quinta-feira, agosto 31, 2006

quarta-feira, agosto 30, 2006

A Droga DeVida

A pedido de muitas famílias (mas certamente não da minha) e depois de muita pressão para que não o fizesse (o que estimulou ainda mais o meu inconsciente acto), apresento seguidamente as várias denominações das mais conhecidas substâncias psico-activas, a.k.a. drogas. Peço encarecidamente aos leitores deste blogue que não seja questionada a fonte dos dados… pelo menos que não o façam sob o efeito de alguma das drogas apresentadas. Trata-se de um estudo exaustivo junto de fontes privilegiadas, depois de muitas passas estratégicas, as chamadas passas de investigação… Uma divulgação imprescindível, uma lista obrigatória em qualquer casa de bem… Oh yeahh…

Afetaminas, speed, cristal ou anfes.

Base livre ou freebase.

Canabinóides, chamon, charro, liamba, erva, chocolate, tablete, taco, curro ou ganza.

Cocaína, coca, branca, branquinha, gulosa, júlia, neve ou snow.

Crack, rock ou pedra.

Ecstasy ou pastilha.

Haxixe, hash, maconha, boi ou cânhamo.

Heroína, heroa, cavalo, cavalete, chnouk, castanha, H, pó, poeira, merda, açúcar, brown sugar, burra, gold, veneno, bomba ou black tar.
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Eis a música do milénio...

sábado, agosto 26, 2006

Delicioso...

Palavras de Vida Eterna

Sei de cor
Cada traço do teu rosto, do teu olhar,
Cada sombra da tua voz e cada silêncio,
Cada gesto que tu faças,
Meu amor sei-te de cor.

Sei cada capricho teu e o que não dizes
Ou preferes calar, deixa-me adivinhar,
Não digas que o louco sou eu
Se for tanto melhor,
Amor sei-te de cor.

Sei por que becos te escondes,
Sei ao pormenor o teu melhor e o pior,
Sei de ti mais do que queria...
Numa palavra diria
Sei-te de cor!

Paulo Gonzo

quinta-feira, agosto 24, 2006

terça-feira, agosto 22, 2006

segunda-feira, agosto 21, 2006

Palavras de Vida Eterna

A morte não é nada,
Só passei para o outro lado,
Eu sou eu, vós sois vós.
O que era para vós, continuo a ser.
Dai-me o nome que sempre me deste,
Falai-me como sempre o fizeste.
Não empregueis uma maneira diferente,
Não tomeis um ar triste.
Continuai a rir daquilo que nos fazia rir juntos,
Sorriam e pensem em mim.
Que o meu nome seja pronunciado em casa
Como sempre foi,
Sem exagero de coisa alguma.
A vida significa tudo o que sempre foi.
O fio não está cortado.
Porque estarei fora do vosso pensamento,
Simplesmente porque não me vedes?
Não estou longe,
Só estou do outro lado do caminho.

Charles Péguy

[Sempre contigo, Joaninha...]
A Administração Local em Portugal: Entre a capacidade de inovação e a resistência à mudança (II)

