quinta-feira, janeiro 17, 2008

Lusa Atenas... Sempre...



Cartaz da Queima das Fitas de Coimbra 1937

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Cinemacção

And the Golden Globe goes to...

A Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood revelou este domingo os vencedores da 65ª edição dos Globos de Ouro, numa cerimónia sem glamour. Conferimos a lista nas categorias de cinema:

Melhor Filme Dramático «Expiação»
Melhor Filme - Comédia ou Musical «Sweeney Todd: O terrível barbeiro de Fleet Street»
Melhor actriz dramática Julie Christie («Away from her»)
Melhor actor dramático Daniel Day-Lewis («Haverá Sangue»)
Melhor actriz - Comédia ou Musical Marion Cotillard («La Vie En Rose»)
Melhor Actor - Comédia ou Musical Johnny Depp («Sweeney Todd: O terrível barbeiro de Fleet Street»)
Melhor Actor Secundário Javier Bardem («Este país não é para velhos»)
Melhor Actriz Secundária Cate Blanchett («I'm Not There»)
Melhor Realizador Julian Schnabel («O Escafandro e a Borboleta»)
Melhor Argumento («Este país não é para velhos») (Joel Coen, Ethan Coen)
Melhor Filme estrangeiro («O Escafandro e a Borboleta») (França, EUA)
Melhor Filme de Animação «Ratatouille»«
Melhor canção «O Lado Selvagem» («Guaranteed», de Eddie Vedder)
Melhor Banda Sonora «Expiação», de Dario Marianelli

quarta-feira, janeiro 09, 2008

O Cerne da Questão

Um Mau Desempenho Sexual Justifica o Fim de um Relacionamento?

Finalmente. Um post sobre sexo. Já era tempo. Uma pesquisa num qualquer motor de busca com as palavras “arco-da-velha”, “sexo” e “pipi” pode trazer o cibernauta até estas paragens. Já estou excitado e tudo…

O tema que trago à baila surge a propósito de uma daquelas animadas tertúlias entre amigos que derivam pelos tortuosos mas também cativantes caminhos da sexualidade. Certo dia, uma amiga disse-me que queria terminar um relacionamento de anos porque o marido “beija mal o pipi” (e até já arranjou umas cassetes de vídeo para "ver se ele aprendia"). Outro dia, outra amiga desfez um namoro de anos porque o companheiro “é mau na cama”. A pergunta que naturalmente se impõe é: Onde é que se arranjam amizades destas?

Perdoem-me o tom descontraído das minhas palavras. A verdade é que a questão é bem séria e o desafio a que me propus não é de todo fácil. Queria que as minhas amigas pudessem mostrar este post aos companheiros sexuais num daqueles domingos à tarde e os fizessem perceber a importância do equilíbrio sexual em qualquer relacionamento (se quiserem fazer mais qualquer coisa também estão à vontade!). Muni-me de várias obras de referência, desde excertos dos intemporais “Relatórios Kinsey”, publicados nos anos cinquenta, até ao verdadeiro ícone “Encenações e Comportamentos Sexuais”, do Prof. Valentim Alferes, obra que teve direito a um post em regime de exclusividade nos primórdios do Arco-da-Velha. Mas acabei por decidir que, ao invés de compilar um conjunto de opiniões técnicas de diversos autores credenciados sobre comportamentos e (dis)funções sexuais de forma a fundamentar uma opinião sobre o assunto, existe uma melhor forma de tentar perceber se as minhas amigas têm ou não razão para “despacharem” os companheiros por mau desempenho sexual.

E que melhor método do que abrir a discussão aos leitores deste blogue? Afinal se estamos quase a atingir o milhar de visitas desde o início de Setembro, não acredito que todos aqui tenham vindo parar por acaso (até porque tenho os dados estatísticos que me permitem conhecer como vieram parar ao Arco-da-Velha, mas isso fica para um outro post um dia destes, porque há proveniências hilariantes) e acredito que este espaço pode ser um pouco mais interactivo. Abrindo um precedente (quiçá histórico!), convido os meus amigos e fiéis (ou não) leitores destas paragens a deixarem o seu comentário a este post tentando responder à pergunta que lhe serve de base. As minhas amigas têm ou não razão? Um mau desempenho sexual justifica ou não o fim de um relacionamento?

