quarta-feira, janeiro 09, 2008

O Cerne da Questão

Um Mau Desempenho Sexual Justifica o Fim de um Relacionamento?

Finalmente. Um post sobre sexo. Já era tempo. Uma pesquisa num qualquer motor de busca com as palavras “arco-da-velha”, “sexo” e “pipi” pode trazer o cibernauta até estas paragens. Já estou excitado e tudo…

O tema que trago à baila surge a propósito de uma daquelas animadas tertúlias entre amigos que derivam pelos tortuosos mas também cativantes caminhos da sexualidade. Certo dia, uma amiga disse-me que queria terminar um relacionamento de anos porque o marido “beija mal o pipi” (e até já arranjou umas cassetes de vídeo para "ver se ele aprendia"). Outro dia, outra amiga desfez um namoro de anos porque o companheiro “é mau na cama”. A pergunta que naturalmente se impõe é: Onde é que se arranjam amizades destas?

Perdoem-me o tom descontraído das minhas palavras. A verdade é que a questão é bem séria e o desafio a que me propus não é de todo fácil. Queria que as minhas amigas pudessem mostrar este post aos companheiros sexuais num daqueles domingos à tarde e os fizessem perceber a importância do equilíbrio sexual em qualquer relacionamento (se quiserem fazer mais qualquer coisa também estão à vontade!). Muni-me de várias obras de referência, desde excertos dos intemporais “Relatórios Kinsey”, publicados nos anos cinquenta, até ao verdadeiro ícone “Encenações e Comportamentos Sexuais”, do Prof. Valentim Alferes, obra que teve direito a um post em regime de exclusividade nos primórdios do Arco-da-Velha. Mas acabei por decidir que, ao invés de compilar um conjunto de opiniões técnicas de diversos autores credenciados sobre comportamentos e (dis)funções sexuais de forma a fundamentar uma opinião sobre o assunto, existe uma melhor forma de tentar perceber se as minhas amigas têm ou não razão para “despacharem” os companheiros por mau desempenho sexual.

E que melhor método do que abrir a discussão aos leitores deste blogue? Afinal se estamos quase a atingir o milhar de visitas desde o início de Setembro, não acredito que todos aqui tenham vindo parar por acaso (até porque tenho os dados estatísticos que me permitem conhecer como vieram parar ao Arco-da-Velha, mas isso fica para um outro post um dia destes, porque há proveniências hilariantes) e acredito que este espaço pode ser um pouco mais interactivo. Abrindo um precedente (quiçá histórico!), convido os meus amigos e fiéis (ou não) leitores destas paragens a deixarem o seu comentário a este post tentando responder à pergunta que lhe serve de base. As minhas amigas têm ou não razão? Um mau desempenho sexual justifica ou não o fim de um relacionamento?

Não sei se esta metodologia é inédita (ou sequer se vai ter o mínimo de sucesso), mas fico à espera das vossas ideias e sugestões, não deixando, contudo, de salvaguardar o direito de não publicar comentários de conteúdo eventualmente obsceno ou não enquadrável nos objectivos da iniciativa. Ainda assim, como não podia deixar de ser, aqui ficam algumas opiniões técnicas (tendo por base estudos na área) e pontos de discussão sobre o tema que espero sirvam de linhas orientadoras para as vossas respostas:

- O sexo associado a um mero mecanismo de reprodução há muito é entendido como uma perspectiva limitativa da sexualidade humana e qualquer relação sexual deve, naturalmente, incluir e fomentar comportamentos propiciadores de prazer para além do mero coito reprodutivo, designadamente o sexo oral e anal, o beijo e exploração do corpo, as carícias heterossexuais (“petting”), os processos imaginais, os fetiches e demais fantasias sexuais

- É inequívoco que o tipo, o número e a diversidade de fantasias e a própria frequência de actividades sexuais devem ser definidas em conjunto pelo casal, idealmente através de um processo de negociação conjunta entre ambos

- As fantasias e fetiches sexuais não estão associados a dificuldades no funcionamento sexual nem a perturbações de personalidade, muito pelo contrário, eles permitem quebrar alguma monotonia ou falta de estimulação normais em determinados momentos do relacionamento

- A inovação das práticas sexuais depende, obviamente, da margem de liberdade que é dada a cada um dos lados do relacionamento e das respectivas codificações sociais e culturais da sexualidade

- Relativamente às motivações para o sexo, as mulheres tendem a valorizar mais dimensões predominantemente relacionais, como a proximidade emocional, as carícias e os beijos, enquanto os homens valorizam mais os aspectos essencialmente físicos, como o orgasmo, o prazer e o contacto oral-genital

- Se é verdade que os homens tendem a gostar mais de sexo do que as mulheres, também é verdade que são elas que mais valorizam a paixão enquanto motivação para o sexo e mais fazem depender o relacionamento do desempenho sexual

- Os homens julgam que percebem mais de sexo e vangloriam-se mais entre pares do que aquilo que realmente conhecem ou são capazes de concretizar (e por isso raramente procuram informar-se sobre o assunto ou melhorar a sua performance sexual), enquanto que as mulheres são mais modestas nos comentários entre pares, mas são aquelas que mais percebem de sexo e mais procuram informação tendo em vista a melhoria do seu desempenho sexual

- A harmonia de um relacionamento é indissociável da sexualidade, mas não depende exclusivamente desta: existe todo um conjunto de factores, que vão da esfera do trabalho a condicionantes económicas e factores de stress familiar que, como o desempenho sexual, interferem na funcionalidade da relação.

3 comentários:

Didaskou disse...

Isto de ser uma mulher a primeira a responder a este desafio…

A minha resposta é sim. A sexualidade é, do meu ponto, muito importante numa relação afectiva. Ainda assim não posso deixar de referir que todos temos dias bons e maus, e em consequência todos temos desempenhos bons e maus. Um mau desempenho pontualmente é aceitável. Por sistema penso que ninguém poderá ser feliz com isso. Mas, também me parece inacreditável que alguém tenha sempre maus desempenhos. Onde está o espírito da melhoria contínua? Todos podemos e queremos melhorar se soubermos em quê. O problema muitas vezes persiste porque existe um outro problema: falta de comunicação.

Anónimo disse...

Sem dúvida que sim. As tuas amigas fizeram muito bem. Uma relação não vive sem sexo e os dois devem falar sobre o que está bem ou mal entre eles.

um bichinho inspirado com asas :P disse...

O sexo não é o mais importante de uma relação, mas é, sem dúvida, MUITO importante. Havendo um desempenho sexual menos bom, nada como dialogar e dizer abertamente "eu prefiro que faças assim" ou "gosto mais daquilo" ou ainda "porque não experimentarmos XYZ?". Porque a comunicação é uma ferramenta fundamental para que cada um saiba o que o outro sente e prefere. Porque numa relação deve investir-se e conquistar-se diariamente, não é algo garantido à partida, e o desempenho (seja pessoal, sexual, etc) é algo que deve ser melhorado continuamente. Pelo(s) próprio(s), pelos dois.