Como vimos, as autarquias, enquanto unidades político-administrativas relativamente autónomas das unidades públicas da Administração Central e de dimensão reduzida face a estas, constituem verdadeiras “rampas de lançamento” para a necessária inovação e mudança nas práticas públicas em Portugal. Contudo, existe todo um conjunto de fenómenos que toldam a Administração Local, impedindo esse processo de ruptura.
Antes de mais, importa assinalar a enorme percentagem de gastos com o pessoal na estrutura de custos das autarquias. Tendo em conta que as despesas de investimento se revestem de uma importância fulcral no desempenho das autarquias (afinal é, sobretudo, em função delas que a gestão municipal é avaliada no final de cada mandato eleitoral), um dos poucos elementos que possui margem de manobra na gestão de uma autarquia são precisamente os custos com pessoal. Perante o aumento das áreas de actuação dos municípios e a natural tendência de terceirização dos serviços por eles prestados, a redução das despesas correntes da autarquia passa pela natural flexibilização dos quadros de pessoal. Não esqueçamos, no entanto, que a maioria dos trabalhadores são também eleitores, pelo que existe, naturalmente, um conflito de interesses na gestão das despesas municipais ao nível dos custos com pessoal.
Como resultado directo desse aumento das competências das autarquias aos mais diversos níveis de actuação, assinale-se o crescente endividamento deste tipo de organizações. No panorama actual, a situação financeira de alguns municípios torna-se insustentável. Efectivamente preocupante a este nível é o facto de o Presidente da Câmara, quando julgado democraticamente, não ver o seu desempenho avaliado pela situação economico-financeira, mas antes pelo nível de investimento realizado em prol dos munícipes. A adopção de princípios de gestão autárquica torna-se ruinosa não existindo qualquer travão ao endividamento (ou sendo os que existem facilmente contornáveis) ou valorização efectiva do saneamento financeiro das contas públicas locais.
Contudo, um dos grandes problemas da administração autárquica, que entronca nos restantes, é a ausência de um trabalho de parceria efectivo com municípios vizinhos. De facto, parece-nos evidente que, em alternativa ao trabalho isolado (na lógica de “cada um no seu quintal”) característico da gestão municipal, a administração local só teria a ganhar com a existência de um maior e mais dinâmico intercâmbio entre entidades de referencial geo-estratégico comum.
De resto, parece-nos evidente que a grande lacuna deste tipo de organizações se encontra precisamente ao nível do planeamento estratégico. Não existem políticas integradas de gestão municipal, a estratégia encontra-se mal delineada em termos de objectivos gerais e específicos, as estruturas são propensas ao desenvolvimento de comportamentos de resistência à mudança e, inversamente, não existem estímulos à inovação e ao empreendedorismo. De resto, a inovação ou a assumpção do risco, quando existem, são sobretudo individuais, ou seja, partem de baixo para cima na estrutura hierárquica, que, pelas suas características de rigidez e divisionalismo, não propicia a existência de um impacto directo nos processos de gestão.
Finalmente, concordamos com Mintzberg quando afirma que as sociedades têm o serviço público correspondente às suas expectativas. Se as pessoas alimentam crenças de que o Estado é “pesado” e burocrático, então é assim que ele será. Pelo contrário, se reconhecerem o serviço público enquanto a causa nobre que efectivamente representa, então encontrarão um Estado forte e justo. E uma nação necessita sobretudo de que ambos os sectores, público e privado, sejam fortes, interagindo num saudável equilíbrio.
Puro Relax...

sexta-feira, agosto 18, 2006

Palavras de Vida Eterna

Balada da Neve

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza.
e cai no meu coração.

Augusto Gil

quinta-feira, agosto 17, 2006

Puro Relax...

