quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Carpe Diem



"Vida breve teve Cesário Verde. Nasceu em Lisboa em 25 de Fevereiro de 1855, morreu em Lisboa a 19 de Julho de 1886. Tinha 31 anos, idade absurda para morrer com uma tuberculose. Eu, que não aprecio poetas com obra extensa com a provável excepção de Shakespeare e poucos mais, tudo génios, aprecio em Cesário a modernidade urgente da sua poesia, que cabe toda em 166 páginas (reedição da Dom Quixote, com fixação de texto e nota introdutória de Joel Serrão e revisão e notas de Jorge Serrão). Cesário Verde pode ter morrido cedo, pode ter sido esquecido, pode ter sido uma das vítimas da sombra pessoana projectada sobre quase toda a poesia portuguesa posterior. Continua a ser um dos maiores poetas da língua portuguesa e, passe a hipérbole, da literatura europeia, mundial, o que quiserem. Cesário Verde é mais conhecido por causa do seu «Sentimento de um Ocidental», que a vulgata adoptou como tema e transfiguração de uma Lisboa de fim de século. Hoje, este poema é mais o seu nome, citado a propósito de tudo e de nada, do que os seus versos, que quase ninguém leu. Deve-se a Joel Serrão a publicação em 1963 (por que é que em Portugal tudo demora tanto tempo?) da «Obra Completa» de Cesário Verde. Antes, «em 1919, um incêndio destrói quase por completo a casa de Linda-a-Pastora (onde o poeta vivera isolado nos últimos anos), fazendo desaparecer irremediavelmente todo o seu espólio literário». Em 1887, com uma tiragem de 200 exemplares, foi publicado pela primeira vez «O Livro de Cesário Verde», numa edição do seu amigo Silva Pinto, tendo uma nova edição, já com distribuição nas livrarias, sido feita em 1901. Escreve Joel Serrão que o amigo do poeta, e admirador, Henrique Lopes de Mendonça, lhe vaticinou sombrio futuro na história da literatura: «A tua obra pequena e dispersa não é daquelas que se impõe à admiração condicional da posteridade». A posteridade é o que é, sendo às vezes cega, surda e muda mas, no caso de Cesário Verde, alguma justiça viria a ser prestada pelos que entendem de poesia. Existe quem jure, Vasco Graça Moura entre eles, que a poesia de Cesário é superior à de Pessoa. Eu, que detesto campeonatos de poetas, tenho por Cesário uma paixão, que agrafei à perfeição dos seus versos. Cesário é mais um poeta do século XX do que do século onde nasceu, e a sua linguagem, estilo, métrica, vocabulário, a concisão dos seus «alexandrinos originais e exactos», como ele diz, sagram-no como um dos inventores do português que usamos. Maria Filomena Mónica, na notável biografia que escreveu de Eça de Queiroz, chega a uma conclusão semelhante. Se Eça libertou a prosa portuguesa da «retórica fradesca» que a dominava, Cesário libertou a língua das amarras do lirismo piegas e do sentimento exaltado, das teias de aranha do ideal parnasiano e do romantismo rendilhado. Maria Filomena Mónica diz que nenhum autor inovou como Eça, «com a possível excepção de Cesário Verde». Eu tiraria o adjectivo «possível»."

Clara Ferreira Alves, Jornal EXPRESSO, 19-5-2001


Assinalam-se hoje 154 anos sobre o nascimento de um dos maiores poetas da história da literatura portuguesa. Não é um pintor, é Cesário Verde quem antecipa o impressionismo em Portugal, no final do Século XIX. O seu poema De Tarde apresenta-se ao leitor como uma verdadeira tela de Renoir:

Naquele “pic-nic” de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão de bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, indo o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos
E pão de ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

Cesário Verde

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Carpe Diem



A 23 de Fevereiro de 1987, faz hoje 22 anos, morre, em Setúbal, o compositor português de música de intervenção, José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, mais conhecido por Zeca Afonso.

Traz outro amigo também

Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

Zeca Afonso
Cinemacção

Oscar 2009 - And The Winner Is...

Actriz secundária: PENELOPE CRUZ, VICKY CRISTINA BARCELONA

Argumento original: DUSTIN LANCE BLACK, MILK

Argumento adaptado: SIMON BEAUFOY, QUEM QUER SER BILIONÁRIO?

Longa-metragem de animação: WALL-E

Curta-metragem de animação: LA MAISON EN PETITS CUBES

Cenografia: O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON

Figurinos: A DUQUESA

Maquilhagem: O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON

Fotografia: ANTHONY DOD MANTLE, QUEM QUER SER BILIONÁRIO?

Curta-metragem: THE PIG

Actor secundário: HEATH LEDGER, O CAVALEIRO DAS TREVAS

Documentário de longa-metragem: HOMEM NO ARAME

Documentário de curta-metragem: SMILE PINKY

Efeitos Visuais: O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON

Efeitos Sonoros: O CAVALEIRO DAS TREVAS

Som: QUEM QUER SER BILIONÁRIO?

Montagem: QUEM QUER SER BILIONÁRIO?

Banda Sonora Original: QUEM QUER SER BILIONÁRIO?

Canção Original: QUEM QUER SER BILIONÁRIO?

Filme Estrangeiro: DEPARTURE (Japão)

Melhor Realizador: DANNY BOYLE, QUEM QUER SER BILIONÁRIO?

Melhor Actriz: KATE WINSLET, O LEITOR

Melhor Actor: SEAN PENN, MILK

Melhor Filme: QUEM QUER SER MILIONÁRIO?

O balanço é simples. Ao contrário das expectativas de muitos, "Quem quer ser Bilionário?" conquistou - mais do que justamente (é a minha opinião pessoal!) - o Óscar de Melhor Filme, terminando a noite da 81.ª edição dos prémios da Academia como a película mais premiada, com oito estatuetas douradas, entre as quais a de Melhor Realizador (para Danny Boyle) e Melhor Argumento Adaptado.

A história de um rapaz dos bairros de lata de Mumbai conquistou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, vencendo todas as estatuetas para que estava nomeada, com excepção do prémio para Mistura de Som, em que perdeu para Batman e "O Cavaleiro das Trevas". Como escreve Nuno Markl hoje no seu twitter, "O Boyle triunfa de novo, enquanto um crítico do Público se vai deitar, agastado..."

"O Estranho Caso de Benjamin Button" levou para casa três prémios (Melhor Cenografia, Maquilhagem e Efeitos Visuais), não deixando, contudo, de ser o grande derrotado da noite.

Sem grandes surpresas, Sean Penn, Kate Winslet, Penélope Cruz e Heath Ledger (condecorado a título póstumo) levaram os prémios de interpretação.

Numa cerimónia completamente invulgar e original, mas muito bem conduzida, Slumdog Millionaire, contra os milhões de Hollywood, ganhou Oscar atrás de Oscar, provando a vitalidade do cinema independente.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Home Made Photo



As cores do tempo...

