terça-feira, novembro 27, 2007

Esses e Outros Sons

Um Voo de Classe



O Toino não morreu no mar
Acabou de adquirir um castelo na Escócia…
Enfim… Não é bem na Escócia…
É uma cave sóbria
Em Gaia…

O excerto é do tema “O Centro Comercial Fechou”. Jorge Palma regressa, em 2007, com “Voo Nocturno” e não é por acaso que o álbum ocupa há várias semanas o lugar cimeiro do top de vendas nacional. O aguardado trabalho de Jorge Palma é a prova de que é possível fazer coisas mágicas através de uma fórmula simples. Um roteiro pelas inebriadas emoções do autor, uma sentida partilha de sentimentos. Serei talvez exagerado se afirmar que este é o melhor álbum nacional desde os tempos de “Viagens”, de Pedro Abrunhosa, lá no longínquo ano de 1993. Mas é o que eu sinto. E que bom é senti-lo. Há muito que não devorava um álbum assim. Encostem-se a ele e… Deixem-no rir...

quarta-feira, novembro 21, 2007

Palavras de Vida Eterna

Porque…

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner

quinta-feira, novembro 15, 2007

E que tal um joguinho para descomprimir?



Um pontapé no Sócrates...

terça-feira, novembro 13, 2007

O Cerne da Questão...

Antes e Depois



Estas fotos são reais. São de uma pessoa da minha família - que alguns de vocês conhecerão e que, obviamente, não vou identificar, mas que autorizou a sua publicação. Foram tiradas em 2003, com menos de meio ano de intervalo entre ambas. A primeira, em Maio, na Queima das Fitas de Coimbra. A segunda, em Outubro do mesmo ano, em Braga, depois de uma intervenção cirúrgica ao estômago para combater o evidente problema de obesidade mórbida. As imagens falam por si...

sexta-feira, novembro 09, 2007

Verdes Anos

Ora vamos lá ver se se lembram destes acordes...

Todos vão ouvir as campaínhas...


Tenho orgulho em ser uma vaca...


Vais ginasticar, vamos lá praticar...


Pensa lá bem...


Adeus bolachinha...


Orgulho em ser um dos sapos do vale...

quinta-feira, novembro 08, 2007

terça-feira, novembro 06, 2007

Fantástico...

O mito urbano do fantasma de Sintra.

Depois do Mika português, o Blair Witch Project português...

Palavras de Vida Eterna



Encosta-te a Mim

Encosta-te a mim,
nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim,
talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim,
dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou,
deixa-me chegar.

Chegado da guerra,
fiz tudo p´ra sobreviver
em nome da terra,
no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem,
não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói,
não quero adormecer.

Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi,
hei-de inventar contigo
sei que não sei
às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem,
encosta-te a mim.

Encosta-te a mim,
desatinamos tantas vezes
vizinha de mim,
deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba
que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada,
seja como for.

Eu venho do nada
porque arrasei o que não quis
em nome da estrada
onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim,
vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba,
quero adormecer.

Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi,
um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei,
às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem,
encosta-te a mim.

Encosta-te a mim
Encosta-te a mim
Quero-te bem.
Encosta-te a mim.

Jorge Palma

quarta-feira, outubro 24, 2007

Latada Coimbra 2007



(clique para aumentar)

Desta vez não garanto que vá lá estar (até para não correr o risco de voltar a acontecer que esteja mesmo, mas numa cama de hospital), mas aqui fica a necessária e sempre útil divulgação do evento. Gentleman e Orishas animam a noite grande deste ano, dia 31 de Outubro (15€ - preço estudante). Quim Barreiros e Leonel Nunes, o imortal homem do garrafão, prometem loucura controlada no dia do Cortejo das Latas, dia 29 (5€ - preço estudante).

sexta-feira, outubro 19, 2007

Lusa Atenas... Sempre...



Cartaz Queima das Fitas Coimbra (1936)

Lamentável

O "nosso" Mika...

segunda-feira, outubro 15, 2007

Fantástico



Perdidos pelos Gato Fedorento

quarta-feira, outubro 10, 2007

Paraíso Filmes

Shôr Anibal

A mais que merecida homenagem àquela que é, em minha opinião, a melhor série de humor alguma vez feita em Portugal. Brilhantemente escrita por Filipe Homem Fonseca, Nuno Markl, Eduardo Madeira e Henrique Dias no longínquo ano de 2001, contou com a participação de António Feio, José Pedro Gomes, Dinarte Branco, Marco Horácio, Carla Salgueiro, Nuno Lopes, Manuel Marques, Carlos Curto e Miguel Melo. Junto-me ao coro de fiéis que pede o DVD da série... Sem dúvida que seria um justísssimo prémio...

Aqui fica uma das pérolas cinematográficas criadas, o Shôr Aníbal, uma versão de Hannibal com elementos de Silêncio dos Inocentes e Psycho.