A indústria dos incêndios

A evidência salta aos olhos: o país está a arder porque alguém quer que ele arda. Ou melhor, porque muita gente quer que ele arda. Há uma verdadeira indústria dos incêndios em Portugal. Há muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, da terra queimada.
Oficialmente, continua a correr a versão de que não há motivações económicas para a maioria dos incêndios. Oficialmente continua a ser dito que as ocorrências se devem a negligência ou ao simples prazer de ver o fogo. A maioria dos incendiários seriam pessoas mentalmente diminuídas. Mas a tragédia não acontece por acaso. Vejamos:
1 - Porque é que o combate aéreo aos incêndios em Portugal é TOTALMENTE concessionado a empresas privadas, ao contrário do que acontece noutros países europeus da orla mediterrânica? Porque é que os testemunhos populares sobre o início de incêndios em várias frentes imediatamente após a passagem de aeronaves continuam sem investigação após tantos anos de ocorrências? Porque é que o Estado tem 700 milhões de euros para comprar dois submarinos e não tem metade dessa verba para comprar uma dúzia de aviões Cannadair? Porque é que há pilotos da Força Aérea formados para combater incêndios e que passam o Verão desocupados nos quartéis? Porque é que as Forças Armadas encomendaram novos helicópteros sem estarem adaptados ao combate a incêndios? Pode o país dar-se a esse luxo?
2 - A maior parte da madeira usada pelas celuloses para produzir pasta de papel pode ser utilizada após a passagem do fogo sem grandes perdas de qualidade. No entanto, os madeireiros pagam um terço do valor aos produtores florestais. Quem ganha com o negócio? Há poucas semanas foi detido mais um madeireiro intermediário na Zona Centro, por suspeita de fogo posto. Estranhamente, as autoridades continuam a dizer que não há motivações económicas nos incêndios...
3 - Se as autoridades não conhecem casos, muitos jornalistas deste país, sobretudo os que se especializaram na área do ambiente, podem indicar terrenos onde se registaram incêndios há poucos anos e que já estão urbanizados ou em vias de o ser, contra o que diz a lei.
4 - À redacção da SIC e de outros órgãos de informação chegaram cartas e telefonemas anónimos do seguinte teor: "enquanto houver reservas de caça associativa e turística em Portugal, o país vai continuar a arder". Uma clara vingança de quem não quer pagar para caçar nestes espaços e pretende o regresso ao regime livre.
5 - Infelizmente, no Norte e Centro do país ainda continua a haver incêndios provocados para que nas primeiras chuvas os rebentos da vegetação sejam mais tenros e atractivos para os rebanhos. Os comandantes de bombeiros destas zonas conhecem bem esta realidade.
Há cerca de um ano e meio, o então ministro da Agricultura quis fazer um acordo com as direcções das três televisões generalistas em Portugal, no sentido de ser evitada a transmissão de muitas imagens de incêndios durante o Verão. O argumento era que, quanto mais fogo viam no ecrã, mais os incendiários se sentiam motivados a praticar o crime... Participei nessa reunião. Claro que o acordo não foi aceite, mas pessoalmente senti-me indignado. Como era possível que houvesse tantos cidadãos deste país a perder o rendimento da floresta - e até as habitações - e o poder político estivesse preocupado apenas com um aspecto perfeitamente marginal? Estranhamente, voltamos a ser confrontados com sugestões de responsáveis da administração pública no sentido de se evitar a exibição de imagens de todos os incêndios que assolam o país.
Há uma indústria dos incêndios em Portugal, cujos agentes não obedecem a uma organização comum mas têm o mesmo objectivo - destruir floresta porque beneficiam com este tipo de crime. Estranhamente, o Estado não faz o que poderia e deveria fazer:
1 - Assumir directamente o combate aéreo aos incêndios o mais rapidamente possível. Comprar os meios, suspendendo, se necessário, outros contratos de aquisição de equipamento militar.
2 - Distribuir as forças militares pela floresta, durante todo o Verão, em acções de vigilância permanente. (Pelo contrário, o que tem acontecido são acções pontuais de vigilância e combate às chamas).
3 - Alterar a moldura penal dos crimes de fogo posto, agravando substancialmente as penas, e investigar e punir efectivamente os infractores.
4 - Proibir rigorosamente todas as construções em zona ardida durante os anos previstos na lei.
5 - Incentivar a limpeza de matas, promovendo o valor dos resíduos, mato e lenha, criando centrais térmicas adaptadas ao uso deste tipo de combustível.
6 - E, é claro, continuar a apoiar as corporações de bombeiros por todos os meios. Com uma noção clara das causas da tragédia e com medidas simples mas eficazes, será possível acreditar que dentro de 20 anos a paisagem portuguesa ainda não será igual à do Norte de África. Se tudo continuar como está, as semelhanças físicas com Marrocos serão inevitáveis a breve prazo.