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Directo à Questão
A crise toca a todos: Reflexões, balanços e expectativas

Já muito se falou sobre a crise económica que abala o Mundo e a confiança de todos. Estamos, talvez, perante a primeira grande crise à escala global e, por isso, aquela que mais desafios coloca a todos os agentes envolvidos, dos decisores ao cidadão comum.
Se me permitirem alguma ironia em tempos de poucos motivos para sorrir, diria que esta crise de que tanto se fala veio, basicamente e tão-somente, pôr em causa tudo que o mundo aprendeu em décadas de estudos económicos e de investimentos financeiros. Nenhum dos paradigmas da ciência económica parece encaixar no cenário complexo que caracteriza o contexto macro-económico contemporâneo.
O chamado modelo económico neoliberal que parecia, até há bem pouco, seguro nos seus fundamentos e generalizável nas suas práticas, parece desmoronar-se como um baralho de cartas à medida que as notícias vão surgindo diariamente, a um ritmo alucinante, nos órgãos de comunicação social.
A vertigem do dinheiro fácil, a segurança do sector financeiro, o panorama perfeito dos paraísos fiscais. Todos estes ilusórios cenários estão transformados em escândalos financeiros, até aqui completamente inimagináveis.
Muitos disseram que nada voltará a ser como dantes. Não poderia concordar mais. Senão vejamos:
Flutuações nos mercados das matérias-primas como as que vimos a assistir nos últimos tempos eram impensáveis há meia dúzia de anos. Falências de instituições financeiras, seguradoras e empresas com uma notória – mas enganosa - sensação de solidez como as que vimos a assistir nos últimos tempos eram impensáveis há meia dúzia de anos. Quedas a pique dos índices bolsistas mundiais como as que vimos a assistir nos últimos tempos eram impensáveis há meia dúzia de anos. Nem mesmo os países emergentes, como a Índia ou a China, habituados a crescimentos anuais na ordem dos dois dígitos, parecem conseguir escapar ao cenário de recessão mundial.
Que modelo económico seria capaz de prever tais cenários? Que modelo económico será capaz de antecipar os desenvolvimentos futuros desta crise? Que modelo económico será capaz de definir as estratégias de combate e de saída do panorama actual?
Já muitos disseram que nada vai ser como dantes. Eu acrescentaria que, qualquer que seja o seu desfecho, esta crise vai ficar registada em todos os manuais de economia e vai inaugurar um novo paradigma de gestão financeira.
E haverá desfechos possíveis?
Numa economia globalizada e “globalizante” como a actual, tudo está relacionado com tudo. Os problemas parecem ser demasiado estruturais porque o próprio paradigma faliu. O sistema, como o habituámos a conceber, definha demasiado para que seja expectável uma auto-regeneração, uma saída de dentro para fora.
Com uma Europa fragmentada e a várias vozes, a necessária mudança no espectro marco-económico decerto terá que surgir vinda dos Estados Unidos da América. Com um fundo mais ou menos emocional, é razoável depositar expectativas na administração Obama, como referimos na nossa última reflexão. E, a partir daí, parece-me que apenas com uma política global convergente e com uma estratégia comum de saída da crise entre Estados Unidos e União Europeia será possível avistar a tal luz ao fundo do túnel que parece insistentemente apagada.

Vá Directo à Questão
. Aqui.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Ecos do Pensamento



"Em momentos de crise, só a imaginação é mais importante do que o conhecimento".

Albert Einstein

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Cinemacção

Aí está o Bafta para "Slumdog Millionaire" ("Quem Quer Ser Bilionário?"). Depois do Globo de Ouro, o último filme de Danny Boyle volta a conqusitar a crítica, recebendo o galardão máximo em Inglaterra. Não se trata, efectivamente, de uma obra consensual. Na minha opinião, o realizador já fez, de facto, tão bom ou melhor ("Trainspotting", "28 Dias Depois" ou "Sunshine" não ficam nada atrás de "Quem Quer Ser Bilionário?"). Mas confesso que me espantam algumas críticas destrutivas ao filme. Sem ser um primor interpretativo (não espanta, por isso, que nenhum dos actores tenha recebido qualquer nomeação para a cerimónia dos Óscares do próximo dia 22), o filme é possuidor de um excelente argumento, é esplendoroso em termos musicais, tem uma óptima fotografia e (e, preciosismos e características técnicas à parte, é isto que interessa no final) é uma obra que cativa o espectador do primeiro ao último minuto. Uma mágica e oportuna lição de vida e de amor... Afinal não é essa a grandeza do cinema?

"Quem Quer Ser Bilionário?" é, sem dúvida, o filme do ano.


terça-feira, fevereiro 03, 2009

Grande Penalidade

Verdadeiramente do arco da velha

Já há muito se (re)conhecem as emocionantes peripécias do futebol português, mas esta última parece bater todos os recordes.

Hoje, o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol decidiu que o adversário do Benfica na meia-final da Taça da Liga será o Vitória de Guimarães.
O organismo superior de justiça no futebol decidiu rejeitar os recursos do Belenenses, que argumentava com o texto dos regulamentos para reclamar a sua presença na meia-final.

O critério definido como primeira fórmula de desempate é o "goal-average", que o Belenenses considera ser superior ao do Guimarães: 2 do Belenenses, fruto de dois golos marcados a dividir por um sofrido, contra 1,5 do Vitória, fruto de três golos marcados a dividir por dois sofridos.

A Liga rejeitou sempre a noção defendida pelos azuis de "quociente entre golos marcados e sofridos", argumentando que a "expressão goal-average reporta-se à diferença entre golos marcados e sofridos", o que "corresponde ao entendimento comum na linguagem corrente do futebol".

Ora não é necessário perceber muito de inglês para concluir que "goal-average" (média de golos) é bem diferente de "best boal difference" (melhor diferença de golos). Ou seja, o Belenenses parece ter razão em qualquer parte do mundo. Menos em Portugal.

A justificação evocada pelo Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol não se baseia na letra dos regulamentos, antes no teor do recurso dos azuis do Restelo.
Em declarações à comunicação social, o Juíz Conselheiro do Conselho de Justiça, Sousa Diniz, adiantou que o Conselho de Justiça nem sequer analisou os documentos apresentados pelo Belenenses por existirem erros processuais nos mesmos.
«O CJ deliberou por unanimidade rejeitar os recursos do Belenenses invocando uma razão formal, já que esses foram dirigidos à directora executiva da Liga (Andreia Couto), que não era tida nem achada no processo», disse aquele responsável à TSF.

Entretanto, João Barbosa, que preside à Comissão de Gestão do Belenenses, disse à TSF esperar que esta decisão faça lei.
«Registamos que o Conselho Superior de Justiça tomou uma decisão que abre aqui um principio importante. A partir de agora todas as decisões do CJ independentemente do que escreve a letra do regulamento atenderão à forma como são apresentados os recursos».

Seja como for, a presença do V. Guimarães nas meias-finais da Taça da Liga, a realizar amanhã, dia 4 de Fevereiro, estará sempre ferida de ilegalidade. Mais uma história do arco da velha directamente da "Tugalândia".

Mais pormenores aqui.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Carpe Diem

A 27 de Janeiro de 1756, faz hoje 253 anos, nascia o compositor Austríaco Wolfgang Amadeus Mozart.



Lacrimosa dies illa
Qua resurget ex favilla
Judicandus homo reus.
Huic ergo parce, Deus:
Pie Jesu Domine,
Dona eis requiem. Amen.

Tearful that day,
on which will rise from ashes
guilty man for judgment.
So have mercy, O God, on this person.
Compassionate Lord Jesus,
grant them rest. Amen.

Día de lagrimas aquel día,
en el que resurjan de las cenizas.
los culpables para ser juzgados.
Ten piedad de ellos, Señor.
Compasivo Señor Jesús,
concédeles el descanso eterno. Amén.

Requiem - Lacrimosa, Mozart

sexta-feira, janeiro 23, 2009

E o Paraíso Aqui Tão Perto...



A Sertã e alguns dos seus encantos naturais...
Carpe Diem




[O Grito, Edvard Munch, 1893]

Edvard Munch, pintor norueguês, considerado o expoente do Expressionismo nórdico, nasceu a 12 de Dezembro de 1863, em Loten, e morreu a 23 de Janeiro de 1944, em Ekely, faz hoje 65 anos. Frequentou a Escola de Artes e Ofícios de Oslo, vindo a ser influenciado por Courbet e Manet. No campo das ideias, o pensamento de Henrik Ibsen e Bjornson marcou o seu percurso inicial. A arte era considerada como uma arma destinada a lutar contra a sociedade. Os temas sociais estão assim presentes em "O Dia Seguinte" e "Puberdade" (1886).

Com "A Rapariga Doente" (Das Kränke Mädchen - 1885) inicia uma temática que surgiria como uma linha de força em todo o seu caminho artístico. Fez inúmeras variações sobre este último trabalho e os seus sentimentos sobre a doença e a morte, que tinham marcado a sua infância, assumem um significado mais vasto, transformados em imagens que deixavam transparecer a fragilidade e a transitoriedade da vida. Em Paris, descobre a obra de Van Gogh e Gauguin e indubitavelmente o seu estilo sofre grandes mudanças. Em 1892 o convite para expor em Berlim torna-se num momento crucial da sua carreira e da História da arte alemã. Inicia um projecto que intitula "O Friso da Vida".