Não sei se esta metodologia é inédita (ou sequer se vai ter o mínimo de sucesso), mas fico à espera das vossas ideias e sugestões, não deixando, contudo, de salvaguardar o direito de não publicar comentários de conteúdo eventualmente obsceno ou não enquadrável nos objectivos da iniciativa. Ainda assim, como não podia deixar de ser, aqui ficam algumas opiniões técnicas (tendo por base estudos na área) e pontos de discussão sobre o tema que espero sirvam de linhas orientadoras para as vossas respostas:

- O sexo associado a um mero mecanismo de reprodução há muito é entendido como uma perspectiva limitativa da sexualidade humana e qualquer relação sexual deve, naturalmente, incluir e fomentar comportamentos propiciadores de prazer para além do mero coito reprodutivo, designadamente o sexo oral e anal, o beijo e exploração do corpo, as carícias heterossexuais (“petting”), os processos imaginais, os fetiches e demais fantasias sexuais

- É inequívoco que o tipo, o número e a diversidade de fantasias e a própria frequência de actividades sexuais devem ser definidas em conjunto pelo casal, idealmente através de um processo de negociação conjunta entre ambos

- As fantasias e fetiches sexuais não estão associados a dificuldades no funcionamento sexual nem a perturbações de personalidade, muito pelo contrário, eles permitem quebrar alguma monotonia ou falta de estimulação normais em determinados momentos do relacionamento

- A inovação das práticas sexuais depende, obviamente, da margem de liberdade que é dada a cada um dos lados do relacionamento e das respectivas codificações sociais e culturais da sexualidade

- Relativamente às motivações para o sexo, as mulheres tendem a valorizar mais dimensões predominantemente relacionais, como a proximidade emocional, as carícias e os beijos, enquanto os homens valorizam mais os aspectos essencialmente físicos, como o orgasmo, o prazer e o contacto oral-genital

- Se é verdade que os homens tendem a gostar mais de sexo do que as mulheres, também é verdade que são elas que mais valorizam a paixão enquanto motivação para o sexo e mais fazem depender o relacionamento do desempenho sexual

- Os homens julgam que percebem mais de sexo e vangloriam-se mais entre pares do que aquilo que realmente conhecem ou são capazes de concretizar (e por isso raramente procuram informar-se sobre o assunto ou melhorar a sua performance sexual), enquanto que as mulheres são mais modestas nos comentários entre pares, mas são aquelas que mais percebem de sexo e mais procuram informação tendo em vista a melhoria do seu desempenho sexual

- A harmonia de um relacionamento é indissociável da sexualidade, mas não depende exclusivamente desta: existe todo um conjunto de factores, que vão da esfera do trabalho a condicionantes económicas e factores de stress familiar que, como o desempenho sexual, interferem na funcionalidade da relação.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Verdes Anos