José Gomes Ferreira
Sub-director de Informação SIC
04-08-2005

quarta-feira, agosto 16, 2006

100 Comentários

A Administração Local em Portugal: Entre a capacidade de inovação e a resistência à mudança (I)

Como é defendido por Paulo Magro da Luz, da Partner Government & Health Care, Novabase Consulting, num artigo de opinião publicado em Suplemento do Diário Económico Digital de Setembro de 2005 subordinado ao tema Modernização da Administração Pública Portuguesa, “a necessidade de uma intervenção profunda na Administração do Estado que suporte transformações de Organização, Processos e Recursos Humanos para a tornar mais ágil, eficiente e compatível com os actuais níveis de exigência da sociedade e com as capacidades do País é hoje consensual”.
Reconhecido o importantíssimo poder do Estado, enquanto elemento regulador e decisório, a problemática da Administração Pública portuguesa reside essencialmente, nos desequilíbrios existentes, na ineficiência no cumprimento da “missão” pública, no latente défice de produtividade existente e na rigidez aos mais diversos níveis, sobretudo em termos de procedimentos e de afectação de recursos (humanos e financeiros). Temos um Estado que, basicamente, não cumpre eficazmente com a sua função reguladora e fiscalizadora e que presta um serviço público em que os custos envolvidos não encontram revérbero na qualidade oferecida ao cliente.
Contudo, enquanto máquina “pesada” que é, torna-se difícil encetar um mais do que urgente processo de mudança. Tal é, de resto, impossível enquanto for o próprio Estado a dar os maus exemplos, com serviços burocratizados e pouco produtivos, enquanto as empresas que prevaricam, viciando o sistema, continuarem intocáveis e, sobretudo, enquanto não existir uma gestão planeada de políticas, de recursos e de práticas dentro do próprio Estado. Como sublinha Pereira, o aparelho administrativo do Estado, apesar da ocorrência de algumas rupturas no sistema político e social português, não tem sido objecto de alterações dramáticas equivalentes, nomeadamente ao nível da cultura administrativa e da burocracia pública. Neste sentido, tem-se, de alguma forma, mantido o pendor centralista, legalista, “administrativista” e conservador da Administração Pública portuguesa.
Se nos centrarmos nas especificidades da Administração Autárquica, ou seja, na gestão dos Municípios, enquanto unidades político-administrativas relativamente autónomas das unidades públicas da Administração Central, verificamos que, sem embargo da evidente uniformidade de regras existentes para a generalidade das instituições públicas, as suas particularidades (e.g. natureza, objectivos, dimensão) poderão ditar uma maior ou menor abertura daquelas entidades à modernidade e, naturalmente, marcar diferenças na sua capacidade de absorção de formas mais flexíveis de gestão.
Os Municípios não são apenas entidades públicas de administração, mas igualmente unidades de governo próprio, possuindo, como tal, a mesma legitimidade política, financeira e democrática que é reconhecida ao governo central. Significa isto que os Municípios possuem autonomia política e capacidade de decisão autónoma. Para além disso, as autarquias locais são entidades com um rosto: o Presidente da Câmara Municipal. Este facto revela-se de extrema importância no que concerne à visibilidade e relacionamento com o exterior.
Os Municípios, além de unidades de governo, ou entidades políticas de governação local, constituem ainda verdadeiras unidades produtivas, ao produzirem e distribuírem pela comunidade um apreciável volume de serviços. Nalgumas localidades, são mesmo as principais entidades empregadoras concelhias. Assim, constituem efectivas unidades de gestão, sendo obrigadas a planear e utilizar os meios, as técnicas e os métodos mais adequados para melhor rentabilizar a sua acção e de forma mais eficiente servir as populações;
A ambiência positiva na Administração Local para a absorção da modernidade e para melhor utilização dos meios e métodos avançados de gestão pública torna, portanto, o governo local no mais capaz de inovação. Ainda assim, em muitos sectores a inovação é só aparente porque, na verdade, os serviços públicos não são capazes de inovar, porquanto tiram os seus recursos do orçamento, em vez de serem remunerados pelos resultados. Assim, o sucesso depende de orçamentos cada vez maiores. Mais do que no sector privado, a inovação depende dos indivíduos, isto é, dos funcionários, já que estes se comportam predominantemente com base em padrões e normas de conduta. Ora, o envolvimento e o comprometimento dos funcionários do Estado numa cultura de serviço público esteve sempre ausente de qualquer estratégia de modernização administrativa.
Existe, portanto, um conjunto de debilidades que impedem a concretização de melhores níveis de absorção das práticas modernas de gestão nos municípios e, portanto, de maiores índices de eficiência locais. É sobre os entraves à inovação nas autarquias locais que nos debruçaremos na segunda parte deste artigo.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Palavras de Vida Eterna