De 1892 a 1908 volta regularmente à Noruega e absorve o pensamento simbólico de Strindberg, tentando depois exprimir através de vários meios e estilos picturais os seus sentimentos e as suas experiências sobre o amor. Em 1896, em Paris, interessa-se pela gravura, fazendo inovações nesta técnica. Os trabalhos deste período revelam uma segurança notável. Em 1914 inicia a execução do projecto para a decoração da Universidade de Oslo, usando uma linguagem simples, com motivos da tradição popular. As últimas obras pretendem ser um resumo das preocupações da sua existência: Entre o Relógio e a Cama, Auto-Retrato (1940). Toda a obra está impregnada pelas suas obsessões: a morte, a solidão, a melancolia, o terror das forças da natureza.

Fonte: Infopédia

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Pura Ilusão

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Carpe Diem

A 19 de Janeiro de 1923, faz HOJE oitenta e seis anos, nasceu, na Póvoa de Atalaia, concelho do Fundão, o escritor português Eugénio de Andrade. Em reconhecimento pela sua notável obra poética, traduzida para diversas línguas, foram-lhe atribuídos inúmeros prémios literários, tanto em Portugal como no estrangeiro, tendo ainda sido agraciado, pelo governo português, com o grau de Grande Oficial da Ordem de Santiago da Espada e a Grã-Cruz da Ordem de Mérito. Escreveu ainda inúmeros livros para crianças. Faleceu, com 82 anos, a 13 de Junho de 2005.

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Eugénio de Andrade

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Directo à Questão
A Guerra em Gaza: Haverá razões para acreditar na Paz no Médio Oriente?

Em 1947, na sede da Organização das Nações Unidas é aprovado um plano de partilha da Palestina em dois estados: um judaico, com um milhão de habitantes, 510 mil dos quais árabes; e um árabe, com 814 mil habitantes, 10 mil dos quais judeus. Jerusalém, cidade santa para três religiões, ficaria com estatuto de cidade internacional.
Um ano depois, a 15 de Maio de 1948, o Estado de Israel é proclamado por David Ben Gurion. No entanto, Israel nasce com fronteiras largamente superiores às aprovadas pela ONU. Era o início do fim para o Estado Palestiniano.
Em 1949, a ONU aprova a Resolução 194, que decide permitir aos refugiados que o desejem o regresso às suas casas, com direito a compensações pela destruição dos seus bens. Contudo, David Ben Gurion, então primeiro-ministro de Israel, decidiu impedir o regresso dos refugiados palestinianos. Actualmente são mais de três milhões.
Na sequência da Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel ocupa o resto da Palestina, onde se incluem a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém-Leste. Ao arrepio da Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU, nesse mesmo Verão, a colonização dos territórios ocupados tem início, com a construção de novos colonatos. Actualmente existem mais de 200 mil colonos instalados em colonatos nos territórios então ocupados.
Mais recentemente, em 2005, Ariel Sharon ordenou a retirada unilateral do exército e dos colonos da Faixa de Gaza, mas a ocupação do território, sem interesse estratégico ou religioso para o Estado judaico, nunca terminou completamente. Israel continua a controlar todos os acessos por terra, mar e ar a este pedaço da Palestina: 362 quilómetros quadrados habitados por 1,5 milhões de pessoas. Foi neste território, o mais densamente povoado do mundo, que nasceu o Hamas e eclodiu a primeira Intifada.
Nos últimos sete anos, o lançamento de mísseis e morteiros por parte do Hamas sobre cidades israelitas matou pelo menos 20 civis. Israel retaliou sujeitando a Faixa de Gaza a um duro bloqueio económico, com restrição de entrada de alimentos e medicamentos e cortes de combustível, agravando uma situação humanitária que o Banco Mundial e Organizações Não Governamentais descreveram como "catastrófica". A 4 de Novembro de 2008, Israel assassinou seis membros do Hamas, violando uma trégua, que estabeleceu com o movimento islâmico, sob mediação egípcia, a 17 de Junho do último ano. Era o início de uma violenta tentativa de eliminação do Hamas por parte de Israel, depois da tentativa fracassada de neutralização do Hezbollah no Lí­bano, em 2006.
Teme-se, agora, o pior cenário, que passaria pela eventual abertura de uma segunda frente de guerra por parte do Hezbollah no Líbano, apoiado pela Sí­ria e financiado pelo Irão. O movimento xiita terá cerca de 40 mil mísseis e provou, em 2006, que sabe resistir ao reputadamente mais poderoso exército do Médio Oriente. Outro receio é o da eclosão de uma revolta popular na Cisjordânia, onde Mahmoud Abbas tem sido incapaz de obter significativas concessões por parte de Israel: os colonatos continuam a expandir-se, as incursões militares prosseguem, os checkpoints não são desmantelados e seis milhares de prisioneiros permanecem nas cadeias.
A raiz do conflito em Gaza é, portanto, bem clara. Na minha opinião, também a solução para o conflito é bem clara. Apenas o desmantelamento de todo o sistema de colonatos israelitas e a retirada do exército de Israel para as posições anteriores às ocupações de 1967 poderá por cobro ao conflito, permitindo o reconhecimento do direito do povo palestiniano à edificação do seu Estado, livre, independente e viável, com capital em Jerusalém-Leste, lado a lado com Israel.
No entanto, esta solução, apesar de ideal, está muito longe de ser concretizada no terreno. Dos dois lados, israelita e palestiniano, há quem a procure destruir e inviabilizar. Porque há demasiados interesses em jogo. Os de sempre. Os que motivam todas as Guerras. Falta saber se ainda há esperança no entendimento, se ainda há razões para acreditar na Paz no Médio Oriente.

Lamentável

Goodbye, Mr. Bush...

terça-feira, janeiro 13, 2009

Cinemacção

Golden Globes 2009 - And the winner is...

Melhor filme - Drama
"Slumdog Millionaire"

Melhor filme - Comédia ou musical
"Vicky Cristina Barcelona"

Melhor realizador
Danny Boyle ("Slumdog Millionaire")

Melhor actriz (drama)
Kate Winslet ("Apenas um Sonho")

Melhor actor (drama)
Mickey Rourke ("O Lutador")

Melhor actriz (comédia ou musical)
Sally Hawkins ("Simplesmente Feliz")

Melhor actor (comédia ou musical)
Colin Farrell ("Na Mira do Chefe")

Melhor filme estrangeiro
Waltz with Bashir ("Israel")

Melhor filme de animação
"Wall-E"

Melhor actriz secundária
Kate Winslet ("The Reader")

Melhor actor secundário
Heath Ledger ("Batman: O Cavaleiro das Trevas")

Melhor argumento
"Slumdog Millionaire"

Melhor som
"Slumdog Millionaire"

Melhor canção
"O Lutador"

Melhor série (drama)
"Mad Men"

Melhor série (comédia)
"30 Rock"

Melhor actor em série (drama)
Gabriel Byrne ("Em Terapia")

Melhor actriz em série (drama)
Anna Paquin ("True Blood")

Melhor actor em série (comédia)
Alec Baldwin ("30 Rock")

Melhor actriz em série (comédia)
Tina Fey ("30 Rock")

Melhor mini-série ou tele-filme
"John Adams"

Melhor actor em mini-ssérie ou tele-filme
Paul Giamatti ("John Adams")

Melhor actriz em mini-ssérie ou tele-filme
Laura Linney ("John Adams")

Melhor actor secundário em série, mini-série ou tele-filme
Tom Wilkinson ("John Adams")

Melhor actriz secundária em série, mini-série ou tele-filme
Laura Dern ("Recount")

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Delicioso



Monumento de homenagem ao Pe. Manuel Antunes, Sertã

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Carpe Diem



[Ponte Pedonal "Pedro e Inês", Coimbra]

Razões de ordem política levam o rei D Afonso IV a mandar executar Inês de Castro, amante do seu filho D. Pedro, a 7 de Janeiro de 1355, faz hoje precisamente 654 anos. Aproveitando a ausência de D. Pedro numa caçada, três elementos da nobreza - Álvaro Gonçalves, Diogo Lopes Pacheco e Pero Coelho - dirigem-se ao Paço de Santa Clara, em Coimbra, onde a bela Inês se encontra “posta em sossego” e esfaqueiam-na até à morte.
Camões imortaliza, no Canto III d'Os Lusíadas, os amores de Pedro & Inês:

Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo o doce fruto,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito;
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.

