moral dos indivíduos.
Historicamente, a filosofia e os valores da Educação Física e do Desporto sempre sublinharam mais do que o mero domínio das habilidades desportivas e de desenvolvimento físico: falamos aqui de todo o conjunto de skills ou competências pessoais e sociais ligadas ao próprio sistema de valores e de crenças, à educação cívica e ética, à cultura nacional e organizacional, enfim, competências de vida em sociedade que extravasam amplamente os muros do Desporto e da actividade física.
Mais do que o aperfeiçoamento físico, a melhoria do bem-estar e da saúde e a adopção de estilos de vida saudáveis, o que já não seria pouco, a educação desportiva engloba ainda a educação social e a educação para a cidadania e os Direitos Humanos.
De entre os valores transmitidos pelo Desporto destacamos, naturalmente, o humanismo, a liberdade, a honestidade, a amizade, a paz, o espírito de superação, a disciplina, a convivência social, a cooperação, a tolerância, a fraternidade, a não discriminação, o respeito e a compreensão mútuas.
Do ponto de vista individual, a prática desportiva alicerça-se nos valores da auto-confiança, da auto-realização, do auto-conhecimento, da valorização do esforço, da perseverança, do auto-aperfeiçoamento e da harmonia pessoal.
Interessa-nos aqui enfatizar a dimensão de transferibilidade da Educação Desportiva, ou seja, o desejo de que todos estes valores se possam transferir para as demais esferas da vida humana.
O Desporto é, pois, um meio privilegiado de educação para a cidadania e de transmissão de valores e de atitudes - um palco social por excelência.
E, ao falarmos da aproximação das comunidades, da aceitação da diversidade, da promoção do respeito pelos direitos dos outros, do desenvolvimento do sentido de justiça, falamos ainda no decisivo papel do Desporto enquanto factor de inclusão social.
Assim, o Desporto deve ser encarado como um fenómeno social total, constituindo-se como um instrumento de desenvolvimento nacional e local, mas também e sobretudo, um instrumento de desenvolvimento social.
Deste modo, a chamada “Economia do Desporto” tem vindo a assumir uma importância crescente no quotidiano individual e social e a consolidar o seu espaço no contexto actual.
Enquadrado na denominada “indústria do lazer”, o Desporto é responsável por uma parcela significativa das despesas de consumo das populações, constituindo-se como uma verdadeira actividade económica, com impacto não apenas económico-financeiro, mas também social, ambiental e cultural.
Neste contexto, o Desporto passa necessariamente a englobar conceitos ligados à Gestão. É inegável a importância da gestão de equipamentos desportivos, da Gestão da Qualidade aplicada ao Desporto, do Marketing e da Gestão de Marcas Desportivas ou da Gestão Financeira e Contabilística dos projectos desportivos. Mas são particularmente de destacar aqui os aspectos ligados à Gestão das Pessoas, como a liderança, a motivação, o comprometimento, a cultura ou a coesão.
Hoje, mais do que nunca, apenas pessoas motivadas, mobilizadas para a mudança, líderes carismáticos, são capazes de gerir emoções e conduzir ao sucesso. Porque o Desporto é uma das mais sublimes formas de manifestação do ser humano enquanto pessoa, só uma verdadeira Gestão dos Afectos consegue ser eficiente numa área tão complexa como a prática desportiva.

Vá Directo à Questão.
Aqui. E aqui.

quinta-feira, abril 16, 2009

Do Arco da Velha



Hitler e o Twitter em Portugal

A minha página pessoal do Twitter em http://twitter.com/denunes80/

segunda-feira, abril 13, 2009

Carpe Diem

O Verdadeiro Império dos Sentidos

Chamam-lhe a Nova Iorque europeia. Eu chamar-lhe-ia a capital de todas as emoções. Arte e prazer combinam-se excepcionalmente numa cidade repleta de luz e de sentimento. Cosmopolita mas familiar. Uma tentação em cada esquina. Assim é Madrid.