"Eu sei o que é que voces tão a pensar... Estão a pensar tipo 'Eh, lá estão aqueles dois gandas malucos a levar um corpo enrolado num tapete'... Mas aquilo não é corpo nenhum, muito menos o do filho do Director de Programas da RTP!!... Isto e só droga, e tão somente droga, meu Deus!... E a droga é só droga..."







terça-feira, outubro 09, 2007

Carpe Diem

A pedido de muitas famílias, o vídeo gravado em 2005 na Missa do Figueiredo... Gosto particularmente da efusividade do Padre Vítor no encitamento aos fiéis para participarem activamente na inigualável performance do assombroso intérprete. Isto apenas até ao momento em que o celebrante percebe que já não há nada a fazer e constata que perdeu todo o protagonismo para o sublime cantor. E claro que há ainda a fantástica saída de cena do brilhante artista antes do fim do tema musical para evitar os aguardados aplausos. E o genial momento final em que o orador pede subtilmente ao cameraman que termine a gravação, uma vez que vai dar início à homilía, o momento em que divaga até nunca ninguém sabe muito bem onde (o que é terrível que fique registado... nunca se sabe quem é que pode cometer a maldade de publicar isso no malvado e demoníaco mundo da internet...). Uma pérola...

quarta-feira, outubro 03, 2007

Fim de Citação

O mercado ditou as suas leis e, em Setembro, despediram-se da imprensa portuguesa duas publicações emblemáticas. Em ambos os casos, a justificação dada foi a perda insustentável de leitores. Uma situação inevitável, dirão alguns. Controlável, dirão outros. A certeza é apenas uma. Goste-se ou não dos títulos que se despedem do mercado e independentemente do seu público-alvo (bastante diferente, aliás, entre as duas publicações), a imprensa nacional ficou mais pobre.


A despedida da versão portuguesa da Premiere, a única revista de cinema publicada no nosso país, não resta dúvidas que deixa um vazio no panorama da imprensa nacional. Era um desfecho anunciado e, por isso, não espanta o adeus da “Premiere”. Mas os amantes de cinema (e alguns meros simpatizantes da Sétima Arte) perdem uma revista de referência, de linguagem cuidada e colaboradores seleccionados com rigor e profissionalismo. Assim o lamento de um leitor ocasional, mas decerto reconhecedor da qualidade da publicação que agora se despede do mercado português.

O ponto final, a 27 de Setembro, no semanário Tal&Qual, propriedade da Controlinveste, empresa do Grupo Olivedesportos (que detém publicações de referência como o DN, o JN e o Jogo), constitui, em nossa opinião, um sinal claro da ausência de vitalidade de um estilo editorial muito próprio. 27 anos depois da sua fundação, por Joaquim Letria, e recentemente alvo de uma profunda remodelação, o “Tal&Qual” não se conseguiu impor e sai de cena por força da agressividade do mercado, mas com a certeza de ter deixado a seu marca no panorama jornalístico português.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Carpe Diem

O Amigo do Povo

O Semanário da Diocese de Coimbra está bem e recomenda-se… Trazido até mim semanalmente pelo Sr. Zé (o nome diz tudo), supostamente o mais devoto dos paroquianos, mas que não perde a oportunidade de ganhar uns tostões à custa da Igreja e dos seus mais bem intencionados (ou diria ignorantes?) fiéis, “O Amigo do Povo” é presença assídua em minha casa desde sempre. Ou pelo menos desde que morreu o simpático senhor que trazia o “Jornal da Família”, o que transformou “O Amigo do Povo” no expoente máximo das publicações de cariz religioso a passar lá por casa. E que grande amigo este…




O meu pai sempre foi um fiel devoto (utilizando uma expressão a condizer) d’ “O Amigo do Povo”. Aos domingos a seguir à missa, lá chega, via Sr. Zé, aquele que é para ele o único contacto semanal com a imprensa escrita. As quatro intensas páginas do jornal são devoradas ao pormenor e, não raras vezes, é partilhada comigo a sublime “Secção Recreativa”, com especial ênfase na tentativa de dar resposta à “Adivinha da Semana”.

E, eis que, nas páginas do jornal surge, há tempos, a mais inesperada das indicações. Anunciadas, em letras garrafais, aí estavam as palavras que soaram como música para os meus ouvidos: “Visite-nos agora também na Internet em http://www.amigodopovo.com/”. Estava consumado o milagre. Maior do que qualquer vitória do Fátima sobre o Futebol Clube do Porto. “O Amigo do Povo” está disponível on-line e o seu sítio é, pura e simplesmente, uma pérola. Digno de figurar nas maiores Ambiguidades da história da World Wide Web, o espaço on-line d’ “O Amigo do Povo” é a prova de como a igreja se adaptou brilhantemente aos desafios do século XXI. Ou então NÃO. Como o comprova Nuno Markl numa deliciosa entrada do seu blogue: “É isto para que servem os amigos. Do povo."