De teu príncipe ali te respondiam
As lembranças que na alma lhe moravam,
Que sempre ante seus olhos te traziam,
Quando dos teus fermosos se apartavam;
De noite, em doces sonhos que mentiam,
De dia, em pensamentos que voavam,
E quanto enfim cuidava e quanto via
Eram tudo memórias de alegria.

terça-feira, janeiro 06, 2009

Cinemacção

2008 Filmes: Uma retrospectiva pelo cinema em 2008

2008 foi um ano em cheio para a sétima arte. Em tempo de balanços, fazemos a retrospectiva dos filmes estreados nas salas portuguesas em 2008 para eleger os melhores do ano.
Antes de mais, importa lembrar que os filmes que estrearam em Portugal nos primeiros três meses de 2008 foram a votos nas cerimónias e festivais de 2007. O mesmo é dizer que as principais obras que vamos analisar fizeram parte dos candidatos aos Óscares relativos ao ano de 2007, mas porque somente este ano chegaram aos nossos cinemas, teremos, naturalmente, que inclui-las na selecção de 2008. Importa ainda lembrar que esta é uma selecção subjectiva, baseada em critérios essencialmente pessoais, ou não estivéssemos num espaço de opinião. Esclarecidos tais pontos prévios, aqui fica uma revisitação do melhor cinema de 2008.




E, pois, que o ano em questão teve, em minha opinião, uma verdadeira obra-prima cinematográfica. E, contra todas as expectativas, ela veio dos estúdios Pixar, ou seja, para mim, o melhor filme do ano foi um filme de animação. “Wall-E”, a história de um robot na Terra do futuro, é mais do que um filme, é uma verdadeira lição de vida. Depois de “Ratatui”, o grande filme de animação de 2007, a Pixar apresenta-nos agora uma pérola da sétima arte, um hino ao que de mais mágico existe na vida, uma reflexão sobre a existência humana, sem cair nunca em pretensiosismos ou falsos moralismos. “Wall-E” é isso tudo e muito mais. É uma verdadeira história à moda antiga, fazendo lembrar os grandes clássicos da Disney, mas acrescentando à pureza e imaginação do melhor cinema de animação o inconfundível toque de modernidade dos estúdios Pixar.




Mas 2008 foi, indubitavelmente, o ano de “Mamma Mia”. O fenómeno Abba pulverizou todos os recordes de bilheteira nas salas de cinema nacionais e fez de “Mamma Mia”, de Phyllida Lloyd, um dos filmes mais vistos de sempre em Portugal, com um total de 845 mil espectadores em sala, contra os cerca de 600 mil dos segundo e terceiro mais vistos do ano, “O Panda do Kung Fu” e “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, respectivamente. Não que “Mamma Mia” seja um virtuosismo em termos cinematográficos, muito pelo contrário. Excluindo a fantástica interpretação de Meryl Streep – mais uma! indo de encontro à tal máxima de que tudo em que Meryl Streep toca vira ouro – o filme vive sobretudo da dinâmica criada pelos temas dos Abba, já de si o factor de sucesso do musical que lhe serve de mote.




O mesmo não podemos dizer do grande vencedor dos Óscares. O filme “Este País Não é Para Velhos” consagrou definitivamente o inconfundível estilo de realização dos irmãos Joel e Ethan Coen, depois de obras que tiveram tanto de brilhante como de pouco consensual, de que são exemplo verdadeiras peças de culto como “Fargo”, “Irmão Onde Estás?” ou “O Grande Lebowski”. Dentro do estilo tipicamente americano, “Este País Não é Para Velhos” é um empolgante e arrebatador filme-perseguição num contexto único como é o do western, no qual brilham as fantásticas interpretações de Tommy Lee Jones e de Javier Bardem, este último justamente premiado pela Academia com o Óscar de Melhor Actor Secundário.



Outro estilo de realização tantas vezes esquecido pela Academia e que já há muito merecia ser consagrado é o de Tim Burton, que voltou em grande estilo em 2008 com “Sweeney Todd – O Barbeiro de Fleet Street”. “Sweeney Todd” é definível como um musical de terror, algo já por si muito difícil de definir. Logo, o último filme de Tim Burton só podia ser um verdadeiro exercício de estilo do realizador, entre o negro e o mágico, com mais uma interpretação assombrosa do actor fetiche de Burton. À semelhança do que acontecera com outras obras que só poderiam sair do imaginário do realizador, como “Eduardo Mãos de Tesoura” ou “Charlie e a Fábrica de Chocolate”, Johnny Depp volta a brilhar em “Sweeney Todd”, desta vez explorando o lado mais assombroso do actor e até as suas cordas vocais, demonstrando ao mundo toda a sua versatilidade interpretativa.




Depois de obras marcantes como “Magnólia” ou “Embriagado de Amor”, outro dos realizadores que regressou em grande em 2008 foi Paul Thomas Anderson. Com “Haverá Sangue”, o realizador transmite brilhantemente ao espectador, sem grandes efeitos especiais ou virtuosismos tecnológicos, a luta entre o amor e o ódio, entre o material e o espiritual, entre o global e o local, tendo como base a grande luta que foi a exploração do petróleo no início do século XX. Estamos, pois, perante em filme em estado puro, que celebra a representação e o trabalho dos actores, personificado na figura do inigualável Daniel Day-Lewis, o tal que escolhe a dedo e prepara cada papel ao pormenor e que, por isso, foi mais do que justo vencedor do Oscar de melhor interpretação masculina pela sua assombrosa participação neste “Haverá Sangue”.




Um dos grandes filmes do ano é, sem dúvida, “Juno”, a história da gravidez de uma adolescente na América dos nossos dias. Jason Reitman filma “Juno” num tom de comédia descontraída, mas sem esquecer a profundidade e a grandeza de cada personagem. É assim que o drama do mundo real parece suavizado aos olhos do espectador, muito também por culpa do excelente argumento de Diablo Cody. Também o elenco é irrepreensível, com destaque inevitável para Ellen Page na personagem da jovem Juno. Também inevitável é a comparação com “Little Miss Sunshine – Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos”, um dos melhores filmes do género dos últimos tempos, que viaja pelo dia-a-dia de uma família disfuncionalmente hilariante. “Juno”, sem ser tão brilhante como “Little Miss Sunshine”, consegue ser mais uma prova de vitalidade do cinema de parcos meios enquanto fiel retrato do real, por oposição aos blockbusters que inundam as salas de cinema como meras peças de entretenimento, no seu vazio e insipidez.




2008 proporcionou-nos ainda um fascinante mergulho nos bastidores do poder económico americano. Em “Michael Clayton – Uma Questão de Consciência”, o argumentista e estreante realizador Tony Gilroy oferece-nos uma interessante película, marcada pelas notáveis interpretações de George Clooney e de Tilda Swinton, esta última que venceu inclusive o Óscar de Melhor Actriz Secundária.




A nossa selecção de 2008 prossegue com “O Lado Selvagem”, um poderoso filme que marca a estreia do consagrado Sean Penn como realizador. O filme de Penn celebra valores como a coragem, o heroísmo ou a capacidade de sobrevivência diária. A interpretação de Emile Hirsch confere um vigor particular à narrativa, abrindo o véu para um final arrebatador, o culminar de uma acção em que o tempo e o espaço se cruzam de forma determinante.