A oferta dos museus é irrecusável: Guernica, a obra-prima de Picasso, merece cada segundo de contemplação, no Rainha Sofia. A Porta do Sol (mesmo num dia de chuva) irradia claridade: a Plaza Mayor e os Jardins do Palácio Real completam a magia, iluminado sobre o visitante. Os bares de tapas, cafés e irresistíveis restaurantes são um deleite para os sentidos: só no Passeio do Prado uma cerveja e umas azeitonas me saberiam tão deliciosamente. As rotas de El Greco e de Velásquez convivem maravilhosamente com a modernidade dos arranha-céus nas “Portas da Europa”: no contexto de uma peculiar arquitectura dos anos 20 particularmente cuidada, Madrid parece ter sido tirada directamente de um conto de fadas.

Poucas cidades me acolheram assim. Gostei de partilhar estes momentos convosco.


Estação de Atocha, Madrid, 11 de Abril de 2009.

sexta-feira, abril 10, 2009

Carpe Diem

Numa visita relâmpago a Madrid, irremediavelmente cansado, mas incrivelmente feliz...

Estoy bien y recomiendo vivamente esta ciudad!

Hasta breve!!!

terça-feira, abril 07, 2009

segunda-feira, abril 06, 2009

Vida



Um verdadeiro hino à multiculturalidade.

http://www.wherethehellismatt.com/

Ecos do Pensamento



"Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar"

Friedrich Nietzsche

https://twitter.com/denunes80

quarta-feira, abril 01, 2009

Fantástico

Bruno Aleixo à conversa com Nuno Markl, n'Os Incorrigíveis

terça-feira, março 31, 2009

Verdes Anos

A Corrida Mais Louca do Mundo

quarta-feira, março 25, 2009

Carpe Diem





A 25 de Março de 1957, há 52 anos, a Alemanha Ocidental, a Bélgica, a França, a Holanda, a Itália e o Luxemburgo assinavam o Tratado de Roma, instituindo a Comunidade Económica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia da Energia Atómica (Euratom).