As Aventuras do Bocas

Pura Ilusão



Birmânia

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Ver TV

Diz que foi uma espécie de Reveillon 1984-85



"Os Gatos mereciam não apenas um, mas uma catrefada jeitosa de prémios: primeiro, porque aguentaram heroicamente e sem sobressaltos o primeiro grande directo da vida deles (e que directo, tão avassaladoramente cheio de coisas que podiam ter corrido mal). E se já é difícil fazer um directo sério, imagine-se o que é fazer um directo de humor - e eles comportaram-se como se toda a vida tivessem feito aquele tipo de coisa. Foi um espectáculo alucinante feito de contradições vencedoras: tinha todo o tal setup gigantesco, épico, e, ao mesmo tempo, uma abordagem intimista onde o tom "como diacho é que viemos aqui parar" dos Gatos resultou em cheio; adorei a versão portuguesa de What Would Brian Boitano Do, de South Park, aplicado à recusa deles em fazer um programa com cantigas e danças; tinha um desfile muito retro de artistas mas, ao mesmo tempo, algo de hiper-moderno e subversivo na maneira como esse desfile foi enquadrado (a ideia de que, não estando à altura de passar o ano de 2007 para 2008, seria melhor jogarem pelo seguro e treinarem com uma passagem de ano já usada - a de 1984 para 1985, gag que foi heroicamente mantido até mesmo na contagem decrescente). E conseguiram, de repente, que Da Vinci e Sabrina se tornassem bizarramente cool (o momento de Sabrina foi uma delícia surreal, uma fusão entre programa de entretenimento da RAI e o espírito Conan O'Brien, com o sketch em que os Gato se tornam homens a ver o video de Boys Boys Boys a meio de um episódio da Abelha Maia).

No fim, o grupo ainda poupou trabalho aos detractores com aquele maravilhoso número final de gospel em que o coro lista, com grande euforia e arrebatamento e ao som de Oh Happy Day, tudo aquilo que de certeza haverá quem vá dizer hoje: que aquele fim-de-ano foi "uma grande merda", "fraquinho", que "eles são tão sobrevalorizados", etc. A verdade é que foi mais um triunfo da comédia alternativa e inteligente na televisão nacional, enquanto que, por exemplo, na TVI, decorriam... casamentos. A sério, casamentos. Passei por lá a dada altura e estava um senhor a casar pessoas. O que, vistas bem as coisas, acaba por ser comédia bastante alternativa. Involuntária, sim - mas bastante alternativa.

Boas férias, Cardi, Mucky, Nandy e Fininho!"

Nuno Markl, in Há Vida em Markl

Nota do Autor do Blogue:
Vamos ter mesmo saudades deles, acreditem! Não é fácil à RTP1 ter 34,2% de share numa noite em que o confronto se fazia entre "Um Casamento de Sonho" e "Família Superstar". A RTP ficou mesmo em segundo lugar - atrás da TVI e ligeiramente à frente da SIC - nas audiências globais de 2007, conseguindo o seu melhor resultado desde 1999.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

O Cerne da Questão

Best of the Year, by Time

A lista da prestigiada revista “Time” é extensa e inclui categorias tão diversas (e até absurdas) como “As dez melhores frases para colocar numa t-shirt” ou “Os dez melhores serviços para subcontratar” (em primeiro lugar está a gravidez!). Aqui ficam os vencedores que considero merecerem ser destacados:

Personalidade do Ano – Vladimir Putin, Presidente Russo

Canção do Ano – “Rehab”, por Amy Winehouse



Livro do Ano (não-ficção) – “The World Without Us”, de Alan Weisman

Livro do Ano (ficção) – “The Brief Wondrous Life of Oscarv Wao”, de Junot Díaz

Sensação Artística do Ano – A morte da indústria discográfica (será mesmo?), por Madonna e Radiohead

Momento Desportivo do Ano – Emoções ao rubro na Fórmula 1, por Fernando Alonso, Lewis Hamilton e Kimi Raikkonen

Avanço Médico do Ano – Vacina contra a gripe aviária

História Europeia do Ano – Afirmação do poder russo, por Vladimir Putin (numa lista em que a assinatura do Tratado de Lisboa surge em quarto lugar e o desaparecimento de Maddy no Algarve em nono)

Filme do Ano – “No Country for Old Man”, de Joel e Ethan Coen



Saída de Cena do Ano – Tony Blair (José Mourinho é o sétimo da lista)

História Mundial do Ano – Crise humanitária na Somália, “O Outro Darfur” (curiosamente na lista também encontramos o crescimento económico da economia angolana, em sexto, e a descoberta de reservas de petróleo no Brasil, em oitavo)

Separação do Ano – Nicolas & Cécilia Sarkozy

Maravilha Arquitectónica do Ano – Block Building (Museu da Arte da Cidade de Kansas, EUA)

História Religiosa do Ano – Crise de fé de Madre Teresa de Calcutá

Negócio do Ano – O CEO da News Corp., Rupert Murdoch, consegue o “Wall Street Journal” e o Dow Jones por $5 biliões

Vídeo do Ano – “Leave Britney Alone”



Site do Ano – lemonade.com

Jogo do Ano – “Halo 3”

Todos os detalhes em time.com

Lamentável...