Também arrebatador é “Jogos de Poder”, filme de Mike Nichols, realizador que já nos premiou com obras marcantes como “Closer” ou “Anjos na América”. À semelhança destes últimos, “Jogos de Poder” está longe de ser um filme consensual e fácil de digerir. Muito pelo contrário, é um filme que consegue ser perturbante na forma sublime como combina o humor e o drama, numa trama complexa e empolgante. E é precisamente isso que o torna num filme único. O argumento marca pontos e o elenco é de luxo, com Tom Hanks e Julia Roberts nos principais papéis. Mas o destaque vai inteirinho para a brilhante interpretação de Philip Seymour Hoffman. Quando achamos que o vencedor do Oscar por “Capote” já não nos consegue voltar a surpreender, eis que Hoffman tira mais um coelho da cartola, desta vez no delicioso papel de um agente da CIA.




2008 marca ainda o regresso de personagens míticas ao grande ecrã, entre as quais se destacam Indiana Jones, John Rambo e o próprio Batman, que faz a sua reaparição em grande estilo em “O Cavaleiro das Trevas”, naquele que é, indiscutivelmente, um dos grandes filmes do ano. Foi o já citado Tim Burton que trouxe Batman para o cinema como ele efectivamente merecia, marcando-o com a sua marca de sensibilidade quase poética, devaneio sombrio e humor aterrorizante. Depois de Burton, Joel Schumacher arrastou o super-herói para um campo mais espampanante, espalhafatoso, até carnavalesco, que pode ter atraído alguns seguidores, mas decerto desiludiu uma boa dose de fãs. “O Cavaleiro das Trevas” é o segundo filme da era Christopher Nolan. Depois de “Batman – O Início”, o realizador inglês volta a trazer o Homem-Morcego às suas origens, às emoções poderosas e desenfreadas da negra e sombria Gotham City. Esta é a receita de sucesso para um filme a mil à hora, com sequências de acção de prender o espectador do primeiro ao último minuto. Com Christian Bale atrás da máscara de Batman, é, contudo, o falecido Heath Ledger que brilha no papel de um Joker sociopata e gravemente perturbado. O Óscar a título póstumo para Ledger seria mais do que merecido e mais do que justo, mas ele seria sobretudo a confirmação de que o cinema perdeu um actor que já há muito deixara de ser uma promessa da sétima arte.
Ao desaparecimento do jovem Heath Ledger, 2008 juntou a perda de consagrados como Paul Newman, Charlton Heston, Sydney Pollack, Anthony Minghella ou Stan Winston.
No final de Fevereiro próximo, na cerimónia dos Óscares, descobriremos quem são os galardoados do ano. Até lá, segue-se a mais rica época cinematográfica do ano, com a estreia em Portugal dos principais candidatos às estatuetas douradas, com destaque para “Revolutionary Road” de Sam Mendes, “Nixon” de Ron Howard, ou “Changeling” e “Gran Torino” do crónico Clint Eastwood. Ao contrário de 2008, em que a cerimónia dos Óscares foi monopolizada por filmes de autor ou de baixo custo, como os já referidos “Juno”, “Haverá Sangue” ou “Este País Não é Para Velhos”, este ano há grandes expectativas depositadas em blockbusters como “O Cavaleiro das Trevas” ou “Iron Man – O Homem de Ferro”. Prometemos voltar a este tema uma vez conhecidos os vencedores do ano, até para perceber se as nossas apostas estavam ou não correctas.
Do Arco da Velha

Esta sinalização prova que ninguém se perde no Concelho da Amadora...

... Sobretudo quando o surto de gripe que para aí anda obriga a uma deslocação às Urgências do Hospital Amadora-Sintra... Ou à Farmácia do Hipermercado...



... E sobretudo quando a placa está dentro do próprio posto de combustível, ali junto ao Hipermercado que a placa anterior sinaliza... Já agora, onde fica a rotunda que esta placa é suposto sinalizar? Será que fica perto do Hospital?


segunda-feira, janeiro 05, 2009

Cinemacção

Os 10 Filmes Mais Caros

A Listphobia compilou a lista dos 10 filmes já produzidos mais caros de sempre. Inclui apenas longas-metragens que já foram editadas. Os custos apresentados englobam os gastos totais de produção.

1. Piratas das Caraíbas nos Confins do Mundo (235 milhões de euros)
2. Homem-Aranha 3 (202 milhões)
3. 007 - Quantum of Solace (180 milhões)
4. Piratas das Caraíbas: O cofre do homem morto (176 milhões)
5. X-Men: O confronto final (165 milhões)
6. King Kong (162 milhões)
7. Superman: O Regresso (160 milhões)
8. Crónicas de Nárnia: o Príncipe Caspian (157 milhões)
9. Exterminador 3: A Ascenção das Máquinas (157 milhões)
10. Titanic (157 milhões)

quarta-feira, dezembro 31, 2008

terça-feira, dezembro 30, 2008

Vida

Natal Universal



[in O Cedro]

Imagens do Natal da Unidade de Engenharia n.º5 do contingente português estacionado em Shama, no sul do Líbano. Com um total de 141 militares, o contingente português está integrado na Força Internacional das Nações Unidas (UNIFIL). Foi assim que os nossos militares festejaram a época, tentando esbater a distância de terras lusas. Nada faltou, nem o tradicional bolo-rei, confeccionado especialmente para a ocasião.

Numa especial homenagem a alguém que merece todos os "mimos" nesta quadra.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Do Arco da Velha

A Arte da Conversa

"gosto de companhia, gosto de tagarelar e que tagarelem comigo.
adoro deixar-me ficar sentado à volta de uma mesa e de me deixar envolver de tal forma no momento, que perco a noção do tempo. até alguém dizer, com supresa: já são duas!!
mas em que consiste uma boa conversa?
não se trata, com toda a certeza de se exibir ou de gritar mais alto do que os outros. há quem fale e não ouça. outros ouvem sem falar. todos são igualmente irritantes.
o grande conversador consegue fazer as duas coisas em partes iguais.
na conversa as ideias surgem e são embelezadas, melhoradas, contraditas ou desfeitas pelo grupo que se reuniu. os amigos vão arranjar anedotas que confirmem ou neguem uma ideia.
infelizmente, o amor pela conversa é demonizado por uma sociedade que valoriza a acção acima de tudo: não fales, faz! é o mantra dos nossos tempos. ao que eu respondo: não faças, fala sobre o assunto.
se vale a pena fazer aquilo sobre que se conversa então, a devido tempo, será feito. mas a conversa sobre o assunto é o melhor bocado, a excitação de engendrar intrigas e congeminar esquemas. a conversa, o bocado antes da realidade, antes da consciência de que será necessário algum trabalho real para fazer essa coisa acontecer, quando as possibilidades são infinitas..."

[Excerto da obra 'Os Prazeres do Ócio', de Tom Hodgkinson]
Gentilmente sacado daqui.
Ecos do Pensamento



"voa coração. ou então arde."

Eugénio de Andrade

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Vida

Um Dia Branco

Dai-me um dia branco, um mar de beladona
Um movimento
Inteiro, unido, adormecido
Como um só momento

Eu quero caminhar como quem dorme
Entre países sem nome que flutuam

Imagens tão mudas
Que ao olhá-las me pareça
Que fechei os olhos

Um dia em que se possa não saber

Sophia de Mello Breyner Andersen
Lamentável



Aconteceu na Escola EB 2,3 do Cerco, no Porto.
Alunos são ouvidos hoje pelo Conselho Executivo.
A notícia aqui.

terça-feira, dezembro 23, 2008

Recordar é Viver

Fantasias de Natal...

Um verdadeiro clássico da publicidade em Portugal.

Uma forma diferente de desejar a todos os leitores do Arco da Velha um santo e feliz Natal.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Ver TV

Sobre a Benfica TV




O dia em que o Benfica se despede da edição deste ano da Taça UEFA e, consequentemente, de todas as competições europeias esta temporada (ou isso ou um milagre), é também o dia do último directo de um jogo da equipa principal de futebol no novíssimo canal do clube, a Benfica TV. Que melhor pretexto para explanar um pouco do conceito deste canal, disponível gratiutamente para os assinantes da MEO, da Portugal Telecom? Como eu...

