segunda-feira, outubro 30, 2006

Globalização e Conhecimento (I):
Sobre a inovação e o empreendedorismo


Vivemos num tempo de transições. A expressão não é nova e identifica grande parte das macro-mudanças que vive actualmente o mundo económico. Neste tempo de transições, assiste-se à emergência da Economia Baseada no Conhecimento (EBC), caracterizada por elevados níveis de instrução da mão-de-obra, alta qualidade dos sistemas de ensino e prolongada esperança média de vida da população, ou seja, pela valorização do capital humano das organizações.
Face a este contexto, a inovação surge enquanto elemento central da EBC. Trata-se de um conceito abrangente e que pode assumir várias modalidades de acção, caracterizado essencialmente pela introdução de alterações estratégicas em produtos ou processos. Concordamos com Joseph Schumpeter, ele próprio um verdadeiro inovador que, já no início do século XX, defendia que a característica básica do Capitalismo é a ruptura do estado rotineiro e estacionário de equilíbrio, num processo de desenvolvimento endógeno e auto-adaptativo, que denominou de destruição criadora. Assim, o equilíbrio surge não como um objectivo em si, antes como um meio, um instrumento tendo em vista a optimização de recursos. E, nesse processo dinâmico, surge a figura do empresário empreendedor (entrepreneur) enquanto agente anti-rotineiro capaz da inovação. Para tal, ele necessita de conhecimento, isto é, da recolha, organização e sistematização da informação relevante que lhe permita a adaptação bem sucedida da empresa às modificações ocorridas na sua envolvente.
A inovação é, assim, mais do que um conjunto de pequenas mudanças. Ela não será necessariamente criativa; poderá mais não ser do que uma inovação imitativa, adaptativa, incremental, ou seja, uma adaptação com êxito de algo já existente a um novo contexto. Inovar é, antes de mais, aproveitar uma oportunidade de mercado, antecipando a concorrência. Evidenciamos, assim, a necessidade que impende à organização de gerar vantagem competitiva de forma a aproveitar as oportunidades e ter capacidade de resposta atempada e eficaz a movimentos competitivos da concorrência. Portanto, embora a inovação possa simplesmente acontecer, de uma forma mais ou menos frequente, surge cada vez mais a necessidade de a posicionar no centro da estratégia empresarial.
É aqui que importa introduzir o conceito de valor acrescentado, enquanto dimensão intimamente associada à noção de inovação. De facto, uma inovação bem sucedida no mercado é origem da criação de valor, o que implica a capacidade de tirar proveito de cadeias produtivas flexíveis e cada vez mais organizadas a nível transnacional. Para que seja possível uma eficiente gestão da cadeia de valor, é necessário que o empreendedor possua a capacidade de maximizar e reter o valor acrescentado produzido. Fala-se, assim, em gestão do conhecimento porquanto nos referimos à actividade orientada para a estimulação e criação de condições de sucesso favoráveis à emergência de inovações bem sucedidas no mercado.
Contudo, o garante de inovação e progresso técnico depende ainda de um conjunto de factores de competitividade estrutural, que tornam o empresário e o mercado mais ou menos capazes de modernização e eficiência. Estamos, portanto, perante um leque alargado de condicionantes estruturais, de ordem social, institucional, científica e tecnológica, como são o sistema de ensino e formação, os níveis de Investigação & Desenvolvimento (I&DE) e o próprio Estado. Refira-se, inevitavelmente, o caso concreto da economia portuguesa, em que, para além da ausência de valor acrescentado dos produtos, existe todo um conjunto de problemas de índole estrutural que interferem directamente na competitividade, sobre os quais nos debruçaremos em particular nos momentos seguintes desta reflexão.

Lamentável...

quarta-feira, outubro 25, 2006

A luta contra a pobreza e a lição de Muhammad Yunus

Alguém afirmou um dia que um banqueiro é "aquele que nos empresta um guarda-chuva quando está sol e no-lo retira quando começa a chover". Ou seja: que um banco, regra geral, empresta facilmente a quem está bem/tem muito e consequentemente presta boas garantias, todavia penaliza com altas taxas e no limite não empresta mesmo nada a quem tem dificuldades e/ou não apresenta garantias.

Muhammad Yunus é a antítese deste conceito de banqueiro e por isso, enquanto fundador do Grameen Bank, é conhecido como o "banqueiro dos pobres", e o seu trabalho foi agora reconhecido pela Academia Sueca atribuindo-lhe o Prémio Nobel da Paz 2006.

Porquê o prémio Nobel da Paz para este economista?
A Paz, manter a Paz, evitar os conflitos, é o objectivo.
E que meios temos para garantir esse objectivo?
Um desses meios, reconhece agora a Academia, é a luta contra a pobreza e a exclusão, é a luta pelo desenvolvimento social, é a luta pelo desenvolvimento económico sustentável,... é a luta pela redução das desigualdades sociais.
E com que instrumentos?
O instrumento escolhido por M.Yunus foi o microcrédito. Dar crédito a quem é pobre e não tem garantias mas tem capacidade empreendedora. No fundo, seguir aquela máxima: "Ao pobre não dês o peixe, dá antes a cana e ensina a pescar". Milhares de pessoas pobres, sobretudo mulheres no Bangladesh, ultrapassaram a fase da dependência do "peixe" e conquistaram o seu sustento ( e igualmente importante a sua auto-estima), "pescando".
«O maior mérito de Yunus é o de ter persistido na convicção de que os pobres são capazes de empreender para construir um futuro melhor para si e para as suas familias», escreveu Jorge Wemans no Público de 14Out2006, acrescentando que outro grande mérito foi o de «ter formulado uma ideia simples e experimentar em pequena escala, recolher os ensinamentos, adaptar procedimentos, induzir para uma escala maior».

E nós, à nossa escala (regional/municipal), o que fazemos por esse objectivo? Que meios temos? Que instrumentos podemos utilizar?

«2015: Sem Desculpas! O mundo Deve Ser Melhor» é , como lembrou muito bem o Dr José Paulo Farinha no preâmbulo do Diagnóstico Social da Sertã, o lema da campanha promovida pela Cidades e Governos Locais Unidos e pelo Comité dos Municípios e Regiões da Europa. A nossa acção deve ser norteada por esse lema. Mas, para agir, com segurança, temos de fazer o prévio diagnóstico. Porque "não há nada mais inútil do que executar, com eficiência, aquilo que nunca deveria ser executado"(Peter Drucker).

Este Diagnóstico Social e a Agenda 21 Local do Município da Sertã, já concluidos, bem como o Estudo Demográfico a realizar, são peças que faltavam, e que constituem a base séria de trabalho para a partir da mesma, esperamos todos, se passar à acção. Se a aprendermos a "lição" de Yunus, encontraremos os meios e os instrumentos necessários.

Jorge Rodrigues Farinha
(Vereador da Câmara Municipal da Sertã)

terça-feira, outubro 24, 2006

terça-feira, outubro 17, 2006

Palavras de Vida Eterna

Vida e Cor

A floresta...
A vida...
A cor...
Não há beleza como esta
Tão sedutora e tão querida
Tão minha e tão nossa
Cheia de tanto amor...
Oxalá um dia possa
Vê-la como merece
Porque lá fundo não esquece
O que o mundo faz de mal.
Afinal,
Quem como ela
Sabe ouvir?
E escutar?
Fascinar?
Dessa forma tal
Deslumbrante...
Imperial...
Envolvida...
E, nesse instante
No momento encantador
Sublime encontro matinal
No enlevo da giesta
Vejo algo tão natural
Como a vida...
Como a cor...
A floresta.