Era o início da Europa como a conhecemos actualmente.
Directo à Questão

O Trabalho de Elvira Fortunato ou um Retrato da Investigação em Portugal

Elvira Fortunato é portuguesa. É investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Dirige o Centro de Investigação de Materiais (Cenimat). E venceu, no ano passado, o primeiro prémio do European Research Council na área das Engenharias e Ciências Físicas, no valor de 2 milhões e 250 mil euros.
No entanto, a grande maioria dos portugueses não conhece esta distinta personalidade lusa.
Elvira Fortunato é uma das cinco melhores investigadoras em electrónica transparente a nível mundial e já ultrapassou Cristiano Ronaldo na lista de portugueses mais citados na Internet. A sua vitória no European Research Council transportou-a rapidamente para as primeiras páginas de vários jornais e revistas especializadas.
Então quem é esta brilhante investigadora da Universidade Nova de Lisboa?
O trabalho na área dos transístores garantiu a Elvira Fortunato um papel de destaque no cenário das Tecnologias da Informação e da Comunicação. Elvira Fortunato integra uma equipa que conseguiu tornar o papel parte integrante de um transístor usando-o como isolante, em vez do tradicional silício, um projecto designado por "Invisible". Estes desenvolvimentos podem ser usados no campo da electrónica descartável, em ecrãs, etiquetas e pacotes inteligentes ou aplicações médicas na área dos bio-sensores. A mesma equipa desenvolveu com a Samsung uma nova geração de ecrãs planos transparentes baseada na descoberta de um novo material semicondutor para os transístores constituído por óxidos, como o óxido de zinco.
Elvira Fortunato tem em mãos, basicamente, uma das mais cobiçadas patentes a nível mundial, a patente dos transístores em papel, que pode revolucionar tanto a electrónica como o paradigma das publicações em papel, possibilitando, por exemplo, a concepção de jornais e revistas com imagens em movimento. Contudo, como noticiou recentemente o Jornal Público, a indústria portuguesa ou radicada em Portugal nunca se mostrou verdadeiramente interessada nos seus projectos.
A homenagem que a Assembleia da República prestou a Elvira Fortunato, no passado dia 13 de Março, com um voto de congratulação aprovado por unanimidade, trouxe para a opinião pública esta lamentável situação que envolve a ciência e a tecnologia concebidas em Portugal. No dia da homenagem, a investigadora não escondeu a sua decepção face ao país de onde tem resistido sair. Disse, na altura: “Portugal é muito grande, os portugueses é que são pequeninos”.
Elvira Fortunato, na entrevista ao Público, não escondeu o seu desejo de que a descoberta de que é protagonista – e que pode revolucionar todo o cenário na área das Tecnologias da Informação e da Comunicação - fosse rentabilizada por um consórcio de indústria portuguesa. Mas quando procurou papeleiras portuguesas para parceiras na investigação, viraram-lhe as costas. A parceria foi para a brasileira Suzano. Recebeu grandes ofertas de multinacionais mas acabou por ser a Universidade Nova de Lisboa que pegou no projecto, mantendo para já a inteligência em Portugal.
Mas até quando será possível reter este “know-how” no nosso país? A persistência e a resistência da investigadora em sair de Portugal devem ser realçados. Mas o cenário vivido por Elvira Fortunato e pela sua equipa de investigação não é mais do que um Retrato da forma como Portugal gere os seus melhores cérebros. Basta pensar no exemplo de António Damásio, um dos investigadores mais estudados em todo o mundo, que nunca encontrou em Portugal as condições para o desenvolvimento da sua actividade.

Vá Directo à Questão. Aqui.

terça-feira, março 17, 2009

E o Paraíso Aqui Tão Perto...




Por do sol no Picoto Raínho...

quarta-feira, março 11, 2009

Do Arco da Velha

Sit-down Comedy, ontem no Twitter.

Decorreu ontem, depois das 22h30, 1º Espectáculo de sit-down comedy do Twitter. O evento consistia em fazer humor com pequenas frases de 140 caracteres. Aberto a amadores e afins, a noite teve tanto de desorganização como de boa disposição.

A vencedora do Espectáculo (que só perto do final da festa começou a ter algo de espectacular) foi, por unanimidade, a Cat Walking Catarina. A sua obra pode ser (re)visitada num passeio pelo seu brilhante blogue, que tive todo o prazer em descobrir e que partilho convosco aqui. Foi o ponto alto da noite.

domingo, março 08, 2009

Vida

Não Posso Adiar

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração.

António Ramos Rosa
Delicioso


quinta-feira, março 05, 2009

Do Arco da Velha

Ainda o 19.º Aniversário do Jornal Público

O escritor António Lobo Antunes dirigiu a edição de hoje do Público. Aqui o seu Editorial:

Os jornais & eu
"Em criança (e em adolescente, e em adulto) não havia jornais na minha casa mas havia jornais nas casas da minha família. Na do meu avô paterno lembro-me do Debate, monárquico, impossível de ler porque estava sempre dobrado e com a cinta posta. Na do meu tio Elói, aí sim, abertos, os semanários da sua terra, o Ecos de Pombal e o Notícias de Pombal.
Na secção necrológica do Ecos li uma ocasião uma notícia que começava assim: faleceu oportunamente no Brasil o senhor Fulano de Tal, tio do nosso estimado amigo Não Sei Quê Não Sei Quê. Na do meu outro avô, em Nelas, era o Diário de Notícias, que chegava no comboio da meia-noite e trazíamos, de bicicleta, da estação. O meu outro avô, de casaco de linho branco, passava horas a lê-lo na varanda para a serra. Depois do casaco de linho morrer a minha avó substituiu o Diário de Notícias pelo Almanaque da Sãozinha, cheio dos milagres da dita, relatados por crentes agradecidos. Num desses prodígios uma senhora contava que, de pobre que era, olhava em lágrimas as panelas vazias do almoço. Veio-lhe a Sãozinha à ideia, rezou com empenho, entrou-lhe de imediato uma lebre pela cozinha dentro, fechou a cozinha, matou a lebre à paulada e regalou-se a comer prodígio divino de cabidela. Confesso que esta dádiva da Sãozinha me fez um bocado de impressão, ao imaginar o assassinato do bicho. Até ao fim da sua vida a pagela da santa dos roedores ocupou um lugar importante no oratório da minha avó: uma adolescente de aspecto virtuoso, cheia de medalhas, que ofereceu a sua existência terrena em troca da conversão dos pais. Jesus fez-lhe a vontade arrebatando-a, estou a citar, ao nosso convívio, e os pais incréus descobriram o Altíssimo que, mesmo através da cabidela e do fricassé, se manifesta à gente, ou não mesmo, de preferência através da cabidela e do fricassé, misturando o Céu com o micro-ondas e os mandamentos com batatinhas salteadas.
Na ideia de entender o interesse do meu outro avô pelo Diário de Notícias comecei a folheá-lo, não era aos quadradinhos e portanto aborreceu-me. Troquei-o por pilhas antigas das Selecções do Reader's Digest em que achei nacos de prosa fascinantes: "Encontrei o Amor no Hospital Ortopédico", "Eu Sou o Testículo de João", "Ao Ficar Cega a Sua Existência Ganhou Sentido". Mais tarde A Bola e o Record, sobretudo A Bola onde trabalhavam grandes jornalistas (Carlos Pinhão, Aurélio Márcio, Vítor Serpa, as extraordinárias reportagens da Volta à França de Carlos Miranda que bem mereciam estar reunidas em livro e nada devem às de Antoine Blodin) e quando esta geração deixou de escrever eu fui deixando de ler. Ao PÚBLICO devo o ter começado a ensaiar prosinhas em forma de crónica, graças ao convite de Vicente Jorge Silva, que eu não conhecia e me convidou para o suplemento dos domingos, salvando-me, porque a editora, à época, não pagava, de vender Bordas de Água nas pastelarias ou arrumar automóveis na zona do Saldanha, a coçar a magreza com o debrum preto das unhas. Agora não leio jornais: vejo o teletexto, a única coisa, aliás, que vejo na televisão desde que o futebol deixou de ser um desporto, a política uma ocupação digna e a cultura se transformou em banalidades veementes, uma estrebaria de porta aberta em que toda a gente entra, como dizia D. Francisco Manuel de Melo, autor muito do meu afecto. Vejo as capas e as primeiras páginas no quiosque frente ao restaurantezito onde como e passo à frente. As prosinhas do PÚBLICO aparecem hoje na Visão, onde sempre me trataram com extrema delicadeza. Há pouco abri um exemplar e dei com umas tantas frases acerca de mim, estúpidas, desonestas e ignorantes: fiquei curado. É pena que os jornais, como a literatura, sejam uma estrebaria de porta aberta: devia ser reservada aos profissionais sérios, como os nomes de que há pouco falei, e que decerto existem. Conheço alguns. Estes parágrafos para o PÚBLICO são uma homenagem a esses nomes. O que me assusta é o facto de qualquer pessoa estar à mercê de criaturas medíocres, sem possibilidade de rectificar a pulhice. Faleceu oportunamente no Brasil: ao menos o Ecos de Pombal era sincero. A lebre para a esfomeada com fé: ao menos o Almanaque da Sãozinha dava esperança a quem almoça um carioca e um salgado ao balcão. Ao ficar cega a sua existência ganhou sentido: ao menos as Selecções do Reader's Digest animavam os que tropeçam. Se tornar a meter o olho entre páginas e receber sinceridade, esperança e sentido com certeza que lerei. E se o testículo de João for o testículo de António, então, juro, não perco uma sílaba. Desde miúdo que me dá vontade de abrir os brinquedos, a verificar como funcionam. E tenho um par de tais apêndices de que ignoro o mecanismo e nos quais suspeito (não estou seguro) que não existem parafusos nem roscas. Foram um presente dos meus pais e como quase tudo em mim continuam a ser um mistério. Devíamos vir com manual de instruções, como os electrodomésticos."
Carpe Diem

O Público está bem e recomenda-se...