Assistir às emissões regulares da Benfica TV constitui uma verdadeira experiência sociológica. Num tempo em que a televisão perde protagonismo para outros meios de comunicação, pode começar por referir-se que o conceito peca por ausência de inovação e atraso no tempo. O canal é "televisivamente" pobre, quer em termos de meios, quer em termos de conteúdos. Se há coisa que detesto é o parcialismo, mas já se sabia que um canal de um clube de futebol não poderia ser imparcial. Mas uma hora a discutir o anti-benfiquismo do árbitro Jorge Coroado ou duas horas a debater a grandeza do clube... Não há pachorra!! Ou será que há?

Um canal que é tão mau que consegue ser bom. Apenas um clube em Portugal poderia abraçar um projecto deste género e fazer dele um sucesso. Esse clube chama-se Spot Lisboa e Benfica. Independentemente dos sucessos desportivos da instituição desportiva, a marca Benfica vende e sempre venderá. Por isso, considero que a Direcção do Benfica está de parabéns pela concretização com o êxito visível de um anseio de sempre dos adeptos e simpatizantes benfiquistas.

Aguardo cada noite novos comentários dos chamados "especialistas em assuntos benfiquistas". Não tarda, não consigo dormir sem as boas noites do João Malheiro.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Ecos do Pensamento



"Um livro é como uma janela. Quem não o lê, é como alguém que ficou distante da janela e só pode ver uma pequena parte da paisagem."

Khalil Gibran - Poeta e Escritor Libanês

terça-feira, dezembro 16, 2008

Esses e Outros Sons

Gogol Bordello - Start Wearing Purple

Mais um som absolutamente contagiante. Os Gogol Bordello integram elementos de países como a Ucrânia, Israel, Etiópia, Estados Unidos, Equador, Rússia ou China, e podemos afirmar que encaixam como poucos na categoria "world music". O problema é que eles, pura e simplesmente, detestam esse termo. Se world music é um termo equivocado, então chamemos a música dos Gogol Bordello pelos nomes: trata-se de um verdadeiro punk-pop-cigano-performático. Ao vivo, tudo isto se traduz em nove caóticas presenças em palco, numa sonoridade difícil de definir. Mas absolutamente fácil de digerir. Uma vez mais, obrigado Vanessa, pela deliciosa sugestão musical.

Fantástico...

Mais uma verdadeira PÉROLA d' Os Contemporâneos.

De visionamento absolutamente OBRIGATÓRIO.

"Salvem os Ricos", o seu hit deste Natal...

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Sobre a Crise...

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Verdes Anos



O Panda Tao Tao

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Sobre a Crise...



[Fonte: ActivoBank7]

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Carpe Diem



Hoje o Mundo comemora o sexagésimo aniversário da proclamação da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

O primeiro artigo daquele documento, formalmente adoptado e proclamado pela Organização das Nações Unidas no dia 10 de Dezembro de 1948, tem a seguinte redacção: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”

A ideia de cidadania activa afirma-se historicamente com a expansão dos movimentos de massas e com a luta pela conquista dos direitos universais, precisamente há sessenta anos proclamados pela ONU. A cidadania, no mundo contemporâneo, prescinde da exigência dos vínculos comunitários tradicionais, não se reduz à pura afirmação da liberdade em face ao Estado, age na esfera da liberdade e pressupõe uma visão participada de cultura social e política.

Contudo, hoje como ontem, ainda não conseguimos interiorizar verdadeiramente a noção de participação cívica. Urge ensinar a comunidade a participar, dando voz ao cidadão comum, fazendo uso dos seus mais elementares direitos. Estamos definitivamente diante de um novo paradigma que engloba a busca de solução dos problemas sociais, o empenho na melhoria da qualidade de vida e a aposta nas conquistas significativas de cidadania, devidamente partilhadas.


sexta-feira, dezembro 05, 2008

Fantástico

As Aventuras de Valentintim Loureiro...

Do Arco da Velha

Depois da sátira ao Computador Magalhães, pelos Gato Fedorento, aí está mais um fantástico sketch que poderíamos encaixar na categoria "Humor dentro das quatro paredes de uma Igreja". Desta vez, os "culpados" são Os Contemporâneos.



Puro Relax



Por-do-sol eólico...

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Carpe Diem

“Não discriminação... igual a… inclusão social!"


Foi este o lema do Congresso Europeu sobre Deficiência, realizado em 2002 e que saudou a proclamação do ano de 2003 como o Ano Europeu das Pessoas com Deficiência, no sentido da necessidade de alertar a consciência da opinião pública sobre os direitos dos mais de 50 milhões de europeus com deficiência. Hoje, dia 3 de Dezembro, Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, mais do que nunca, devemos assumir que os problemas das pessoas com deficiência ultrapassam as meras questões específicas de saúde, educação, transportes, barreiras arquitectónicas e outras, para se situarem no plano mais vasto dos Direitos Humanos.
A forma como o Poder e o próprio Cidadão Comum organiza a vida, as localidades, as infra-estruturas de educação e de cultura, a lógica produtiva e organizativa das empresas, marginaliza uma parte considerável da população, designadamente a população portadora de diferenças, físicas, psíquicas, ou ambas. Os cidadãos deficientes raramente têm oportunidade de assumir a sua condição de cidadãos de pleno direito.
Muitas das consciências não interiorizaram ainda que os cidadãos com deficiência têm, como os outros, direitos e deveres. Os estigmas que impendem sobre o cidadão com diferenças não foram ultrapassados, marcando ainda, de um modo geral, os comportamentos sociais. A discriminação constitui uma violação dos Direitos Humanos. Não é característica apenas de países ditos menos desenvolvidos, mora no espírito do Homem, no mais íntimo da sua consciência.

Toda a reflexão.
Directo à Questão.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Directo à Questão

Menos Filhos e Mais Tarde: Uma reflexão sobre os números da natalidade em Portugal

Os jovens portugueses são cada vez menos, casam mais tarde e têm menos filhos, e ainda em idades mais tardias. Cerca de metade das crianças que nascem anualmente no nosso país têm mães com mais de 30 anos. Os números oficiais demonstram que as mulheres portuguesas estão a optar por ter as crianças mais tarde e depois de prestarem provas no campo profissional. E revelam ainda que o tão apregoado "relógio biológico" tem uma carga horária muito ampla, nem que para isso seja necessário recorrer à ajuda da medicina.
Simultaneamente, é possível constatar um significativo decréscimo de natalidade nas idades mais jovens, atingindo valores claramente abaixo dos 10% nos grupos etários entre os 20 e 24 anos e entre os 25 e os 29 anos.
No entanto, independentemente da faixa etária das mães, os números globais da natalidade em Portugal continuam particularmente baixos. Segundo o Instituto Nacional de Estatística nascem pouco mais de 100 mil crianças por ano, valores que se aproximam dos registados em meados da década de noventa. E são as mulheres com mais de 30 anos que impedem que o índice de fecundidade seja ainda mais baixo do que os actuais 1.4, o número de filhos por mulher em idade fértil.
Não obstante estarmos perante um modelo sócio-demográfico caracterizado por uma nupcialidade cada vez mais tardia, o casamento continua, efectivamente, a constituir a solução de conjugalidade mais frequente entre jovens portugueses, realça o relatório «Jovens em Portugal», uma análise do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa através de dados estatísticos desde 1960.
Os jovens portugueses permanecem actualmente mais tempo na escola e entram mais tarde no mercado de trabalho do que há 30 anos, prolongando o período em que dependem economicamente da família de origem, refere o referido relatório «Jovens em Portugal». Nos últimos 30 anos, o analfabetismo juvenil foi praticamente erradicado e a frequência dos níveis mais elevados de ensino dobrou de década para década, verificando-se um alargamento progressivo da idade média de permanência na escola.
Num passado não muito longínquo, ter filhos tardios era algo criticado socialmente e que decorria, muitas vezes, da falta informação das mulheres, coincidindo com a fase de pré-menopausa. Actualmente, as gravidezes tardias chegam mesmo a ser incentivadas, constituindo uma opção de mulheres com capital profissional e educacional. O maior investimento das mulheres no mercado de trabalho e as ainda prementes dificuldades em conseguir uma ampla conciliação entre o trabalho e a família parecem contribuir decisivamente para os números em análise. No entanto, a crise económica e financeira que o mundo atravessa só vem agudizar ainda mais as dificuldades dos casais portugueses, contribuindo para esta tendência de diminuição do número de filhos.
Todas estas modificações de âmbito mais macro, obrigam a novas respostas que possibilitem a transformação do problema dos números da natalidade em Portugal num aliciante desafio. Trata-se de uma necessária adequação a uma realidade que evolui constantementeem função de dinâmicas demográficas e socio-económicas, de alterações de política social e do desenvolvimento global.