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso,
em serenos sobressaltos
como estes pinheiros altos
que em verde e ouro se agitam
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma. é fermento,
bichinho alacre e sedento
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança.

Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
para-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra som televisão
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre a mãos de uma criança.

António Gedeão

quinta-feira, agosto 03, 2006

quarta-feira, agosto 02, 2006

Sobre os Professores
A base para um integral funcionamento do sistema de ensino e, por conseguinte, de uma instituição escolar, está nos professores. Afinal, são eles que estão incumbidos de, nas palavras de Fernando Savater, “lutar contra a fatalidade, contra o destino. A fatalidade de que o filho de um pobre seja sempre pobre, de que o filho de uma pessoa ignorante seja sempre ignorante e de que o filho de um fanático seja sempre um fanático. Para evitar essas fatalidades é que precisamos da educação”.
Contudo, verifica-se que os professores constituem uma das mais desmotivadas classes ocupacionais existentes. Como o comprova um de muitos professores por esse país fora que sentem esta realidade, numa das colunas de opinião do jornal Público, “os professores encontram-se desmotivados e tristes, pois são «pau para toda a colher», exigindo-lhes tudo, mas mesmo tudo”. Mais à frente no artigo, esse mesmo professor, afirma: “Os nossos alunos esperam há muito que lhes seja mostrada a pedagogia do coração”.
Os professores encontram-se, actualmente, profundamente cansados e desmotivados e é aí que reside uma das maiores lacunas do sistema de ensino. Limitam-se a transmitir conhecimentos, quando sabem (ou deveriam saber) que marcam profundamente os seus alunos, constituindo verdadeiros modelos de saber e de acção.
O “professor caracol”, como já lhe chamaram, que anda de terra em terra, sem conseguir um lugar de efectividade numa escola, ao qual se encontra reservado um futuro incerto, pode ser uma das justificações para o que se passa actualmente com o corpo docente em Portugal.
Se a tudo isto, juntarmos o completo alheamento de muitos pais e encarregados de educação relativamente ao percurso escolar dos filhos, delegando nos professores (e também noutros técnicos, como os psicólogos) toda a responsabilidade pela educação dos alunos e culpabilizando-os pelas situações de insucesso ou inadaptação, então facilmente percebemos porque é que a classe docente, tão necessária e “civilizadora” (nas palavras de Fernando Savater), se encontra mergulhada num limbo, o qual prejudica gravemente o normal funcionamento de todo um sistema de ensino, já de si débil e frágil.
Como em todas as áreas, em todos os contextos de trabalho há bons e maus profissionais. O que não podemos de forma alguma admitir é que os bons professores (ao menos esses) sucumbam no limbo de um sistema do qual são parte integrante e essencial.
As Primeiras Heurísticas de João Vasco Pereira Coelho

Não consegui resistir em partilhar convosco um excerto de um dos posts mais deliciosos do blogue “Starjamming”, que podeis encontrar em versão integral no respectivo link aqui ao lado. É impossível ficar indiferente às Palavras de Cotrim…