A 5 de Março de 1990, surge, nas bancas, o primeiro número do jornal Público. A edição comemorativa dos 19 anos de vida de uma das publicações de referência nacionais é uma pérola a não perder, hoje, nas bancas.

terça-feira, março 03, 2009

Directo à Questão

Empresas Veículos Sociais por Excelência

Enquanto tal, as empresas necessitam de um propósito, a função objectivo da empresa, um desígnio abrangente que não se reduza à mera satisfação dos cliente e dos proprietários. Como afirma Henry Mintzberg, as empresas não podem sofrer do chamado “síndrome de glorificação do egoísmo”, que aquele autor define como o sacrifício da responsabilidade social em detrimento do valor para o accionista ou “shareholder”.
A responsabilidade social da empresa pode ser definida como a noção de que as empresas têm uma obrigação para com os grupos constituintes da sociedade. As organizações privadas, enquanto verdadeiros veículos sociais, devem justificar a sua existência com a sua contribuição para a sociedade. O que se pretende sublinhar com esta afirmação é que qualquer decisão da empresa tem impacto social, pelo que os critérios de distribuição da propriedade da empresa devem deslocar-se dos fenómenos de fornecimento passivo de capital ao accionista para o desempenho social e intelectual conducente a uma vantagem competitiva.
Neste contexto, a noção de “stakeholder” (ou agente social) assume particular relevância, na medida em que a empresa deve considerar nas suas políticas de gestão todos os grupos ou indivíduos que podem afectar ou são afectados pela realização dos objectivos da organização. Consequentemente, a empresa deve ser compreendida no seu meio envolvente, alargando a visão da gestão sobre o seu papel e responsabilidades, para além da sua função de maximização dos lucros para o detentor da propriedade ou do capital.
Esta noção de responsabilidade social da empresa ou a concepção daquela enquanto um veículo social não se encontra ainda enraizada nos proprietários da grande maioria das nossas empresas. Para além dos baixos níveis de qualificação quer de empresários quer de colaboradores, verifica-se uma reduzida preocupação com o impacto social da actividade da empresa em áreas tão diversificadas como o ambiente, a qualidade ou a solidariedade. Iniciativas ou actividades nestas áreas surgem apenas quando impostas legislativamente, de que constituem exemplo as certificações de qualidade, que quase nunca envolvem os trabalhadores e poucas vezes partem de iniciativa autónoma dos empresários.
A tudo isto associa-se ainda uma fraca aposta nas Tecnologias de Informação e Comunicação (as famosas TIC) e nos processos de Inovação e Desenvolvimento, o que acentua a dificuldade destas empresas, nos seus moldes actuais, em entrarem na “sociedade do conhecimento”, tal como é definida por inúmeros gurus da gestão, como Peter Drucker.
As empresas nacionais continuam, pois, longe de reconhecer aspecto fundamental desempenhado pela responsabilidade social num mercado exigente como o actual. Neste contexto de hipercompetitividade e de crise económico-financeira à escala global, ser socialmente responsável é, mais do que nunca, condição de sucesso e de conquista de mercado.

Vá Directo à Questão. Aqui.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

E o Paraíso Aqui Tão Perto...



Margens da Ribeira da Sertã num agradável fim de tarde de Fevereiro...