O grafismo da página é um must. As próprias cores do sitio encaixam à maneira. E as secções, Senhor!!! As secções são de bradar aos Céus. Para além dos inevitáveis links para as páginas da paróquia, temos... A Doutrina. Os Documentos do Vaticano. A Via Sacra. A Bíblia Sagrada!!!! Sim… A Bíblia, em versão integral, disponível on-line. O link “Utilidades” é uma pérola tal que é impossível não espreitar (porque nunca se sabe quem responde a perguntas como “Gosta de acender uma vela quando reza? A internet também tem um altar virtual! Acenda uma vela e escreva um resumo da sua oração. Depois pode continuar a pedir, a agradecer ou a louvar... Com a vela acesa por muito tempo... se isso não aumentar a conta a pagar!”).

Um verdadeiro hino à Palavra de Deus. Só mesmo visto. Vale a pena perder (provavelmente é mesmo isso) alguns minutos a explorar com profundidade http://www.amigodopovo.com/.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Palvaras de Vida Eterna
"Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital. Um deles podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões. Sua cama estava junto da única janela do quarto. O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas.
Os homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres, famílias, das suas casas, dos seus empregos, dos seus aeromodelos, onde tinham passado as férias... E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, ele passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as coisas que conseguia ver do lado de fora da janela. O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a actividade e cor do mundo do lado de fora da janela.
A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem e uma ténue vista da silhueta da cidade podia ser vista no horizonte. Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava a pitoresca cena. Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia a passar, embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, e conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a retratava através de palavras bastante descritivas. Dias e semanas passaram.
Uma manhã , a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida do homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia. Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo. Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e fez a troca. Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a enfermeira deixou o quarto.
Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela... que dava, afinal, para uma parede de tijolo! O homem perguntou à enfermeira o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela. A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede.Talvez ele quisesse apenas dar-lhe coragem..."

quarta-feira, setembro 26, 2007

Silent Magic Words

Dream on Girl

Dream on girl, Dream on girl

I want to see you sleep tonight

You’re up and down

You hit the ground

And time is drifting trough your fears

I can’t find your dreams tonight

And make your lover come back home

If you don’t know, you are on your own

I’ll choose the best days for your sleep

Come back to see the day you lost your heart

And odd your hopes

I’ll take you to see the sunrise and try to catch your ghost

Come on girl, a dream is your world

The sins you see are in your mind

The words that you speak are here in my ear

So I can hear you falling down

Take a breath to see me

I can wait for you to

Live your live with no hopes but

If you still believe…

Come back to see the day you lost your heart

And odd your hopes

I’ll take you to see the sunrise and try to catch your ghost

Rita Redshoes

terça-feira, setembro 25, 2007

Ver TV

É Proibido Pensar

“Confrontado com o meu desespero face à tirania do barulho, um amigo aconselhou-me a efectuar uma imersão intensiva na televisão portuguesa como uma experiência antropológica. Tentando, dispus-me – até pela impossibilidade de alternativa - a ver os programas da manhã e da tarde (…). E descobri que se organizam de acordo com uma lei implícita, segundo a qual o que importa é dizer o que quer que seja, desde que em tom entusiasta, acompanhado de expansiva linguagem corporal e sorriso radioso no rosto. Sendo os apresentadores, na sua maioria, gente nova e agradável à vista, parecem envolvidos num qualquer concurso oculto em que ganha quem falar mais alto, de forma mais exagerada ou estridente. Os convidados parecem escolhidos pela sua quase generalizada irrelevância e estão atentos à «proibição» de falar de temas «chatos» (conceito em que se engloba tudo quanto é da esfera político-social) ou deprimentes (a não ser através dos «casos da vida», invariavelmente bem sucedidos, que comunicam edificantes mensagens «de amor e coragem»).
(…) As inefáveis prestações musicais, dominadas pela música pimba ou por grupelhos pseudomodernos, obedecem ao mesmo critério: canta bem quem mais «puxa» pela voz, mais exacerba o grito, mais sua e mais comovido parece. Mas o cúmulo da estridência oca é ocupado, sem sombra de dúvida, pelos sketches cómicos que integram estes programas. Tipicamente, um senhor vestido de mulher, em paródia preconceituosa e de mau gosto aos homossexuais e transsexuais, acha que tem piada por falar alto e com voz de falsete, fazer afirmações de sentido dúbio e pontuar as frases com «ai, filha» ou «ó rica». Neste contexto, e para que vejam onde cheguei, confesso que os episódios, que tive pela primeira vez oportunidade de ver, dos Morangos com Açúcar me pareceram uma coisa muito tolerável, pelo menos com alguma organização narrativa, sequência lógica e um pouco menos de estridência sonora”.

Carla Machado, Professora Universitária, in Público, 9 Agosto 2007

Nota do Autor do Blogue: Como eu a percebo, Carla… Também actualmente a televisão é uma das minhas principais fontes de entretenimento e companhia diárias. Contudo, apesar do meu actual estado de dependência televisiva, acho que não conseguiria sujeitar-me a uma experiência antropológica tão vil e cruel. Embora assuma: Sim… Eu ultimamente espreitei algumas vezes «As Tardes da Júlia». E quem não o fez?
Lusos Encantos



Lago do Gadanha