Leonel Nunes, o Homem do Garrafão

sexta-feira, dezembro 28, 2007

O Cerne da Questão

A Noite



"A noite é minha amante. Tenho com ela uma relação muito particular, desde os 21 anos de idade, altura em que o meu pai morreu e em que toda a minha vida se alterou. Eu passei a trabalhar de noite e não mais deixei de o fazer. Consegui juntar o útil ao agradável: gostava do trabalho que fazia, e ainda faço, e gostava da noite. Noventa e nove por cento das amizades que fiz foram feitas de noite. As pessoas à noite estão mais disponiveis, mais sensiveis, mais autênticas".

Carlos do Carmo, a propósito do seu novo disco, "À Noite".





"Há pelo menos vinte anos que não me deito antes das três da manhã e que não adormeço sem ler um livro. Viver comigo não é fácil, até porque eu jamais fui capaz de responder à mais lógica das perguntas: Mas o que é que tu ficas a fazer de noite?... Realmente, não sei dizer ao certo. Suponho que o facto de ter aprendido a distinguir todos os ruidos da noite, de conhecer o som dos animais nocturnos, de me ter viciado no silêncio da noite, de saber localizar as estrelas no céu, não seja resposta suficiente. Há qualquer coisa mais para além disso, qualquer coisa de indefenóvel e única. Há um mundo diurno e um mundo nocturno. Este é o reino da luz e das sombras, um mundo de silêncio onde cada som tem um sentido, uma utilidade e por onde se sente deslizar esse 'lento círculo azul do tempo'. De noite, morre-se mais devagar...''

Miguel Sousa Tavares, em "Não te deixarei morrer, David Crockett".

É uma da matina... Porque será que subscrevo estas palavras?

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Rostos da Felicidade


Fantástico

Hand in Hand

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Cinemacção

2007 Filmes

Apesar de todos os condicionalismos inerentes à minha reduzida mobilidade física neste ano que agora finda, não deixei de acompanhar com a proximidade possível o panorama cinematográfico em 2007 e, por isso, aqui fica uma reflexão crítica sobre aqueles que são indiscutivelmente os (meus) Filmes do Ano.

Cartas de Iwo Jima (*****)



Se 2006 foi o ano de “Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos” (a infeliz tradução para “Little Miss Sunshine”), 2007 foi decididamente o ano de “Cartas de Iwo Jima”. Embora tenham estreado em Portugal em anos diferentes, estes dois filmes concorreram ambos à Cerimónia dos Óscares deste ano e foram (em nosso entender, injustamente) batidos por “Entre Inimigos” (“The Departed”) na categoria de Melhor Filme. Mas se “Little Miss Sunshine”, uma descontraída comédia que gira em torno de uma disfuncional família americana, prima pela genialidade do argumento e pela desconcertante performance dos actores, “Cartas de Iwo Jima” é aquilo a que podemos chamar de uma verdadeira obra-prima. A segunda parte do díptico sobre a II Guerra Mundial realizado por Clint Eastwood, de que “As Bandeiras dos Nossos Pais” constitui o primeiro filme, afirma-se como um verdadeiro exercício de estilo do próprio realizador, que desagua num mágico turbilhão de emoções, tendo como pano de fundo a árdua batalha dos soldados japoneses na ilha de Iwo Jima. Enquanto “As Bandeiras dos Nossos Pais”, que vive a história do lado americano, sem deixar de ser uma obra interessante, raramente suplanta a banalidade de outros filmes do mesmo género e cai facilmente na unissonância do desenrolar de acções, este “Cartas de Iwo Jima” constitui um verdadeiro hino à força de vontade e ao querer do ser humano, personificados no General Tadamichi Kuribayashi (uma extraordinária interpretação de Ken Watanabe), que se apresenta em contraste com a própria natureza inóspita da ilha que lhe serve de pano de fundo. Enfim… Sublime…