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Carpe Diem



"Vida breve teve Cesário Verde. Nasceu em Lisboa em 25 de Fevereiro de 1855, morreu em Lisboa a 19 de Julho de 1886. Tinha 31 anos, idade absurda para morrer com uma tuberculose. Eu, que não aprecio poetas com obra extensa com a provável excepção de Shakespeare e poucos mais, tudo génios, aprecio em Cesário a modernidade urgente da sua poesia, que cabe toda em 166 páginas (reedição da Dom Quixote, com fixação de texto e nota introdutória de Joel Serrão e revisão e notas de Jorge Serrão). Cesário Verde pode ter morrido cedo, pode ter sido esquecido, pode ter sido uma das vítimas da sombra pessoana projectada sobre quase toda a poesia portuguesa posterior. Continua a ser um dos maiores poetas da língua portuguesa e, passe a hipérbole, da literatura europeia, mundial, o que quiserem. Cesário Verde é mais conhecido por causa do seu «Sentimento de um Ocidental», que a vulgata adoptou como tema e transfiguração de uma Lisboa de fim de século. Hoje, este poema é mais o seu nome, citado a propósito de tudo e de nada, do que os seus versos, que quase ninguém leu. Deve-se a Joel Serrão a publicação em 1963 (por que é que em Portugal tudo demora tanto tempo?) da «Obra Completa» de Cesário Verde. Antes, «em 1919, um incêndio destrói quase por completo a casa de Linda-a-Pastora (onde o poeta vivera isolado nos últimos anos), fazendo desaparecer irremediavelmente todo o seu espólio literário». Em 1887, com uma tiragem de 200 exemplares, foi publicado pela primeira vez «O Livro de Cesário Verde», numa edição do seu amigo Silva Pinto, tendo uma nova edição, já com distribuição nas livrarias, sido feita em 1901. Escreve Joel Serrão que o amigo do poeta, e admirador, Henrique Lopes de Mendonça, lhe vaticinou sombrio futuro na história da literatura: «A tua obra pequena e dispersa não é daquelas que se impõe à admiração condicional da posteridade». A posteridade é o que é, sendo às vezes cega, surda e muda mas, no caso de Cesário Verde, alguma justiça viria a ser prestada pelos que entendem de poesia. Existe quem jure, Vasco Graça Moura entre eles, que a poesia de Cesário é superior à de Pessoa. Eu, que detesto campeonatos de poetas, tenho por Cesário uma paixão, que agrafei à perfeição dos seus versos. Cesário é mais um poeta do século XX do que do século onde nasceu, e a sua linguagem, estilo, métrica, vocabulário, a concisão dos seus «alexandrinos originais e exactos», como ele diz, sagram-no como um dos inventores do português que usamos. Maria Filomena Mónica, na notável biografia que escreveu de Eça de Queiroz, chega a uma conclusão semelhante. Se Eça libertou a prosa portuguesa da «retórica fradesca» que a dominava, Cesário libertou a língua das amarras do lirismo piegas e do sentimento exaltado, das teias de aranha do ideal parnasiano e do romantismo rendilhado. Maria Filomena Mónica diz que nenhum autor inovou como Eça, «com a possível excepção de Cesário Verde». Eu tiraria o adjectivo «possível»."

Clara Ferreira Alves, Jornal EXPRESSO, 19-5-2001


Assinalam-se hoje 154 anos sobre o nascimento de um dos maiores poetas da história da literatura portuguesa. Não é um pintor, é Cesário Verde quem antecipa o impressionismo em Portugal, no final do Século XIX. O seu poema De Tarde apresenta-se ao leitor como uma verdadeira tela de Renoir:

Naquele “pic-nic” de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão de bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, indo o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos
E pão de ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

Cesário Verde

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Carpe Diem



A 23 de Fevereiro de 1987, faz hoje 22 anos, morre, em Setúbal, o compositor português de música de intervenção, José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, mais conhecido por Zeca Afonso.

Traz outro amigo também

Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

Zeca Afonso