Reflexão também publicada aqui.

quarta-feira, novembro 26, 2008

Esses e Outros Sons

Ranking Best of 2008

A minha selecção dos melhores temas que soaram em 2008:

1. Coldplay – Viva La Vida



2. Alicia Keys – No One

3. Gabriela Cilmi – Sweet About Me

4. Nneka – Heartbeat

5. Deolinda – Fon-fon-fon

6. Linkin Park – Shadow Of The Day

7. Vampire Weekend – Oxford Comma

8. Duffy – Mercy

9. Katie Melua – If You Were a Sailboat

10. Os Pontos Negros – Conto De Fadas De Sintra A Lisboa

11. Perfume & Rui Veloso – Intervalo


12. Brandi Carlile – The Story

13. Plain White T’s – Hey There Delilah

14. Ana Free – In My Place

15. The Script – The Man That Can’t Be Moved

16. Yael Naim – New Soul

17. Mesa – Boca do Mundo

18. Jason Mraz - I'm Yours

terça-feira, novembro 25, 2008

E o Paraíso Aqui Tão Perto...



Puros contrastes de cor à vista da janela do meu local de trabalho numa outonal tarde de Novembro...

terça-feira, novembro 18, 2008

"Desconcertarte"


Paula Rego, A Mulher dos Bolos (2004)
Palavras de Vida Eterna

Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...

Miguel Torga

quinta-feira, novembro 13, 2008

Falou&Disse

"A amizade é , acima de tudo, certeza – é isso que a distingue do amor."

Marguerite Yourcenar

terça-feira, novembro 11, 2008

O Cerne da Questão

O Mundo Mudou



No passado dia 4, imediatamente antes de sair para Chicago, onde fez o seu discurso de vitória, Barack Hussein Obama terá ligado o seu computador para escrever.

"Vou agora para o Grant Park falar com todos os que estão lá reunidos, mas queria escrever-te primeiro. Acabámos de fazer história. E eu não quero que te esqueças como o fizemos. Temos ainda de fazer muito para voltar a por o nosso país nos eixos. Vou voltar a contactar-te sobre o que se segue."

Foi um dos primeiros actos do novo Presidente dos Estados Unidos da América. Minutos depois, todos os que se tinham registado na página de Obama na internet receberam esta mensagem no seu email. A campanha estima que tivessem sido cerca de 3,1 milhões.

É este o melhor exemplo da mudança operada com a chegada de Obama à Casa Branca. Do carisma de Obama.

Alguém disse há dias que esta eleição é o culminar de um processo natural e inevitável de amadurecimento da democarcia. Alguém disse há dias que esta eleição só podia acontecer num país como os Estados Unidos da América. Alguém disse há dias que esta eleição transforma o eterno sonho americano em realidade. Alguém disse há dias que esta eleição é o "25 de Abril" da América.

Inspirado
aqui.
Lusos Encantos




Tomar

sábado, novembro 08, 2008

Falou & Disse

sexta-feira, novembro 07, 2008

"Desconcertarte"



Paula Rego, The Pillowman (2003)

segunda-feira, novembro 03, 2008

Directo à Questão

Empreendedorismo e Microcrédito: Dois conceitos indissociáveis na Economia do Século XXI


Vivemos tempos turbulentos na economia actual. É um facto indesmentível. A crise instalou-se e tem um impacto social global, num mundo ele próprio cada vez mais globalizado e “globalizante. Trazemos hoje à nossa reflexão um tema de uma enorme actualidade nos conturbados tempos que a economia atravessa e que consideramos que pode constituir uma das melhores respostas face aos desafios impostos pelo mercado em momentos delicados como os que actualmente vivemos. Falemos de microcrédito.
Segundo Muhammad Yunus, Prémio Nobel da Paz em 2006, através do microcrédito “mesmo o mais pobre dos pobres pode trabalhar no sentido do seu próprio desenvolvimento”. Assim, o microcrédito, mais do que uma inestimável estratégia de criação de emprego, constitui um verdadeiro instrumento de luta contra a pobreza e exclusão social.
O microcrédito é um processo de capacitação e de autonomização socioeconómica de pessoas, famílias e outros grupos sociais, baseado em duas ideias fundamentais: é pequeno na quantidade de dinheiro emprestado, mas é grande na convicção de que as pessoas têm capacidade para superar os seus limites e dificuldades.
Assim, o microcrédito valoriza, sobretudo, a capacidade de iniciativa, a vontade de cada um se tornar fazedor de um novo projecto de vida. Criar o seu próprio emprego e libertar-se da dependência de medidas de natureza assistencial, são algumas das suas mais valias. Por outro lado, esta via contribui ainda para a dinamização da actividade económica, em particular a nível local.
O microcrédito pressupõe a existência de uma boa ideia de negócio e a ausência de possibilidade de acesso ao mercado financeiro para a concretização dessa ideia. É por isso que o microcrédito, a inovação e o empreendedorismo são conceitos indissociáveis. Estes conceitos assentam num denominador comum: a motivação.
Já dizia um dos maiores gurus da gestão, Peter Drucker, que o “empreendedorismo não é uma ciência, nem uma arte. É uma prática”. O empreendedorismo é considerado o conjunto de comportamentos e actividades adoptados por pessoas que detectam uma oportunidade de negócio e se dedicam à criação de uma nova empresa para explorar essa oportunidade.
O empreendedor não é, pois, apenas aquele que tem uma excelente ideia. É aquele que faz. É aquele que é capaz de a colocar em prática. Uma boa ideia só é uma ideia empreendedora quando é colocada no terreno. Nesse sentido, o empreendedor é aquele que é capaz de conceber, de por em prática, e de instilar nos que o acompanham, uma atitude de desafio permanente, de vontade, de superação da indiferença.
Esta tónica colocada na vertente social do empreendedorismo tem o mérito de apontar para a possibilidade de transformação das condições de vida dos indivíduos, fazendo a capacidade empreendedora depender não apenas das competências individuais, mas também e sobretudo, das relações sociais do empreendedor. Segundo o Global Entrepreneurship Monitor, os empreendedores já não são só os capitalistas com recursos e acesso a oportunidades, mas também os indivíduos e comunidades motivados pela necessidade – os micro-empreendedores.
Estudos recentes sobre o empreendedorismo social afirmam que este se desenvolve em áreas e grupos sociais mais desfavorecidos em que o mercado tem vindo a falhar, nomeadamente nas mulheres, nos jovens, nos reformados, nos portadores de deficiência e nos desempregados.
O empreendedorismo social pode, pois, ser entendido como um processo de transformação sistémica. Neste contexto, as políticas de promoção e estímulo ao comportamento empreendedor podem aspirar a que as inovações sociais tenham um impacto mais amplo nos mecanismos de combate à exclusão social.

sexta-feira, outubro 31, 2008

Do Arco da Velha

A sátira dos « Gato Fedorento» ao computador Magalhães, "Louvado Sejas, ò Magalhães", bateu o record de queixas na Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Aqui fica o sketch da discórdia.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Carpe Diem

Um Recanto Junto ao Douro


No último fim-de-semana descobri um recanto deste rectângulo à beira-mar plantado. Um recanto todo ele cheio de pequenos outros recantos daqueles que reconfortam a alma e redobram energias. E não consegui resistir em partilhar algumas das emoções vividas. Tal como não vou resistir em recomendar uma visita obrigatória à Casa das Pipas, um verdadeiro paraíso enformado pelo nosso único Douro Vinhateiro, Património Mundial da UNESCO.