À Prova de Morte - Death Proof (****)


Um dos meus realizadores de eleição, Quentin Tarantino, regressa ao grande ecrã em 2007 com “Death Proof”, mais um projecto em dois actos, de que “Planeta Terror”, de Robert Rodriguez, constitui a segunda parte. A parte realizada por Tarantino do projecto “Grindhouse” é uma homenagem e, simultaneamente, uma sátira aos filmes de série Z. Nada falta. Uma cópia riscada, saltos de imagem, falhas no som. O que faz de “Death Proof” um daqueles filmes perante o qual a reacção só pode ser uma de duas: ou se gosta – e emana de Hollywood mais uma obra-prima – ou se detesta – e o espectador sai da sala a meio da projecção perante tanto “bad cinema”. O que me coloca no primeiro grupo de reacções e me faz considerar este filme uma obra de mestre da sétima arte é o facto de esse “bad cinema” ser voluntário e propositado por parte de Tarantino! A sua chancela está lá, nas melhores cenas de pancadaria, na fantástica perseguição final, no inconfundível grafismo, na exemplar fotografia, no registo musical e até na deliciosa referência às “massagens de pés” celebrizadas em “Pulp Fiction”. Ao contrário de “Death Proof”, a segunda parte do projecto “Grindhouse”, o filme “Planeta Terror”, de Robert Rodriguez, mais não é do que uma entretida (mas vulgar) fita de zombies, em que se destaca a brilhante interpretação de Rose McGowan.




Promessas Perigosas – Eastern Promises (****)


Depois de “Uma História de Violência”, que recebeu uma nomeação para os Óscares e o aplauso da crítica (o meu incluído), David Cronenberg regressa com “Eastern Promises”. Os temas recorrentes do cineasta canadiano continuam lá. Atmosferas sinuosas, violência reguladora de relações, humor negro, dramas familiares. Contudo, tal como na sua anterior obra, perderam-se os corpos mutantes e os monstros convencionais de Cronenberg. Apurado como nunca, o realizador trocou o corpo pela alma humana e os monstros são mais ambíguos e inquietantes. No filme, destaca-se desde logo a fantástica interpretação de Viggo Mortensen, a um nível tal que ninguém se surpreenderia com uma nomeação para o Óscar (em Fevereiro descobriremos). Os quatro minutos de nudez da cena da luta de facas na casa de banho têm um poder surreal: o realizador terá dito a Mortensen que queria realismo e “fisicalidade”. O resultado é um brutal momento de violência transformado num ápice em algo belo e harmonioso. Não menos assombrosa é a interpretação de Armin Mueller-Stahl e nem Naomi Watts desilude, embora não fuja do seu estilo habitual. Absorvente fotografia de Peter Suschitzky, que reforça a crueza e frieza de uma Londres escura e sombria. Já o argumento (de Steve Knight) pode ser considerado excessivamente convencional, mas a nós parece-nos de maior relevância realçar a capacidade de transformar uma história simples num hino à fragilidade humana com o estilo “hiper-romântico” de Cronenberg. “Eastern Promises” é o mais perturbante e tocante filme do realizador. E por isso é intrigantemente belo.