«Em incerto dia, era eu um recém-chegado à idade de menino-Homem, deparei-me com formulações nunca dantes vistas. O tema era exótico, e, portanto, apetecível - a encenação cultural das relações de sexualidade. O verbo afigurava-se, contudo, impenetrável.Com o fluir do tempo, e o entusiasmo próprio de quem é recém-chegado a parte, até então, incerta, a leitura, inicialmente tortuosa, tornou-se uma mui apetecível fruição de final de noite.Percebi então: estava perante as minhas primeiras heurísticas. Reproduzo-as abaixo, com a alegria de quem partilha:
"A sexualidade tem sido objecto, em termos históricos, de uma tripla repressão: a proibição, a condenação ao silêncio, e a eliminação do campo das visibilidades";
"O corpo funciona como lugar de categorização social";
"O acto sexual erotizado representa a experiência da experiência intrapsíquica do outro, a experiência da intenção do outro";
"A heterossexualidade conjugal orientada para a reprodução e centrada na genitalidade é uma construção histórico-social";
"O amor é uma ficção pessoal da intimidade e uma construção social da afectividade e das emoções";
"O corpo é um objecto social. É, por excelência, um objecto de troca e de consumo. Nos termos de Jean Baudrillard, é o mais belo objecto de consumo";
"O amor passional: antecipação fantasiada de gratificações ilimitadas, conjunto heteróclito de emoções positivas e negativas, carácter efémero e vulnerável, idealização de se ser amado";
"A existência de sexos diferentes implica uma selecção evolutiva no sentido da anisogamia, de uma distribuição bimodal dos gâmetas; os machos, detentores de matéria germinal potencialmente ilimitada, teriam o interesse em adoptar uma estratégia poligâmica, fecundando o maior número possível de fêmeas";
"A conjugação amor/sexo é uma das possíveis soluções sócio-culturais para o problema da articulação entre reprodução biológica e vinculação social";
"O amor romântico constitui um casoexemplar de construção social de emoções";
"A emoção deve ser compreendida enquanto papel social transitório".
Como refere Sophia, a partir de então, a minha solidão viu-se melhor.
(Nota: As formulações apresentadas são parte integrante da dissertação de doutoramento de Valentim Rodrigues Alferes, Encenações e Comportamentos Sexuais, tornada pública pelas sempre credíveis Edições Afrontamento).»
Puro Relax...

terça-feira, agosto 01, 2006

Palavras de Vida Eterna

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade
Movimento pró Monumento de Homenagem ao Arruda

Sim. Proponho que seja erguida uma estátua (pode ser algures no meio do oceano a caminho de Chorzow) a esse ícone dos nossos dias, o organizador da melhor Queima das Fitas de Coimbra de sempre a ter o slogan “Provavelmente a melhor Queima de sempre”. Porque foi um prazer ter trabalhado a teu lado nesse grandioso evento… Porque foi um prazer recolher no meu caderninho de apontamentos cada uma das tuas melhores calinadas… Porque ainda tenho fé em ver-te concluir o curso de Psicologia... Obrigado Arruda…

“Tenho 1% da Bayer”
“Fui árbitro do Açores Open quando a Steffi Graff estava em início de carreira.”
“E então um tubarão passou a rasar-me a orelha.”
“O avião em que ia bateu na água e voltou a subir.”
“Então eu acordei deitado com uma gaja com um monte de preservativos usados à minha volta e ainda com um colocado!...”
“Comprei umas sapatilhas que aumentam em 30% o meu rendimento desportivo.”
“O paciente ficou partido em bocadinhos, mas o meu pai, que é um dos melhores ortopedistas dos Açores, colou os ossinhos todos outra vez!”
“Segurei sozinho os portões do Parque da Queima, quando todas as pessoas tentavam entrar à força. Todos os outros me abandonaram, mas eu estive lá a impor-me e evitei o pior.”

Digam-me lá se um gajo que diz que fez isto tudo não merece ter uma estátua?
Faz hoje precisamente um ano que uma “entrada iniciática” (como na altura lhe chamaram) constituiu a rampa de lançamento de um projecto ambicioso que prometia revolucionar toda a blogosfera e a world wide web em geral. Um post e três comentários pornográficos (devidamente eliminados) depois, regressa a vontade de refazer com pinças de ginecologista a história de um país à deriva. Não adianta resistir… Este é mesmo o regresso (ou será o começo?) do Arco da Velha... Nunca se viu nada assim… Pelo menos a julgar pelo suicídio em massa das melgas que se encontravam à minha volta…