E porquê um paraíso? Porque a Casa das Pipas representa muito daquilo que me faz acreditar na vida (e quem me conhece bem perceberá onde quero chegar…). Enoturismo no seu esplendor, aquele espaço de vinhedos a perder de vista, situado na Quinta do Portal, no Vale do Rio Pinhão, entusiasma em cada segundo que decidimos dedicar-lhe.

A Quinta do Portal é produtora de Vinhos DOC Douro, Vinhos do Porto e Moscatel de eleição. Neste cenário vínico único, emerge um espaço de turismo rural puro, que alia a magia natural da vinha ao tradicional empedrado das adegas e lagares, conservados no seu esplendor. É por isso que uma visita à Casa das Pipas proporciona um verdadeiro mergulho no passado, sem descurar preocupações de conforto e modernidade.

Quem já lá esteve sabe do que estou a falar. Um muito sincero obrigado àqueles que proporcionaram este fim-de-semana de encantamento. E a quem me acompanhou nesta singular descoberta.

Descubra alguns destes deliciosos recantos em http://www.quintadoportal.com/

quinta-feira, outubro 23, 2008

Silent Magic Words

São um trio belga, chamam-se Hooverphonic e, desde que me foram apresentados, fiquei rendido ao seu som. Não podia deixar de partilhar este inaudito "Mad About You".

Mad About You

Feel the vibe,
feel the terror,
feel the pain,
It's driving me insane.
I can't fake,
For God's sake why am i driving in the wrong lane
trouble is my middle name.
But in the end I'm not too bad
Can someone tell me if it's wrong to be so mad about you

Mad about you,
Mad .....

Are you the fishy wine that will give me a headache in themorning
or just a dark blue land mine that will explode without a decentwarning.
Give me all your true hate and I'll translate it in our bed,
into never seen passion, never seen passion
that is why I am so mad about you

Mad about you,
Mad ....

Trouble is your middle name.
But at the end you're not too bad
Can someone tell me if it's wrong to be so mad about you

Mad about You

Give me all your true hate and I'll translate it in our bed,
into never seen passion
that is why I am so mad about you

Mad about you

Hooverphonic

quarta-feira, outubro 22, 2008

Directo à Questão

O Computador Magalhães Rumo à Info-inclusão

Aí está o computador Magalhães no primeiro ciclo do Ensino Básico. O mediático aparelho informático prepara-se para chegar às escolas portuguesas. O que será que podemos esperar da introdução do Magalhães no nosso sistema de ensino?
Sob o ponto de vista meramente pedagógico, é efectivamente discutível se a introdução do Magalhães pode produzir ganhos efectivos para os alunos em termos da aquisição das competências pedagógicas básicas. De facto, as metodologias e técnicas pedagógicas utilizadas para a aquisição e desenvolvimento dos processos psico-linguísticos básicos da leitura e da capacidade de raciocínio numérico e lógico-abstracto não se substituem à introdução da informática no processo de ensino-aprendizagem. No entanto, não tenho dúvidas que, sem se sobreporem às tradicionais técnicas de ensino, as tecnologias de informação e comunicação podem constituir um complemento fundamental para as aquisições básicas de aprendizagem no primeiro ciclo do Ensino Básico.
Para além de poder constituir-se como um importante apoio ao processo de ensino, complementando as técnicas pedagógicas já existentes e contribuindo para um aumento do factor motivacional junto dos alunos, o Magalhães pode ainda desempenhar um importante papel enquanto facilitador do acesso às tecnologias de informação e comunicação. Falamos, pois, da introdução de um computador na casa dos portugueses, muitos deles que, de outra forma, não estariam sensíveis para a importância de um acesso precoce às tecnologias de informação e comunicação. Falamos também aqui da importância social desta medida, uma vez que pode contribuir para um esbater das diferenças no acesso a um bem essencial dos nossos tempos, a sociedade da informação.
Parece-me que o computador Magalhães possui ainda a mais-valia de desempenhar um papel determinante na mobilização dos pais para o processo educativo dos filhos. Basta pensar na influência das crianças sobre os pais, na sua importância na modelização de comportamentos dos próprios encarregados de educação. Com a generalização do acesso às tecnologias de informação e comunicação nos vários níveis de ensino, espera-se que sejam os próprios alunos a sensibilizar os pais para a importância da informação nesta sociedade do conhecimento, contribuindo assim para a diminuição da info-exclusão junto das famílias portuguesas.
De referir, finalmente, a necessidade de uma formação adequada dos professores, para que a introdução do Magalhães possa efectivamente constituir uma importante mais-valia no sistema educativo, em particular no primeiro ciclo do ensino básico. Essa formação deve passar pela info-inclusão dos próprios docentes, tendo em vista a tal complementaridade necessária entre os métodos de ensino assistidos por computador e as ditas “clássicas” metodologias e técnicas pedagógicas de aquisição de competências básicas, como a leitura, a escrita ou a matemática.
A introdução do Magalhães nas casas de milhares de portugueses deve, pois, ser encarada, não como uma ameaça à aprendizagem das crianças, mas, sobretudo, como uma oportunidade. Uma oportunidade de ouro para a tão almejada generalização das tecnologias de informação e comunicação junto da população portuguesa. Rumo à necessária info-inclusão dos portugueses.

Estas e outras questões
. Aqui.
Lusos Encantos



Quinta das Lágrimas, Coimbra

terça-feira, outubro 21, 2008

Grande Penalidade

Descubra as diferenças...



Sertanense 0 - 4 Porto, 5.ª Eliminatória Taça Portugal 2007-2008, 2008/02/10



Sertanense 0 - 4 Porto, 3.ª Eliminatória Taça Portugal 2008-2009, 2008/10/18

quinta-feira, outubro 16, 2008

Palavras de Vida Eterna

A Minha Próxima Vida

"A minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma. Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu. Em seguida a primária, ficar criança e brincar. Não tenho responsabilidades e fico um bébé até nascer. Por fim, passo 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia, e depois Voilá! Acabo num orgasmo!"

Woody Allen
Do Arco da Velha


E agora, Portugal?
[Capa do Jornal "A Bola", 2008/10/16]

quarta-feira, outubro 15, 2008

Verdes Anos

O famoso Pica-Pau, "The Woody Woodpecker Show".

segunda-feira, outubro 13, 2008

Cinemacção



Chama-se Another Way to Die e é o novíssimo tema de genérico da nova aventura de James Bond, 007 - Quantum of Solace. A música é potentíssima e resulta da inesperada (mas surpreendentemente bem conseguida) combinação entre as vozes de Alicia Keys e Jack White, dos White Stripes. O filme promete... Pelo menos se for tão bom como a música...

sexta-feira, outubro 10, 2008

Falou & Disse



"O tempo é muito lento para os que esperam
Muito rápido para os que têm medo
Muito longo para os que lamentam
Muito curto para os que festejam
Mas, para os que amam, o tempo é eterno."

William Shakespeare

quarta-feira, outubro 08, 2008

Palavras de Vida Eterna

Fado Toninho

Dizem que é mau, que faz e acontece

arma confusão e o diabo a sete

agarrem-me que eu vou-me a ele

não sei o que lhe faço

desgrenho os cabelos

esborrato os lábios

se não me seguram

dou-lhe forte e feio

beijinhos na boca

arrepios no peito

e pagas as favas

eu digo: - enfim,

ó meu rapazinho

és fraco para mim!

De peito feito ele ginga o passo

arregaça as mangas e escarra pró lado

anda lá, ó cobardolas

vem cá mano a mano

eu faço e aconteço

eu posso, eu mando

se não me seguram

dou-lhe forte e feio

beijinhos na boca

arrepios no peito

e pagas as favas

eu digo: enfim,

ó meu rapazinho

sou tão má para ti!

Ó meu rapazinho, ai

eu digo assim:

"- Se não me seguram

dou cabo de ti!"


Deolinda

quinta-feira, outubro 02, 2008

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Encontrei esta pérola afixada numa Central Telefónica numa movimentada artéria de uma localidade perto de si... O amor é lindo...