Pecados Íntimos - Litlle Children (****)


Uma das surpresas do ano. "Litlle Children" vive intensamente o dia-a-dia de um conjunto de pessoas cujas vidas se cruzam em parques infantis, piscinas municipais e ruas de uma pequena comunidade. E o realizador Todd Field fá-lo de forma surpreendente e soberba, explorando genialmente cada uma das personagens e os perigos que encerra cada esquina. Grande história, baseada na obra de Tom Perrota, que explora a crise de uma geração nascida nos anos setenta, meio perdida entre a “velha guarda” e nova sociedade da informação. E grande interpretação de Kate Winslet, justamente nomeada pela Academia, num dos melhores papéis da sua carreira. Com nomeações para os Óscares ainda em mais duas categorias, “Litlle Children” é um filme sublime e provocador, que merece ser visto atentamente em cada pormenor.




Apocalypto (****)


No turbulento fim dos tempos de outrora, na grande civilização Maia, quando a sua existência é brutalmente posta em causa por uma violenta força invasora, um homem é levado numa perigosa viagem por mundo governado pelo medo e opressão onde um fim agonizante o espera. Depois de “A Paixão de Cristo”, Mel Gibson regressa à realização com este “Apocalypto”, uma história simples mas não um argumento banal, um filme emocionante mas não puro entretenimento. As épicas cenas de violência, que marcaram a estreia do realizador atrás da câmara em “A Paixão de Cristo”, mantêm a sua centralidade em “Apocalypto”, mas são agora mais “toleráveis”. Afinal de contas, não estamos a falar de figuras que nos habituámos a ver num contexto mais edílico, como Jesus Cristo ou Maria de Nazaré. “Apocalypto” mantém, pois, a base estilística do autor, aquele realismo exacerbado a que nos habituou, mas ganha profundidade cinematográfica, com a riqueza de cada personagem, de cada cena, de cada momento dramático.




Os Simpsons: O Filme (****)


Sim. Sou suspeito. Mas não podia deixar de eleger “Os Simpsons” como um dos filmes do ano. E é fácil perceber porquê. Fã incondicional da série desde os anos 80, fiel às diabruras de Bart, Homer, Lisa, Marge e Maggie e demais habitantes da pitoresca Springfield, eu que nem gosto particularmente de filmes de animação, não podia perder esta pérola. Felizmente, não sou o único a reconhecer a qualidade cinematográfica de “Os Simpsons: O Filme”. E se é verdade que compreendo as vozes críticas que dizem tratar-se de um episódio com noventa minutos (ao invés dos habituais vinte), é porque este filme mantém os factores que fazem da série um caso sério de popularidade um pouco por todo o mundo: o argumento é cinco estrelas, os nomes que dão voz às personagens são escolhidos a dedo, é efectuada uma sátira perfeita à sociedade actual. A família amarela mais famosa de planeta e o seu criador Matt Groening estão de parabéns.



O Último Rei da Escócia (****)


A Rainha (***)



Era impossível fazer uma crónica sobre cinema em 2007 sem falar de “A Rainha” e “O Último Rei da Escócia”. E ao longo das próximas linhas perceberão porque estes dois filmes têm que ser analisados em conjunto. Geniais interpretações (de Helen Mirren em “A Rainha” e de Forest Whitaker em “O Último Rei da Escócia”) que valeram da Academia os Óscares de Melhor Actriz e Melhor Actor, respectivamente. Histórias reais enformadas num contexto ficcional, a da Rainha de Inglaterra num papel magistral de Helen Mirren (que encarnou genialmente uma personagem de interpretação dificílima), e a do governante do Uganda, Idi Amin, brilhantemente interpretado por Forest Whitaker (quem diria que o delicado e elegante actor dava um psicótico e carismático ditador?). Soberbos argumentos de Peter Morgan, que assina ambas as fitas, revelando uma capacidade muito própria de aplicar um polimento de ficção a personagens verídicas. Mas se há muito que une “A Rainha” e “O Último Rei da Escócia”, há sobretudo um aspecto que os separa. Se a obra de Stefen Fears, “A Rainha”, é um característico telefilme, baseado em personagens e acontecimentos reais, n’“O Último Rei da Escócia”, apesar de Idi Amin ter efectivamente existido, o médico escocês Nicholas Garrigan e todo o seu envolvente são criações ficcionais, o que faz desta película uma obra muito para além de um mero telefilme: “O Último Rei da Escócia” é também e, sobretudo, uma brilhante e emotiva viagem à Uganda de Idi Amin e à magia do continente africano.



segunda-feira, dezembro 17, 2007

Carpe Diem

Há Coisas que Nunca Mudam…

O sorriso dos caracóis está atrasado. Há coisas que nunca mudam, dizem-me…
O mesmo sorriso que degusta uma alface temperada com magia. Há coisas que nunca mudam, fazem-me crer…
A bela joaninha sobrevoa o jardim de máquina fotográfica em punho e crava ao empregado a tal “foto de família”. Há coisas que nunca mudam, pelo que consta…
A pequenita mocita surge do nada como se do tudo se tratasse e saúda-nos com o “Arô” de sempre. Há coisas que nunca mudam, oh se há…
O homem camarão tem direito aos melhores beijinhos porque vem de longe. Traz histórias para contar como poucos. Parece que foi ontem que ele nos contou as últimas. Há coisas que nunca mudam, acredito que sim…
Há quem trabalhe agora num banco mas não resista em relembrar momentos no Corpo Louco ou na Escola Eugénio de Castro. Há coisas que nunca mudam, há mesmo…
O trabalhador do conhecimento, conhecemo-lo porque só ele seria capaz de nos trazer a história de uma colega de trabalho que chora muito. E só ele sabe como chora. Há coisas que nunca mudam, é um facto...
Ainda há a querida menina de sempre que proporciona dois dedos de simpática conversa à anciã senhora que apenas queria saber se nós éramos da TVI e dizer mal dos “Morangos com Açúcar”. Há coisas que nunca mudam, reconheço…
E parece que alguém se vai casar. Mas só ele nos apresentaria isso como um “acordo”. E só ele nos faria ansiar tanto por esse momento. Há coisas que nunca mudam, é verdade…
Anda por aí um certo vídeo. Relembra a melhor semana da minha vida. Estão lá a Estúpida, o Organizador da Maior Queima de Sempre, o Homem Mais Bonito do Brasil e até a Égua Pocotó. Ainda bem que há coisas que nunca mudam.

“Os afectos continuam lá. Como ontem. Como sempre.” (Joaninha)

Parece que foi ontem a última vez. Mas desta vez foi mesmo. Poucas pessoas seriam capazes de provocar em mim uma felicidade tal. A nostalgia embutida em cada pedra da calçada coimbrã voltou a fazer das suas. Já estou cheio de saudades. Afinal o Natal ainda pode servir para coisas bonitas. Há coisas que nunca mudam. Felizmente.

domingo, dezembro 16, 2007

Fantástico

Sandro G - Eu Não Vou Chorar

terça-feira, dezembro 11, 2007

Esses e Outros Sons

Ranking Best of 2007

Mantendo o desafio de anteriores ocasiões, escolhi aqueles que considero os temas musicais do ano. Se é verdade que alguns singles, como “Rehab”, de Amy Winehouse, ou “Young Folks”, de Peter, Bjorn e John, foram lançados ainda durante o ano de 2006, foi em 2007 que se afirmaram enquanto casos sérios de popularidade no panorama musical. Na lista não podiam faltar os aguardados e bem conseguidos regressos de Jorge Palma e dos Da Weasel, a fantástica afirmação mundial da “nossa” Nelly Furtado, a límpida voz da portuguesa Rita Redshoes, a pérola conseguida pela junção das performances de Vanessa da Mata e Ben Harper ou o vibrante tema de Mika, “Garce Kelly”. Aqui fica a lista dos eleitos:

1. Jorge Palma – Encosta-te a Mim

2. Amy Winehouse – Rehab

3. Da Weasel – Dialectos de Ternura

4. Peter, Bjorn and John – Young Folks

5. Vanessa da Mata (feat. Ben Harper) – Boa Sorte

6. Nelly Furtado – Say It Right

7. Mika – Grace Kelly

8. Rita Redshoes – Dream On Girl

9. Scissor Sisters – I Don’t Feel Like Dancing

10. David Fonseca - Superstars

11. Orishas – Hay un Son

12. The Kaiser Chiefs – Ruby

13. Sara Tavares – Bom Feeling

14. Clã – Tira a Teima

15. Mundo Cão – Morfina

16. K-Os – Sunday Morning

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Carpe Diem

Por intermédio de uma inspirada borboleta, descobri uma pérola na blogosfera. Chama-se "Aqui me Encontro". O mote diz tudo:

"Se quiseres debater o fenómeno migratório das andorinhas africanas, trocar 1001 receitas de bacalhau com natas, adoptar um cão ou um gato, convencer-me a assinar uma petição online para combater a extinçao dos teares artesanais, comentar algum dos meus post, ou simplesmente dizer Olá!, terás (ou não) resposta em assimmeencontro@gmail.com"

Deixei por lá o seguinte comentário ao post "Ciúmes e Cromossomas":

As mulheres tendem a ligar o "complicador" e, com isso, conseguem ser, de facto, corrosivas e cruéis. Já os homens tendem a ser simplistas, lineares, objectivos, às vezes (quase sempre) até demais... É essa complexidade feminina que mais nos fascina e creio ser essa simplicidade masculina que mais vos causa inveja. Por isso (também por isso) conseguem ser ainda mais corrosivas e cruéis. É esta a magia de ser humano.
Definitivamente, vou ser um leitor fiel destas paragens. Parabéns Inês.

Publicado aqui.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

O Rosto da Felicidade


terça-feira, dezembro 04, 2007

Pressa de Viver...

"Não tenho tempo para avanços tão lentos. Tenho pressa de viver. Ao avançarmos tão devagar sinto-me como se estivesse a andar para trás. Como se estivesse a perder outras oportunidades que andem ao meu ritmo. Sou acelerada. Quero tudo. Quero tudo e quero tudo para já! Se não me acompanhas, então deixa-me ir. Voltarei a apanhar-te, mas com uma volta de avanço. Para mim todos os segundos contam. Tempo que durmo é tempo que perco. E eu detesto perder tempo. Porque esse nunca se recupera. Não me empates. Respeito as tuas indecisões se respeitares as minhas decisões. Não tenho tempo para jogos de faz de conta. Para diz que não disse. Tenho pressa para ter tudo. Tenho pressa para viver. Não tenho tempo para dúvidas e respostas como "não sei" ou "esperemos pelo amanhã". Não quero só o amanhã. Quero o dia de hoje! Quero vivê-lo. Tenho pressa. Desculpa mas, desta vez, vou partir sem ti."

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Feliz Natal...



(clique para aumentar... a imagem, claro!! e veja lá onde é que vai clicar!...)

terça-feira, novembro 27, 2007

Esses e Outros Sons

Um Voo de Classe



O Toino não morreu no mar
Acabou de adquirir um castelo na Escócia…
Enfim… Não é bem na Escócia…
É uma cave sóbria
Em Gaia…

O excerto é do tema “O Centro Comercial Fechou”. Jorge Palma regressa, em 2007, com “Voo Nocturno” e não é por acaso que o álbum ocupa há várias semanas o lugar cimeiro do top de vendas nacional. O aguardado trabalho de Jorge Palma é a prova de que é possível fazer coisas mágicas através de uma fórmula simples. Um roteiro pelas inebriadas emoções do autor, uma sentida partilha de sentimentos. Serei talvez exagerado se afirmar que este é o melhor álbum nacional desde os tempos de “Viagens”, de Pedro Abrunhosa, lá no longínquo ano de 1993. Mas é o que eu sinto. E que bom é senti-lo. Há muito que não devorava um álbum assim. Encostem-se a ele e… Deixem-no rir...